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"publishedAt": "2026-04-11T18:00:34.000Z",
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"textContent": "\nUma evidência inédita de um fóssil de cerca de 250 milhões de anos sugere que ancestrais diretos dos mamíferos botavam ovos. A descoberta envolve o Lystrosaurus, um vertebrado herbívoro que se destacou por sobreviver e prosperar após a extinção em massa do Permiano-Triássico, o evento mais devastador da história da Terra. O estudo sobre o caso foi publicado nesta quinta-feira (9) na revista PLOS One. Enquanto inúmeras espécies desapareceram nesse período de colapso ambiental, marcado por calor extremo e secas prolongadas, o Lystrosaurus se tornou dominante em diversos ecossistemas. Agora, a identificação de um ovo contendo um embrião desse animal oferece uma resposta definitiva para uma questão que intrigava cientistas há décadas: os ancestrais dos mamíferos eram ovíparos? Tudo indica que sim. A pesquisa foi conduzida por uma equipe internacional e utilizando tomografia avançada com raios X de síncrotron para que os cientistas pudessem revelar detalhes microscópicos preservados ao longo de milhões de anos. O fóssil foi descoberto ainda em 2008 durante uma expedição de campo. Com o tempo, ficou evidente que o pequeno nódulo contendo fragmentos ósseos se tratava de um embrião de Lystrosaurus. A confirmação só foi possível anos depois, com o uso de tecnologia do European Synchrotron Radiation Facility (ESRF). Os exames revelaram uma pista crucial: a mandíbula do embrião ainda não havia se fundido completamente, indicando que o animal não seria capaz de se alimentar sozinho, um sinal de que ainda estava em estágio pré-eclosão. Segundo Julien Benoit, da Universidade de Witwatersrand (África do Sul), esse detalhe anatômico foi decisivo para concluir que o indivíduo morreu antes de sair do ovo, resolvendo um enigma que persistia desde a descoberta inicial do fóssil. Por que esse ovo é tão raro? Os pesquisadores sugerem que os ovos do Lystrosaurus possuíam casca mole, semelhante à de alguns répteis modernos. Diferentemente dos ovos mineralizados de dinossauros, que fossilizam com facilidade, os ovos de casca mole raramente se preservam ao longo do tempo. Isso é um dos porquês a descoberta é considerada excepcionalmente rara. Apesar de mais de um século de estudos sobre fósseis de vertebrados antigos, nenhum ovo de terapsídeo havia sido identificado com tanta clareza por causa dessas características. Ovo fossilizado de um Lystrosaurus, um mamífero antigo que sobreviveu à extinção em massa terrestre Julien Benoit A análise também mostrou que o Lystrosaurus produzia ovos relativamente grandes quando comparados ao tamanho do seu corpo. Em espécies atuais, esse padrão está associado a embriões com maior quantidade de gema, capazes de se desenvolver de forma mais independente. Isso indica que o antigo animal provavelmente não produzia leite – ao contrário dos mamíferos modernos – e que seus filhotes já nasciam em um estágio avançado de desenvolvimento. Esses jovens Lystrosaurus seriam capazes de se alimentar sozinhos, escapar de predadores e atingir rapidamente a maturidade reprodutiva. Outro detalhe importante é que ovos maiores oferecem maior resistência à dessecação, característica essa considerada uma vantagem crucial em um ambiente hostil e seco como o que se seguiu à extinção em massa dos seres vivos terrestres. Reconstrução do esqueleto do Lystrosaurus Julien Benoit Por que a descoberta importa? Os resultados sugerem que a estratégia reprodutiva do Lystrosaurus foi fundamental para seu sucesso evolutivo. Ao produzir filhotes precoces e investir em ovos ricos em nutrientes, a espécie conseguiu se adaptar rapidamente a condições ambientais extremas, tornando a espécie um dos vertebrados mais bem-sucedidos do período pós-extinção. Para os pesquisadores, o impacto da descoberta vai além da paleontologia. Ao revelar como estratégias reprodutivas influenciaram a sobrevivência em um dos momentos mais críticos da história do planeta, o estudo oferece pistas valiosas sobre como espécies podem reagir à mudanças ambientais drásticas. Jennifer Botha, também da Universidade de Witwatersrand, disse que o estudo representa um marco científico, uma vez que é a primeira evidência direta de postura de ovos em ancestrais dos mamíferos. Benoit a complementa e destaca que a descoberta permitiu desvendar como organismos do passado enfrentaram crises globais, o que ajuda a prever como a biodiversidade atual pode responder às transformações climáticas em curso.",
"title": "Fóssil de 250 milhões de anos pertence a ancestral de mamífero que botava ovos"
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