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Os locais mais prováveis para achar água na Lua, segundo este estudo

Galileu [Unofficial] April 7, 2026
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Uma equipe internacional de cientistas propõe uma mudança importante na forma como entendemos a presença de água na Lua. Em vez de ter chegado em um único evento catastrófico, como o impacto de um grande cometa, a pesquisa sugere que a água lunar pode ter se acumulado lentamente ao longo de bilhões de anos, moldando um cenário mais complexo e distribuído do que se imaginava. As conclusões foram publicadas nesta terça-feira (7) na revista Nature Astronomy. De acordo com os autores, o estudo ajuda a resolver um enigma que intriga a comunidade científica há décadas: por que algumas crateras lunares concentram gelo enquanto outras, aparentemente semelhantes, não apresentam sinais desse recurso? Observações anteriores de missões da Nasa já haviam indicado a existência de água congelada, especialmente em crateras profundas próximas ao Polo Sul lunar (regiões que permanecem em sombra permanente). No entanto, a origem e a distribuição desigual desse gelo permaneciam sem explicação clara. Múltiplas origens possíveis A nova pesquisa descarta a hipótese de um único evento de deposição massiva de água. Em vez disso, sugere um processo contínuo, ao longo de pelo menos 3 bilhões a 3,5 bilhões de anos. “Parece que as crateras mais antigas da Lua também são as que têm mais gelo”, afirma Paul Hayne, cientista planetário da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos, e coautor do artigo, em comunicado. “Isso implica que a Lua vem acumulando água de forma mais ou menos contínua.” Embora o estudo não determine exatamente de onde veio a água, ele aponta diversas fontes plausíveis. Entre elas estão antigas atividades vulcânicas lunares, impactos de cometas e asteroides e até mesmo o vento solar, um fluxo constante de partículas carregadas emitidas pelo Sol. Antes de dormir no quinto dia de voo, a tripulação da Artemis II tirou mais uma foto da Lua, que se aproximava pela janela da espaçonave Orion Nasa Segundo Hayneo, o hidrogênio trazido pelo vento solar pode reagir com o oxigênio presente na superfície lunar, formando moléculas de água. Esse processo, ainda que lento, pode ter contribuído significativamente ao longo de bilhões de anos. Independentemente da origem, os cientistas concordam que o gelo tende a se acumular nas chamadas “armadilhas frias” — crateras que permanecem permanentemente na sombra e não recebem luz solar direta há bilhões de anos. Essas condições extremas permitem que o gelo se preserve sem evaporar. Evolução da superfície lunar Para entender por que algumas crateras concentram mais gelo do que outras, os pesquisadores recorreram a simulações que reconstroem a evolução da superfície lunar. Utilizando dados do instrumento Diviner, a bordo da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), eles analisaram como a inclinação da Lua em relação à Terra mudou ao longo do tempo. Essa variação significa que nem todas as crateras atualmente sombreadas permaneceram assim ao longo da história. Algumas passaram por períodos de exposição solar, o que teria impedido o acúmulo de gelo. A partir dessas simulações, a equipe identificou regiões que permaneceram escuras por mais tempo e, portanto, tiveram mais oportunidade de acumular água congelada. Há uma forte correlação entre essas áreas e os sinais de gelo detectados na região. Entre os locais mais promissores está a cratera Haworth, próxima ao Polo Sul lunar. Segundo o estudo, ela pode estar na sombra há mais de 3 bilhões de anos, tornando-se uma das melhores candidatas para concentrar grandes porções de gelo. Tal descoberta tem implicações diretas para a exploração espacial. A água na Lua é considerada um recurso estratégico, já que, além de servir para consumo humano, pode ser decomposta em hidrogênio e oxigênio para a produção de combustível de foguetes. “Descobrir água além da Terra em forma líquida e utilizável é um dos desafios mais importantes da astronomia”, afirma Oded Aharonson, autor principal do estudo, também citado no comunicado. Próximos passos Apesar dos avanços do estudo, os cientistas destacam que ainda há muito a ser confirmado. A análise direta de amostras será essencial para determinar com precisão a origem da água lunar. Nesse contexto, novos instrumentos estão sendo desenvolvidos. Hayne trabalha atualmente no Sistema Compacto de Imagem Infravermelha Lunar (L-CIRiS), que a Nasa pretende enviar ao Polo Sul da Lua até o final de 2027. O seu objetivo é mapear com maior precisão a distribuição de gelo nas crateras, que ainda poderá ser melhor analisado a partir de coletas levadas à Terra.

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