Aumento da temperatura eleva chance de desnutrição infantil, diz estudo
Galileu [Unofficial]
April 18, 2026
Um estudo realizado por cientistas brasileiros associa o aumento da temperatura ambiente a maiores chances de desnutrição infantil. Publicada na revista The Lancet, a pesquisa reuniu dados de 6 milhões de crianças, de 1 a 5 anos, coletados entre 2007 e 2017. “Temperaturas elevadas desencadeiam um efeito cascata: reduz o apetite, altera o metabolismo infantil, aumenta a chance de episódios agudos de diarreia; condição que prejudica diretamente a absorção de micronutrientes, afetando o estado nutricional das crianças”, aponta a coautora Priscila Ribas, em um comunicado da Fiocruz. Os dados provenientes de um coorte de 100 milhões de brasileiros indicam que o aumento de temperatura esteve associado a 10% mais chance de baixo peso, 8% mais chance para desnutrição aguda e 8% para desnutrição crônica. Em casos de baixo peso e desnutrição aguda, os efeitos da temperatura aparecem rapidamente, geralmente entre zero e três semanas após a exposição. Já a baixa estatura está relacionada à exposição contínua ao calor. “Embora alguns impactos agudos possam ser temporários, a exposição prolongada a temperaturas elevadas pode ter efeitos permanentes no desenvolvimento físico e cognitivo da criança”, ressalta Priscila. O estudo diz que meninos sofrem mais com problemas relativos ao crescimento, enquanto meninas têm mais prevalência de peso insuficiente e desnutrição. Do total de meninos analisados, 10,40% tiveram atraso no crescimento. Dentre as meninas, 4,22% estavam abaixo do peso e 5,90% apresentavam desnutrição aguda. Crianças indígenas são as que mais sofrem. Mais de 26% apresentavam atraso no crescimento e 6,72% estavam abaixo do peso. “Os impactos são desproporcionalmente maiores nas regiões Norte e Nordeste, em áreas rurais e entre crianças filhas de mães indígenas e pretas, evidenciando uma profunda vulnerabilidade socioambiental”, informa Priscila Ribas. E o impacto no metabolismo infantil não é a única preocupação dos cientistas. Mudanças climáticas também podem gerar escassez na oferta de alimentos, o que potencializa os problemas de nutrição. “O estudo oferece uma nova perspectiva sobre como as mudanças climáticas afetam crianças em países de renda média com alta desigualdade. A importância reside em identificar que o calor não é um risco universal e neutro; ele atua como um multiplicador de vulnerabilidades”, frisa Priscila.
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