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Cientistas monitoram cérebro de espectadores para descobrir como o público reage a filmes

Galileu [Unofficial] April 27, 2026
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Em algum momento da vida você já deve ter assistido a um filme que até agradou de início, mas, após um período de reflexão, já não pareceu tão legal assim - seja pela falta de cenas mais impactantes, diálogos mais profundos, personagens mais bem desenvolvidos ou até mesmo um final melhor. Sabendo que esses pontos podem afetar a experiência do espectador com uma obra audiovisual, estúdios de cinema fazem, há décadas, exibições antecipadas para avaliar como o público reage a filmes em desenvolvimento. As reações das pessoas podem influenciar decisões de edição, regravação e mudanças em partes finais. Essas avaliações são coletadas, geralmente, através de comentários escritos ou verbais após o término dos filmes. No entanto, um novo método de medição moderno pode trazer uma visão diferente e mais esclarecedora de como os espectadores reagem ao conteúdo exibido. Pesquisadores da Universidade de Bristol, na Inglaterra, utilizaram um “cinema inteligente” equipado com tecnologia avançada para registrar, em tempo real, respostas biométricas do público ao que estão assistindo e ouvindo. Essas impressões incluem métricas como frequência cardíaca, movimentos físicos e atividade cerebral, que pode sugerir se quem assiste gosta ou não de determinada cena. Ao combinar as reações físicas e emocionais do público com avaliações verbais sobre as partes que acharam mais interessantes em um filme, a equipe de pesquisadores espera compreender quais momentos realmente chamaram atenção. E também se cineastas e produtores podem se basear nesses estudos para desenvolver melhores estratégias de produção e direção, além de correr maiores riscos criativos. “O cinema inteligente nos oferece uma oportunidade extraordinária de entender como as pessoas realmente vivenciam o cinema”, disse Iain Gilchrist, professor de neuropsicologia da Universidade de Bristol, em comunicado. “Os dados que estamos coletando aqui nos permitirão entender como a compreensão da história pelo público é moldada por cenas específicas e orientar as decisões sobre a edição mais impactante”, completou. Como aconteceu o estudo Para o estudo, cerca de 200 participantes foram conectados a sensores que medem a atividade cerebral e a frequência cardíaca, enquanto câmeras infravermelho capturavam movimentos e olhares. Além de respostas biométricas individuais, os pesquisadores buscaram identificar, principalmente, momentos do filme em que esses sinais dos espectadores estivessem sincronizados — algo que indicava que eles apresentavam um grande envolvimento com o que acontecia em cena. Fones de ouvido e pulseiras biométricas rastreiam dados para que pesquisadores compreendam as reações físicas e emocionais dos espectadores Universidade de Bristol O filme exibido ao público foi “RENO”, um curta-metragem de ficção científica, dirigido por Rob Hifle, que explora a relação entre humanos e inteligência artificial, trazendo temas como confiança e manipulação na era da tecnologia. O curta foi apresentado em versões alternativas a diferentes grupos de espectadores. Dessa forma, Hifle poderá trabalhar na edição final da obra conforme as conclusões do estudo sobre a experiência do público. Os testes mostraram que, em comparação com aqueles que assistiram à apresentação através de uma transmissão ao vivo, as pessoas que estavam presentes fisicamente relataram uma imersão maior no momento, além disso, suas frequências cardíacas estavam sincronizadas, indicando um maior envolvimento com o que era presenciado durante a sessão. “Como diretor, ter a oportunidade de testar o filme RENO com o público no cinema inteligente é realmente inestimável”, disse o cineasta, em comunicado. “Não se trata apenas de aprimorar o filme; trata-se também de conectar-se com os espectadores, entender suas reações e garantir que nossa história tenha um impacto profundo. Essa experiência, sem dúvida, moldará a versão final de maneiras que ainda não consigo imaginar”, destacou. Pesquisadores acreditam que a tecnologia poderia ser testada em outras formas de mídia além do cinema. Em estudos anteriores, Gilchrist e sua equipe utilizaram o monitoramento de frequência cardíaca para entender como o público reage a apresentações musicais ao vivo. Os testes realizados no cinema inteligente durante a sessão de “RENO” darão continuidade a esses estudos. Veja mais sobre os testes no cinema inteligente no vídeo abaixo: Initial plugin text

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