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"publishedAt": "2026-03-30T17:07:36.000Z",
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"textContent": "\nDurante a pandemia de Covid-19, João Marcos Almeida dos Santos, de 18 anos, passava horas imerso no celular, dividindo a atenção entre jogos, trends e o fluxo constante das redes sociais. O hábito começou a afetar seu sono, humor e relações pessoais — uma experiência que, mais tarde, motivaria o “Libélulas”, projeto voltado a repensar a forma como os jovens lidam com a internet. A proposta de João Marcos foi a vencedora do concurso “Bem na Rede: Competição para o Uso Saudável da Tecnologia”, que anunciou seus três ganhadores nesta segunda-feira (30), quando é celebrado o Dia Mundial da Juventude. Pela conquista, o jovem recebeu um prêmio de R$ 5 mil. O concurso reuniu jovens brasileiros de 16 a 20 anos para desenvolver intervenções digitais curtas voltadas à saúde mental e ao uso mais consciente da tecnologia. A iniciativa foi organizada pelo Juntô — Iniciativa Brasileira de Saúde Mental de Crianças e Adolescentes — em parceria com o Instituto Felipe Neto. “Muitas vezes, a capacidade de realização dos jovens é subestimada, mas este processo de seleção provou o contrário: quando recebem a oportunidade de criar, eles entregam excelência\", destaca Carolina Costa, gerente do Global Center no Brasil, uma das entidades que organiza o concurso. Saúde mental nas redes Na competição, os participantes foram desafiados a criar um site que seguisse o modelo da Intervenção de Sessão Única (SSI, na sigla em inglês). O portal deveria oferecer ao usuário uma experiência rápida e acessível que, em uma única sessão de 10 minutos, estimulasse a reflexão e mudanças práticas na relação com o ambiente digital. A proposta é incentivar mudanças concretas no comportamento e ampliar o cuidado com a saúde mental. A SSI é uma alternativa de apoio e cuidado para aqueles que não têm tempo ou condições financeiras de manter sessões de terapia a longo prazo. Apesar de não substituir a terapia contínua, a SSI é baseada em evidências e se mostra eficaz na promoção de alívio, reflexão e ação imediata diante de um problema específico de uma pessoa. Para desenvolver o projeto, os participantes do concurso não precisavam ter conhecimentos em ferramentas de programação. A ideia era usar a plataforma Curious, da organização sem fins lucrativos americana Child Mind Institute, para construir sites baseados em ferramentas simples, como formulários ou apresentações — onde era possível inserir perguntas e elementos audiovisuais como imagens e vídeos. “As propostas foram avaliadas tecnicamente por especialistas em Intervenções de Sessão Única e em experiência do usuário (UX) [experiência geral que um usuário tem ao interagir com um produto ou serviço], além de passarem pelo crivo de outros jovens que analisaram as chances de adoção do projeto pela juventude. A exigência por evidências científicas foi um diferencial, garantindo que os finalistas apresentassem estratégias sólidas”, afirma Costa. Os projetos foram desenvolvidos a partir da vivência dos próprios jovens no ambiente digital, abordando temas recorrentes da geração atual, como autoestima, regulação emocional, letramento midiático e limites no uso da internet. O voo das libélulas O projeto “Libélulas”, ideia vencedora, funciona como uma experiência interativa que conduz o usuário por uma série de 34 perguntas auto-reflexivas sobre sua relação com a internet. Ao longo do percurso, são abordados temas como comparação nas redes sociais, ansiedade e hábitos digitais, incentivando uma autoanálise sem julgamentos. Ao final, o site criado gera um relatório personalizado com base nas respostas, apontando padrões de comportamento e sugerindo um plano adaptado à rotina do usuário para tornar o uso da internet mais consciente. O autor explica que o nome faz referência ao fato de libélulas representarem “adaptabilidade, mudança e transformação”. Outro ponto central do projeto é o uso de metáforas para guiar a experiência do usuário. Durante o questionário, a plataforma utiliza referências como a de um “piloto”, para representar a capacidade de conduzir a própria trajetória no uso das redes, e a de “correntezas”, que simbolizam a sensação de ser levado pelo fluxo das redes sociais. “Eu escolhi tantas metáforas porque acredito que elas tornam a comunicação mais expressiva e ajudam a pessoa a se imaginar dentro da própria história, em diferentes ambientes e contextos da vida”, explicou, em entrevista à GALILEU. Além da vivência individual durante a pandemia de Covid-19, o jovem alagoano participa de outras iniciativas voltadas à saúde mental, o que influenciou diretamente na criação do projeto. João também relata ter presenciado conflitos em contextos escolares relacionados ao uso do celular, especialmente após restrições ao uso dos aparelhos em sala de aula. Para ele, os desafios de saúde mental entre jovens estão diretamente ligados à forma como a geração atual cresceu conectada. “A nossa geração foi uma das primeiras a crescer em um ambiente totalmente digital, o que intensificou questões como comparação, estresse e ansiedade.” Para ele, o problema vai além do tempo de tela. O uso intenso das redes costuma afetar a autoestima e o rendimento escolar, além de contribuir para sentimentos de frustração e tristeza. O autor do projeto observa que o comportamento pode levar até mesmo a quadros de nomofobia — sentimento de medo ou angústia causado pela ausência do celular. “Às vezes, você acaba não gostando de você mesmo, [acaba também] prejudicando seus estudos”, disse. Para saber mais sobre o projeto \"Libélulas\", acesse este link. Próximos passos Por já participar de iniciativas voltadas à educação e ao bem-estar emocional de jovens e fazer parte de uma organização internacional que promove campanhas sobre o tema, João afirmou que, após a conquista, pretende continuar atuando na área de saúde mental. Sobre o prêmio, o jovem conta que pretende investir no desenvolvimento do próprio projeto, além de utilizá-lo para os estudos e futuras iniciativas que gerem impacto. “Só de ter enviado [o projeto], acho que já tinha feito a diferença ao contribuir para um Brasil onde mais jovens se comprometam a usar o celular de forma mais segura, sem prejudicar a si mesmos nem as pessoas ao seu redor”, afirmou. Além do projeto \"Libélulas\", o concurso reconheceu também outras duas iniciativas. \"Troca de piloto: Saindo do Automático\", de Lindaiane Souza, jovem de 19 anos de Fortaleza (CE), ficou em segundo lugar e \"Transforme: Algoritmo: a chave para um sonho\", de Larissa Thomas Martins, estudante de 17 anos de São José dos Campos (SP) completou o pódio. Além do prêmio de R$ 5 mil para o campeão, as autoras das outras duas ideias receberão R$ 4 mil e R$ 3 mil, respectivamente.",
"title": "Jovem de Alagoas vence concurso com projeto sobre saúde mental e uso consciente das redes"
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