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"textContent": "\nExistem cheiros que marcam a vida de qualquer pessoa: o perfume que os pais usavam, o aroma de café na casa da vó ou da sua comida favorita na infância. O olfato fornece informações sobre o ambiente e nos possibilita até mesmo detectar perigos do dia-a-dia. A grande questão é que esse sentido continua a ser um mistério para os cientistas, sobretudo no que diz respeito à organização dos receptores olfativos no nariz - e como esses sinais são interpretados pelo cérebro. Pesquisadores da Universidade Harvard (Estados Unidos) decidiram se aprofundar na discussão e, como resultado, criaram o primeiro mapa detalhado de como mais de mil receptores olfativos estão dispostos no cérebro. As suas descobertas foram publicados em um artigo científico na revista Cell nesta terça-feira (28). Uma das principais revelações contradiz o que os cientistas acreditavam há tempos: os receptores olfativos não estão dispostos aleatoriamente. A verdade é que eles possuem um alto grau de organização espacial, dispostos em faixas horizontais baseadas até mesmo no seu tipo, entre os que ficam no topo e os que ficam na base do nariz. A equipe também estabeleceu que o mapa coincide com os mapas de olfato no bulbo olfatório do cérebro, fornecendo pistas sobre como a informação se move do nariz até o cérebro. Em comunicado, Sandeep Datta, da Universidade Harvard, afirmou que o mapa poderá fornecer informações fundamentais para ajudar os cientistas a desenvolverem terapias para pacientes que perderam o olfato. Cheirinho de mistério Quando comparado com os demais sentidos, “o olfato (...) é o que ficou sem um mapa por muito tempo”, destacou Datta. A produção desses mapas detalhados é o que possibilita aos cientistas visualizar e compreender como os receptores estão organizados nos seus respectivos órgãos e nas áreas cerebrais correspondentes. Mas esse refino de informações é um processo complexo e, sobretudo, demorado. Os ratos, por exemplo, possuem cerca de 20 milhões de neurônios olfativos que expressam mais de mil tipos de receptores olfativos, em comparação com apenas três tipos principais de receptores visuais para a visão de cores. Cada tipo de receptor olfativo detecta um subconjunto único de moléculas de odor. Avanços das técnicas genéticas incentivaram que os pesquisadores retornassem os estudos sobre os receptores olfativos Datta Lab No decorrer dos últimos 35 anos, pesquisadores identificaram muitos desses receptores e tentaram os mapear mesmo sem saber como eles estavam organizados entre si. O interesse nessa questão cresceu nos últimos anos devido a pandemia do vírus da Covid-19, cujo um dos sintomas mais comuns é a perda de olfato. Os experimentos mais recentes contaram com o uso de duas técnicas genéticas: sequenciamento de célula única e transcriptômica espacial. Elas foram empregadas na análise de cerca de 5,5 milhões de neurônios em mais de 300 camundongos. A primeira técnica permitiu identificar quais receptores olfativos eram expressos pelos neurônios no nariz, e a segunda possibilitou determinar a localização desses receptores. Um sistema altamente estruturado O mapa resultante revelou que os receptores olfativos estão dispostos em faixas horizontais densas e sobrepostas, do topo à base do nariz, com base no tipo de receptor olfativo que expressam. A estrutura se mostrou consistente entre os camundongos e reflete a organização dos mapas olfativos no cérebro. Os pesquisadores também investigaram como esse mapa é formado no nariz e, assim, identificaram o ácido retinoico, uma molécula de cheiro levemente amadeirado que ajuda a controlar a atividade dos genes no órgão. Eles descobriram que o ácido guiava cada neurônio a expressar o tipo correto de receptor. Adicionar ou remover ácido retinoico fazia com que o mapa de receptores se deslocasse para cima ou para baixo. A perda do olfato pode ter efeitos surpreendentemente graves na saúde mental, levando ao isolamento, sintomas de ansiedade e depressão Unsplash O mapa se alinha com os mapas existentes dos centros de processamento de odores do cérebro. Essa demonstração feita pela equipe oferece novas informações sobre como a informação “viaja” do nariz para o cérebro. “Mostramos que o desenvolvimento pode alcançar esse feito de organizar mil receptores olfativos diferentes em um mapa incrivelmente preciso e consistente entre os animais”, disse Datta. Agora, os pesquisadores pretendem não apenas determinar a ordem exata das faixas horizontais, mas também investigar o porquê delas estarem em um ordenamento específico. Eles também estão expandindo seu trabalho para o tecido humano a fim de verificar o quão fielmente o mapa do rato se repete entre diferentes espécies de mamíferos. Um conhecimento mais profundo sobre o funcionamento do olfato orientará os esforços para o desenvolvimento de tratamentos para pacientes que perderam o olfato. Entre as principais aplicações, estão as terapias com células-tronco ou interfaces que unem o cérebro a um computador. “O olfato tem um efeito realmente profundo e abrangente na saúde humana, portanto, restaurá-lo não é apenas para prazer e segurança, mas também para o bem-estar psicológico. Sem entender esse mapa, estamos fadados ao fracasso no desenvolvimento de novos tratamentos”, concluiu Datta.",
"title": "Cientistas criam primeiro mapa de cheiros no cérebro; veja"
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