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"publishedAt": "2026-04-11T16:00:35.000Z",
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"textContent": "\nUm estudo publicado na revista Science na última quinta-feira (9) publicou o primeiro estudo a quantificar o papel dessa prática na transmissão de patógenos no cenário global. O levantamento analisou 2.079 espécies de mamíferos comercializadas para alimentação, peles, pesquisa e medicina tradicional e pelo menos 41% delas carregam um agente causador de doenças humanas. A equipe de cientistas analisou mais de 40 anos de registros de três conjuntos de dados sobre o comércio de animais selvagens com um banco de dados de espécies com associações conhecidas a patógenos. A limitação quanto aos mamíferos foi estratégica: cerca de um quarto das espécies comercializadas correspondem a essa classe e seu histórico de transmissão de doenças é significativo. Por “comercialização”, os autores do artigo entendem não apenas as práticas ilegais. Afinal, até mesmo a venda de animais de estimação pode apresentar riscos à saúde humana. Diversas atividades, incluindo a captura, a criação, o armazenamento, o transporte, a comercialização e o uso final, criam oportunidades para a transmissão de agentes causadores de doenças e, por vezes, na ocorrência de surtos de doenças infecciosas, epidemias e pandemias. Consequências regionais ou mundiais “O que conseguimos calcular é que, a cada dez anos em que a espécie está no mercado de animais selvagens, ela compartilha um patógeno adicional com os humanos”, observou Jérôme Gippet, da Universidade de Friburgo (Suíça), que participou do estudo. Segundo o autor, esse cálculo foi feito a partir de modelos para prever o risco de disseminação de patógenos por meio de interações comerciais, levando em consideração circunstâncias como a história evolutiva das espécies e a proximidade dos animais às comunidades humanas. Outros fatores levados em consideração foram se os mamíferos eram consumidos como alimento e se eles não eram usados em pesquisas científicas. O comércio de animais selvagens é um dos principais fatores de transmissão de patógenos de animais para humanos, podendo resultar em epidemias e pandemias como a de Covid-19 Wikimedia Commons Os pesquisadores esperavam que os humanos tivessem maior probabilidade de entrar em contato com germes de animais com os quais interagiam de perto e com mais frequência. No entanto, “o que mostramos aqui é [que] não se trata realmente da espécie; trata-se mais dos humanos”, disse Gippet. O estudo, no fim, destaca a necessidade de melhorar a vigilância de doenças e a preparação para surtos, já que nem todos os patógenos zoonóticos com os quais os humanos entram em contato levam a pandemias e epidemias. Alguns agentes não prejudicam os humanos nem são capazes de transmitir de pessoa para pessoa. Mas há casos famosos que comprovam a relação direta na transmissão de doenças entre os mamíferos, mas o seu impacto a longo prazo permanece incerto. Entre vários surtos, os que ganharam maiores proporções e repercussões incluem o surgimento do HIV, a epidemia de Ebola na África Ocidental em 2014, o surto de varíola dos macacos na América do Norte em 2003 e, sobretudo, a pandemia de Covid-19. A preparação para possíveis surtos – já que colocar um fim definitivo à comercialização é quase impossível – envolve o aumento da vigilância epidemiológica global, o uso de modelos preditivos para determinar quais patógenos devem ser prioridade na pesquisa e a criação de planos de ação para quando possíveis surtos forem detectados. Os autores do estudo esperam que sua pesquisa inspire mais preparativos.",
"title": "Como o comércio de animais selvagens colabora para o aumento de doenças, segundo estudo"
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