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"textContent": "\nCrianças neandertais se desenvolviam mais rapidamente do que os humanos modernos nos primeiros anos de vida. É o que sugere um novo estudo, publicado no dia 15 de abril na revista Current Biology. A conclusão vem da análise de um esqueleto infantil parcial conhecido como Amud 7, que foi originalmente descoberto na década de 1990 dentro da caverna de Amud, em Israel. Datado de aproximadamente 51 a 56 mil anos, o fóssil é considerado bastante raro, uma vez que restos de neandertais não adultos são escassos no registro arqueológico. Segundo os pesquisadores responsáveis pelo projeto, o corpo da criança foi encontrado cuidadosamente posicionado, com uma mandíbula de cervo sobre ele — possivelmente um indício de prática funerária simbólica. Crescimento acelerado A principal descoberta surgiu da comparação entre o desenvolvimento dentário e o crescimento ósseo. Os dentes de Amud 7 indicam que o bebê tinha cerca de seis meses de vida. No entanto, o desenvolvimento do esqueleto correspondia ao de uma criança humana moderna entre 12 e 14 meses. Tal discrepância revela que, embora os neandertais nascessem com proporções semelhantes às dos Homo sapiens, seu corpo se desenvolvia mais rapidamente nos primeiros anos de vida. No artigo, os autores destacam que, durante a primeira infância, o crescimento corporal dos neandertais superava o desenvolvimento dentário, ao contrário do que ocorre nos humanos modernos, nos quais ambos os processos são mais sincronizados. Amud 7 foi descoberto em uma caverna em Israel em 1992 Yoel Rak A hipótese mais aceita para explicar esse padrão envolve adaptação ambiental. Os neandertais habitaram regiões da Europa e da Ásia marcadas por longos períodos de frio intenso. Nesse contexto, crescer mais rapidamente poderia oferecer vantagens fisiológicas, como maior retenção de calor corporal. “Isso sugere uma estratégia evolutiva que enfatiza o desenvolvimento acelerado nos primeiros anos de vida, provavelmente vantajosa nos ambientes hostis habitados pelos neandertais”, escreveram os autores na pesquisa. Mudança de paradigma “Nossas descobertas mudam radicalmente nossa compreensão da infância dos neandertais”, aponta a anatomista Ella Been, coautora do estudo, em entrevista ao jornal El País. Segundo ela, a observação do mesmo padrão em outros fósseis infantis, incluindo indivíduos encontrados na Síria e na França, reforça que esse não é um caso isolado. “Observar o mesmo padrão em três bebês neandertais diferentes mostra que isso não é acidental.” Para além de revelar diferenças no ritmo de crescimento, o estudo também contribui para um debate mais amplo sobre a evolução humana. Neandertais e Homo sapiens compartilharam um ancestral comum há cerca de 600 mil anos, mas seguiram trajetórias evolutivas distintas. As novas evidências indicam que essas diferenças não se limitam à aparência adulta, mas começam já nos primeiros meses de vida. Outro ponto relevante é que muitas características típicas dos neandertais, como crânios maiores e corpos mais robustos, já estavam presentes desde cedo, sugerindo forte influência genética. Isso reforça a ideia de que tais traços não eram apenas respostas ao ambiente ao longo da vida, mas parte de um desenvolvimento biológico programado. Vale salientar que, apesar dos avanços propostos na pesquisa, os cientistas alertam que ainda são necessários mais estudos com amostras maiores para confirmar se esse padrão era universal entre os neandertais ou se variava conforme a região. Mesmo assim, o caso de Amud 7 já oferece uma nova janela para compreender como nossos parentes mais próximos cresceram.",
"title": "Crianças neandertais cresciam mais rápido do que humanos modernos, sugere estudo"
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