{
"$type": "site.standard.document",
"bskyPostRef": {
"cid": "bafyreiatvmaesb5uwrbgnmystxodsuzvksme4l6hiqa3jhfpdayk7dwele",
"uri": "at://did:plc:q5xux2nkhg7d6ywwbe36ocxq/app.bsky.feed.post/3mi4ketuytyt2"
},
"coverImage": {
"$type": "blob",
"ref": {
"$link": "bafkreicr6mruj34i6ifc6csxrrw2agmiihbayjkqtpffhhxaj2ozdnrybm"
},
"mimeType": "image/jpeg",
"size": 52701
},
"path": "/ciencia/noticia/2026/03/cientistas-flagram-nascimento-de-cachalote-em-video-pela-1a-vez-assista.ghtml",
"publishedAt": "2026-03-27T20:49:55.000Z",
"site": "https://revistagalileu.globo.com",
"tags": [
"galileu"
],
"textContent": "\nUm estudo publicado nesta quinta-feira (26), a revista Scientific Reports traz o primeiro registro em vídeo de um parto de uma baleia-cachalote (Physeter macrocephalus). A cena aconteceu no dia 8 de julho de 2023, e foi feito por Shane Gero, pesquisador da Universidade Carleton (Canadá). Ele e a sua equipe observaram o nascimento de um filhote em um grupo de 11 baleias – entre elas, a mãe, nomeada Rounder –, já estudadas e conhecidas pela equipe como “Unidade A”. Ao olhar para a água, ele percebeu que as baleias estavam se comportando de maneira estranha: normalmente, elas estariam dispersas para buscar alimento. No entanto, naquela manhã, 10 cachalotes estavam agrupadas ao redor da cachalote Rounder, que logo expeliu um jato escuro de sangue e começou a projetar a pequena cauda do seu filhote. Gero contou, em entrevista à National Geographic, que “todos os biólogos no barco ficaram eufóricos”. Equipados com drones aéreos, câmeras e dispositivos subaquáticos, os cientistas acompanharam a movimentação das baleias por quase seis horas. Durante 34 minutos, eles observaram o parto: desde o momento em que as nadadeiras caudais emergiram até o nascimento do filhote. No minuto seguinte, os adultos ergueram o recém-nascido para fora da água e o colocaram sobre a cabeça e as costas das fêmeas adultas, que se revezaram no decorrer das três horas seguintes para carregar o filhote. Confira no vídeo a seguir: Em 2024, os cientistas avistaram novamente a pequena baleia, cujo sexo ainda não foi identificado. Esse encontro sugere que o cachalote provavelmente chegará à idade adulta, uma vez que sobreviveu ao seu primeiro ano de vida, período considerado crítico para qualquer espécie marinha. O evento ofereceu um retrato detalhado do esforço colaborativo de uma família de cachalotes para cuidar de uma mãe e seu filhote. Trata-se da primeira evidência confirmada de uma espécie animal – além dos primatas – praticando um parto assistido. Todos por dois O nascimento de um novo membro da família parece ser tão significativo para as baleias-cachalotes quanto é para os seres humanos. Isso porque as famílias desses animais são compostas por avós, mães e filhas que vivem juntas por toda a vida, enquanto os machos deixam o grupo na adolescência, levando uma vida mais solitária. A assistência familiar a Rounder é ainda mais impressionante quando nos lembramos que dar à luz embaixo d’água é uma empreitada perigosa. Não à toa, do ponto de vista humano, as baleias nascem de costas, com a cauda emergindo primeiro, para evitar que se afoguem ao sair. Esse comportamento pode remontar a mais de 34 milhões de anos, período que corresponde à época do último ancestral comum das espécies de baleias dentadas. Além da emoção da descoberta – e do parto – Gero explicou o porquê do evento ser considerado tão raro de ser visto na natureza. \"Há apenas alguns casos isolados em que se presenciou o nascimento de uma baleia-cachalote, e muitos deles ocorreram durante a era da caça às baleias”. Agora, o momento não somente foi acompanhado, mas também registrado em vídeo. Para desvendar os papéis desempenhados por cada baleia antes, durante e depois do parto, a equipe analisou as imagens dos drones usando técnicas de machine learning. A tecnologia permitiu identificar padrões comportamentais desses animais na água. Entre os dados analisados, os pesquisadores incluíram a orientação dos corpos das baleias na água, a frequência das interações e o grau de coordenação dos movimentos. As imagens revelaram um conjunto complexo de interações. Uma das informações mais surpreendentes é que os cientistas conseguiram descobrir quais posições sociais eram ocupadas por cada baleia dentro do grupo. Segundo eles, essa relação pode ter ditado o papel desses animais no parto e nos cuidados posteriores. Uma das 11 cachalotes presentes no parto foi Allan, um macho jovem e tio do recém-nascido. A sua presença exemplificou bem como funcionam os papéis e as relações sociais com as fêmeas: ele passou um tempo sozinho nos meses anteriores ao nascimento, como é comum entre os machos dessa espécie. Nesse dia, porém, ele permaneceu com o grupo e até tentou se aproximar do filhote, mas as fêmeas mais velhas do grupo o afastaram. Uma \"coda\" vale mais do que mil palavras Ao longo do parto, a equipe também registrou sons – conhecidos como codas – emitidos pelas baleias. Os cetáceos, assim como as cachalotes, usam sequências estruturadas de “cliques” para se comunicarem. Esses sons, ainda não decifrados pelos pesquisadores, fazem parte de um alfabeto fonético da própria espécie. Escute no vídeo seguir: Pesquisas anteriores sugerem que as codas estão relacionadas à uma ampla identidade cultural a qual as cachalotes pertencem. Caso a suposição seja confirmada, os barulhos podem ser um fator que fortalece o vínculo social entre esses animais, principalmente durante o parto. Essa ideia é sustentada por detalhes que foram observados pela equipe, como mudanças nas vocalizações em eventos-chave durante o nascimento do filhote. No momento do parto, as baleias estalaram com mais frequência e mudaram o estilo de seus estalos, o que se assemelha a uma manifestação de alegria em relação ao parto, segundo os pesquisadores. A análise das vocalizações feita pela equipe, destacou que a comunicação pode construir relacionamentos fortes e de confiança entre os membros do grupo, o que possibilita o comportamento cooperativo mostrado durante o parto de Rounder. Gero observou que as cachalotes devem ter habilidades cognitivas e de comunicação muito avançadas, uma vez que “o cérebro delas realiza muito mais trabalho do que simplesmente dizer 'você é meu irmão', ou 'você tem o meu cheiro', ou 'você passa muito tempo comigo'”",
"title": "Cientistas flagram nascimento de cachalote em vídeo pela 1ª vez; assista"
}