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Cientistas criam embrião para salvar rinoceronte raro, com só 2 fêmeas restantes

Galileu [Unofficial] April 24, 2026
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Os rinocerontes-brancos-do-norte fazem parte de uma subespécie de rinoceronte-branco que está praticamente extinta. Ao todo, restam apenas dois desses rinocerontes na Terra: ambos são fêmeas (Najin e Fatu) e vivem na reserva de Ol Pejeta, no Quênia. Essa escassez poderia ser um decreto para o fim da espécie, mas pesquisadores liderados pelo consórcio BioRescue, uma organização de pesquisa animal, recorreram a técnicas de reprodução assistida. O trabalho parece estar rendendo resultados, já que um novo embrião de rinoceronte branco foi criado usando óvulos de Fatu, uma das fêmeas remanescentes. Esse conta como o 39º embrião desenvolvido com sucesso pela equipe internacional de cientistas em busca evitar o total desaparecimento dos rinocerontes-brancos-do-norte (Ceratotherium simum cottoni). Por ser uma espécie considerada funcionalmente extinta, a intervenção humana atua em juntar os óvulos das fêmeas vivas com os espermatozoides preservados de machos mortos. Embriões sob demanda Num estudo publicado em fevereiro de 2026 na revista científica PLOS One, os cientistas associados ao BioRescue descreveram detalhadamente as estratégias usadas no projeto de livrar o rinoceronte-branco-do-norte da extinção. Para que os embriões se desenvolvam, eles são implantados em “rinocerontes de aluguel”: fêmeas de rinocerontes-brancos-do-sul que poderão gestar um novo indivíduo. A reprodução assistida, apesar de ser um procedimento conhecido na medicina, ainda é recente no campo da vida selvagem Ami Vitale/BioRescue A explicação pode parecer simples, mas processos de reprodução assistida em animais ainda são recentes e de resultados incertos. Pelo fato do material genético necessário para a reprodução dos rinocerontes ser limitado e escasso, cada tentativa é complexa e arriscada. Todo o trabalho envolve conhecimentos de administração hormonal, manuseio de embriões e cuidados de gestação. O desafio disso se mostra nos próprios resultados: apesar de transferências de embriões bem sucedidas, nenhuma gerou uma gravidez de longo prazo. Ainda assim, os cientistas destacam que os avanços feitos nas tentativas de reprodução servem para o sucesso a longo prazo. Reprodução assistida em rinocerontes A pesquisa publicada na PLOS One também buscou entender a opinião pública sobre tecnologias de reprodução assistida (TRA) para a conservação da vida selvagem em países como República Tcheca, Alemanha e Itália. Foi observado que há um amplo apoio do uso das TRA nesse campo desde que aliadas a outras abordagens de conservação já conhecidas, como a proteção de habitats. Em comunicado, a equipe de pesquisadores diz permanecer otimista diante dos avanços científicos obtidos nas seis transferências de embriões de rinocerontes já feitas Divulgação/BioRescue Leia mais notícias: Os entrevistados da pesquisa também destacaram a supervisão ética e o bem-estar animal como essenciais nesse tipo de projeto, além da própria necessidade de uma comunicação pública mais transparente e eficaz sobre a crise dos rinocerontes e fatores de declínio de outras espécies. “A fertilização in vitro (FIV) em rinocerontes é um procedimento complexo que nunca havia sido tentado antes. Portanto, o projeto tem sido uma curva de aprendizado para todos os envolvidos. A equipe está ciente de que foram necessárias mais de 100 tentativas para que a FIV em humanos fosse bem-sucedida e que, até abril de 2026, o Consórcio BioRescue havia realizado apenas seis transferências de embriões. A equipe permanece focada no sucesso e em estabelecer um modelo sólido para salvar outras espécies à beira da extinção”, diz comunicado do Instituto Leibniz para Pesquisa em Zoológicos e Vida Selvagem (IZW).

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