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Como o degelo altera o solo da Antártida, segundo este estudo

Galileu [Unofficial] April 5, 2026
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O permafrost, camada de solo permanentemente congelada encontrada em vastas áreas do Ártico, tem funcionado por milênios como um importante reservatório de carbono. No entanto, um novo estudo publicado na revista científica Earth's Future, mostra novas evidências científicas que indicam que esse “cofre natural” pode estar se abrindo em ritmo acelerado. Pesquisadores da Universidade de Leeds, no Reino Unido, descobriram que o degelo do permafrost pode torná-lo entre 25 e 100 vezes mais permeável. Isso facilita a liberação de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e metano, antes aprisionados no solo. Um estoque climático O permafrost armazena cerca de 1,7 trilhão de toneladas de carbono, aproximadamente três vezes mais do que existe atualmente na atmosfera. Esse material é composto por restos orgânicos acumulados ao longo de milhares de anos e preservados pelo congelamento. Com o aumento das temperaturas globais, especialmente no Ártico, que aquece até quatro vezes mais rápido que o restante do planeta, esse estoque começa a se decompor, liberando gases que intensificam o efeito estufa. De acordo com o que disse, em comunicado, o professor Paul Glover, catedrático de Petrofísica na Escola de Ciências da Terra, do Meio Ambiente e da Sustentabilidade da Universidade de Leeds, que liderou a pesquisa, há projeções de que até 42% do permafrost da região circumpolar ártica desapareça até 2050. Para investigar o fenômeno, os cientistas realizaram experimentos no Laboratório de Petrofísica de Leeds. Amostras de permafrost foram aquecidas gradualmente, de -18 °C a +5 °C, enquanto os pesquisadores monitoravam a liberação e o fluxo de gases. Os resultados mostraram que a mudança mais significativa na permeabilidade ocorre entre -5 °C e 1 °C — faixa crítica em que o gelo começa a se transformar em água, alterando a estrutura do solo. Com isso, formam-se canais que facilitam a passagem dos gases, tornando sua liberação muito mais eficiente. Um ciclo preocupante O aumento da permeabilidade do permafrost pode desencadear um ciclo de retroalimentação climática. Isso provoca mais gases liberados levam a mais aquecimento, que por sua vez acelera ainda mais o degelo. “Estamos mais próximos de confirmar que o degelo do permafrost não apenas acompanha, mas também intensifica as mudanças climáticas”, afirma Glover. O estudo também aponta um possível risco adicional: a liberação de radônio, um gás radioativo associado ao desenvolvimento de câncer. Em regiões do norte do planeta, isso pode representar uma ameaça à existência de comunidades locais.

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