{
"$type": "site.standard.document",
"bskyPostRef": {
"cid": "bafyreicv2n2ezojyp77umgtehg6pzxirlys4wfr6mpyf4c4atletdlhxyu",
"uri": "at://did:plc:q5xux2nkhg7d6ywwbe36ocxq/app.bsky.feed.post/3mkpanziy7jj2"
},
"coverImage": {
"$type": "blob",
"ref": {
"$link": "bafkreicssrosjrsrza5iuaju5bbrlemedwqbfi4bnnl7bb5ohesdysdin4"
},
"mimeType": "image/jpeg",
"size": 270843
},
"path": "/ciencia/meio-ambiente/noticia/2026/04/passaros-de-cidade-parecem-ter-mais-medo-de-mulheres-do-que-de-homens.ghtml",
"publishedAt": "2026-04-29T14:29:59.000Z",
"site": "https://revistagalileu.globo.com",
"tags": [
"galileu"
],
"textContent": "\nUm estudo conduzido em diferentes cidades europeias revelou um comportamento inesperado entre as aves urbanas: elas tendem a demonstrar mais cautela diante de mulheres do que de homens. A constatação, que atravessa dezenas de espécies, surpreendeu os cientistas não apenas por se repetir de forma consistente, mas pela ausência de uma explicação clara para o fenômeno. A partir da análise de 2.701 observações, os investigadores perceberam que, em média, os homens conseguiam se aproximar dos pássaros cerca de um metro a mais do que as mulheres antes que eles levantassem voo. Esse padrão se manteve o mesmo quando variáveis como altura, roupas e modo de caminhar foram controladas, o que indica que os animais não estavam reagindo a fatores óbvios. Detalhes da pesquisa aparecem em um artigo publicado na revista People and Nature em dezembro de 2025. Fenômeno consistente O comportamento foi observado em 37 espécies, incluindo pombos, pardais, pegas, chapins-reais, melros e pica-paus, todas aves com diferentes níveis de tolerância à presença humana. Ainda assim, a resposta foi uniforme, com uma maior distância de fuga diante de mulheres. O estudo descobriu que os pássaros são capazes de diferenciar homens e mulheres, mas os especialistas ainda não se sabem como isso ocorre Magnific A consistência geográfica também chamou atenção. Os resultados se repetiram nos cinco países analisados, sugerindo que não se trata de um comportamento localizado ou culturalmente específico. Para os pesquisadores, isso fortalece a solidez da descoberta. “Identificamos um fenômeno, mas realmente não sabemos o porquê”, aponta o ecólogo Federico Morelli, da Universidade de Turim, coautor do estudo, em comunicado. “No entanto, o que nossos resultados destacam é a sofisticada capacidade das aves de avaliar o ambiente em que vivem.” Distinção dos humanos A principal questão em aberto é como exatamente as aves conseguem diferenciar homens e mulheres. O estudo levanta algumas hipóteses, mas nenhuma foi comprovada até o momento. Entre as possibilidades consideradas estão sinais químicos, como feromônios, além de características físicas, como formato corporal, ou padrões sutis de movimento, como a marcha. Contudo, os próprios autores reconhecem essas explicações como especulativas. Novos estudos serão necessários para confirmar a consistência do padrão e, sobretudo, para esclarecer os mecanismos pelos quais as aves diferenciam os homens e as mulheres Pexels Yanina Benedetti, professora da Universidade Tcheca de Ciências da Vida em Praga e coautora do artigo, destaca o impacto da descoberta para a ciência comportamental: “Como mulher na área, fiquei surpresa com a forma como os pássaros reagiram a nós. Este estudo destaca como os animais nas cidades ‘enxergam’ os humanos, o que tem implicações para a ecologia urbana e a igualdade na ciência”. Ela ressalta ainda que muitos estudos partem do pressuposto de neutralidade do observador humano, uma premissa questionada por esses resultados. “As aves urbanas claramente reagem a sinais sutis que os humanos não percebem facilmente”, afirma, sugerindo que pesquisas futuras devem considerar cenários específicos, como odores ou padrões de movimento, para identificar os sinais detectados pelos animais. Implicações dos achados Os achados têm implicações relevantes para a ecologia urbana e para o desenho de experimentos científicos. Se animais respondem de forma diferenciada a características humanas, isso pode introduzir vieses em estudos comportamentais e ecológicos. Além disso, o fenômeno dialoga com evidências em outros grupos animais, lembra a revista Scientific American. Em mamíferos, por exemplo, já se observou que ratos de laboratório apresentam níveis mais elevados de estresse quando manipulados por pesquisadores homens, indicando que a distinção entre humanos pode ser uma habilidade relativamente comum no reino animal. Mesmo com a amplitude da amostra, os pesquisadores alertam que os resultados ainda devem ser considerados preliminares. Novos estudos serão necessários para confirmar a consistência do padrão e, sobretudo, para esclarecer seus mecanismos subjacentes. Por ora, permanece o enigma sobre como, em meio ao ruído e à complexidade das cidades, as aves captam sinais que escapam à compreensão da própria ciência.",
"title": "Pássaros de cidade parecem ter mais medo de mulheres do que de homens"
}