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Raios em Júpiter são 100 vezes mais fortes do que na Terra, diz estudo

Galileu [Unofficial] April 7, 2026
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Júpiter é conhecido por ser um gigante gasoso dentro do nosso sistema solar. O planeta é dominado por tempestades colossais, como a Grande Mancha Vermelha, um gigantesco anticiclone que persiste há séculos e pode ser vista a partir da Terra. Mas qual diferença delas em comparação às nossas tempestades terrestres? Segundo um novo estudo, publicado em março na revista científica AGU Advances, os relâmpagos emitidos em Júpiter têm energia 100 vezes maior do que os da Terra, sendo potencialmente mais fortes. Observações fornecidas da missão Juno, da NASA, ajudaram os pesquisadores a entender a potência desses raios na turbulenta atmosfera do planeta gigante. Raios escondidos Grande Mancha Vermelha de Júpiter, região conhecida por sua instabilidade climática Divulgação/NASA Os raios de Júpiter já são bem conhecidos pela comunidade científica, porém estudá-los a fundo sempre foi um desafio. Missões anteriores à Juno detectavam clarões no lado escuro do planeta, mas foi o início de órbita da sonda em 2016 que permitiu recolher novas informações. A sonda Juno possui instrumentos para a captação de ondas de rádio que, apesar de não terem sido projetados para registrarem ondas liberadas pelos relâmpagos, podem ser usados para esse propósito de detectar emissões de micro-ondas vindas de tempestades próximas. A atmosfera caótica de Júpiter faz com que diferentes tempestades ocorram simultaneamente, dificultando determinar qual delas é a responsável por produzir determinado raio. Não ter a localização da tempestade também impede a determinação da potência dos raios. Em comunicado, Michael Wong, cientista do Laboratório de Ciências Espaciais da UC Berkeley e principal autor do estudo, faz uma analogia a ouvir uma série de estalos. A bagunça dos estalos não permite se o barulho corresponde a pipocas explodindo a poucos metros de distância ou fogos de artifício a quarteirão de quem ouve. Calmaria antes da tempestade Um período de sorte chegou em 2021 e 2022, quando uma calmaria nas tempestades atingiu a Faixa Equatorial Norte de Júpiter. Isso permitiu que os pesquisadores pudessem se concentrar em uma tempestade por vez, localizando-as através de imagens feitas pelo Telescópio Espacial Hubble, pela câmera da Juno e por imagens de astrônomos amadores. “Durante esse período, a sonda Juno sobrevoou 12 tempestades isoladas e, em quatro delas, chegou perto o suficiente para medir a estática de micro-ondas proveniente de raios. Os relâmpagos ocorreram, em média, três por segundo durante essas passagens”, informa o comunicado. Tempestade no hemisfério norte de Júpiter foi capturada pela sonda Juno da NASA durante seu nono sobrevoo próximo do gigante gasoso Divulgação/NASA No total, a sonda detectou 613 pulsos de radiação microondas, cuja potência variava de um raio terrestre a 100 vezes ou mais essa energia. Ainda assim, converter a potência de micro-ondas de um raio em potência total não é simples, de forma que os raios também provavelmente geram energia térmica, acústica e química. Leia mais notícias: Mais estudos são necessários para entender como a atmosfera do gigante gasoso – rica em hidrogênio – cria raios e suas principais diferenças com a atmosfera terrestre – rica em nitrogênio. Esses e outros fatores também podem influenciar na classificação quanto esses raios são poderosos. “É aqui que os detalhes começam a ficar interessantes, onde você pode se perguntar: 'Será que a principal diferença está nas atmosferas de hidrogênio versus nitrogênio, ou será que as tempestades são mais altas em Júpiter e, portanto, envolvem distâncias maiores?'”, indaga Wong.

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