Toque humano pode deixar pintinhos mais felizes, diz estudo
Galileu [Unofficial]
April 1, 2026
É difícil encontrar alguém que não goste de um bom cafuné. Mais difícil ainda é encontrar um animal de estimação que não goste de afago. Filhotes de galinhas não parecem não ser exceção: pesquisadores da Universidade de Bristol (Reino Unido) descobriram que interações humanas delicadas não apenas previnem o medo em pintinhos, mas também desencadeiam emoções positivas. As primeiras interações humanas influenciam o comportamento dos animais de fazenda, também que a equipe de cientistas demonstrou que pintinhos recém-nascidos se beneficiam de interações humanas delicadas. O estudo foi publicado nesta segunda-feira (30) na revista Animal Welfare. As descobertas oferecem novas perspectivas sobre como o manuseio nos primeiros anos de vida afeta o bem-estar de animais jovens de fazenda. Como ainda não está claro se os animais realmente percebem o afeto, o estudo utilizou um teste de “preferência condicionada”, um método neurocientífico para explorar o que os animais lembram de experiências passadas. O princípio é simples: os animais devem desenvolver uma preferência por lugares onde se sentiram bem. Esse motivo explica o porquê de diversos especialistas em animais estarem cada vez mais inseridos nas dinâmicas que ocorrem em fazendas, sobretudo nas dedicadas a gerar animais para abate. Em comunicado, Benjamin Lecorps, da Universidade de Bristol, afirmou que “o estudo demonstra como o manuseio simples e calmo tem o potencial de transformar a relação humano-animal, de uma relação que induz medo para uma relação positiva”. Bem-estar animal Quando se trata de bem-estar em ambientes agrícolas, nem sempre a maneira como os humanos interagem com os animais é posta como foco da discussão. No entanto, estudos anteriores já tinham observado que as experiências iniciais das galinhas com os seus tratadores podem moldar tanto o seu comportamento quanto a sua produtividade. Aparelho de condicionamento de preferência de lugar, incluindo a presença humana neutra (a) e o manuseio delicado (b) Animal Welfare Não à toa, os resultados dessa pesquisa prévia revelaram que jovens frangos de corte apresentaram respostas reduzidas ao estresse durante o transporte quando foram manuseados com cuidado. Os pintinhos também parecem ser afetados negativamente pela suspensão e exposição ao ruído do transporte, o que levava a piores resultados fisiológicos. A partir dessas constatações, os pesquisadores treinaram vinte pintinhos domésticos em um ambiente com duas câmeras: uma onde eram manuseados com muita delicadeza por humanos que os acariciavam lentamente e falavam suavemente, e outra onde os humanos permaneciam neutros, em silêncio e imóveis. Após as sessões de condicionamento, os pintinhos foram testados novamente. A equipe observou que esses animais escolheram a câmara onde receberam os toques afetuosos, o que demonstrou uma associação positiva com essa experiência. Mas um fato curioso é que eles não evitaram completamente a câmara neutra, comportamento esse que os pesquisadores interpretam como um sinal de que os pintinhos foram genuinamente atraídos pelo ambiente de manipulação gentil. Os resultados do estudo destacam como os humanos podem desempenhar um papel significativo na formação das primeiras experiências afetivas dos animais. Tanto que pesquisas como esta são cruciais para entender o quão significativas podem ser as estratégias corretas de manejo animal nas fazendas. A equipe espera que suas descobertas ajudem a orientar futuras práticas de criação e estruturas de avaliação de bem-estar animal.
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