Telescópio japonês flagra mudanças na composição do cometa 3i/ATLAS
Galileu [Unofficial]
April 15, 2026
O Telescópio Subaru, do Observatório Nacional do Japão, trouxe novas pistas sobre a natureza do misterioso objeto interestelar 3I/ATLAS. O corpo celeste, o terceiro de fora do nosso Sistema Solar a ser observado até hoje vagando por nossa vizinhança espacial, foi analisado em 7 de janeiro de 2026. À época, a rocha espacial tinha acabado de atingir o periélio (seu ponto de maior aproximação do Sol), em um momento considerado crítico para entender sua atividade. Liderada pelo astrônomo Yoshiharu Shinnaka, da Universidade Kyoto Sangyo, a equipe aplicou técnicas já consolidadas no estudo de cometas do Sistema Solar para investigar esse visitante vindo de fora dele. O trabalho foi aceito para publicação no The Astronomical Journal, mas já está disponível para consulta desde março na plataforma arxiv. A análise se concentrou na coma — a nuvem de gás que envolve o núcleo do cometa. Ao examinar as cores dessa região, os cientistas conseguiram estimar a proporção entre dióxido de carbono (CO₂) e água (H₂O), um dos principais indicadores da composição química do objeto. Mudança na razão de gases Os resultados revelaram uma diferença marcante em relação a observações anteriores feitas por telescópios espaciais antes do periélio. A razão CO₂/H₂O medida pelo Subaru é significativamente menor, indicando que a composição química da coma não permaneceu constante ao longo do tempo. Essa variação, segundo os pesquisadores, não é aleatória. Ela reflete mudanças físicas no próprio cometa à medida que ele se aquece ao se aproximar do Sol. Como o gás observado na coma se origina diretamente do núcleo, qualquer alteração nessa proporção fornece pistas sobre a estrutura interna do objeto. O estudo destaca que a mudança é consistente com a ideia de que a composição do interior do núcleo difere da do exterior. Isso sugere que diferentes camadas passaram a liberar material em momentos distintos durante o aquecimento solar. Implicações para sua formação A hipótese mais plausível é que o 3I/ATLAS possua uma composição estratificada. À medida que o calor solar penetra o núcleo, regiões mais profundas e potencialmente mais ricas em água começam a sublimar, alterando a assinatura química do cometa. Para Shinnaka, esse tipo de evidência abre novas perspectivas para a astronomia. “Com a operação em larga escala dos telescópios de levantamento nos próximos anos, espera-se que muitos mais objetos interestelares sejam descobertos”, afirma, em comunicado. “Ao aplicar as técnicas observacionais e analíticas que desenvolvemos por meio de estudos de cometas do sistema solar a objetos interestelares, agora podemos comparar diretamente cometas originários tanto de dentro quanto de fora do sistema solar e explorar as diferenças em sua composição e evolução.” O pesquisador enfatiza ainda o impacto mais amplo dessas descobertas: “Por meio do estudo desses objetos, esperamos obter uma compreensão mais profunda de como os planetas se formaram em uma ampla variedade de sistemas estelares, incluindo o nosso próprio Sistema Solar”. Ao revelar que a composição do 3I/ATLAS evolui com o tempo, as observações do Subaru reforçam a ideia de que objetos interestelares são arquivos dinâmicos de processos físicos e químicos que acontecem em outros sistemas planetários, e que ainda há muito a ser descoberto à medida que novas observações se acumulam.
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