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  "textContent": "\nPor décadas, Marte foi considerado um mundo essencialmente inerte, cuja atividade geológica teria cessado há bilhões de anos. Mas medições recentes estão obrigando cientistas a revisar esse diagnóstico. Dados coletados pela missão InSight, da Nasa, revelam que o planeta não apenas guarda segredos em seu interior, como também está girando progressivamente mais rápido. A descoberta veio à tona em 2023, quando pesquisadores analisaram informações do experimento RISE, instalado no seu módulo de pouso. Os resultados indicam que a rotação marciana está acelerando cerca de 4 milésimos de segundo de arco por ano, encurtando o dia no planeta em frações de milissegundo. Embora a variação seja minúscula, ela é mensurável e, até recentemente, inexplicável. Hipóteses iniciais incluíam o acúmulo de gelo nas calotas polares ou processos de rebote pós-glacial, fenômenos capazes de redistribuir massa e alterar a rotação de um planeta. A lógica é semelhante à de um patinador artístico que gira mais rápido ao recolher os braços: mudanças na distribuição de massa influenciam o momento de inércia. No entanto, um novo estudo, publicado no Journal of Geophysical Research: Planets no dia 18 de fevereiro, propõe uma explicação mais profunda — literalmente. Segundo os autores, a aceleração pode estar ligada a uma enorme anomalia no manto sob a região de Tharsis, uma vasta província vulcânica que abriga alguns dos maiores vulcões do Sistema Solar. Planeta mais ativo do que se pensava A região de Tharsis sempre intrigou os cientistas. Com cerca de 6 mil quilômetros de extensão, ela concentra estruturas gigantescas como o Monte Olimpo, o maior vulcão conhecido. Ao contrário da Terra, Marte não possui placas tectônicas ativas; assim, o magma tende a se acumular no mesmo local ao longo de milhões de anos, formando elevações colossais, como lembra o site Live Science. Simulações baseadas em dados sísmicos e gravitacionais agora sugerem que essa região pode estar assentada sobre uma “anomalia de massa negativa” — uma área do manto composta por material menos denso que o entorno. Essa estrutura, possivelmente uma pluma ascendente vinda do manto, estaria se deslocando lentamente em direção à superfície. Uma imagem composta, capturada pela sonda Viking, do Monte Olimpo em Marte, o vulcão e montanha mais altos do sistema solar Nasa Esse tipo de pluma funciona como uma corrente de material quente que sobe do interior do planeta. Ao atingir a litosfera, pode gerar bolsões de magma e até alimentar atividade vulcânica. Mais do que isso, ela ainda redistribui massa no interior do planeta. “Uma massa mais leve subindo implica que material mais denso está descendo”, explica o pesquisador Bart Root, da Universidade de Tecnologia de Delft, nos Países Baixos, e coautor do artigo. “Como essa redistribuição ocorre próxima ao equador, ela aproxima massa do eixo de rotação, acelerando o giro do planeta.” Gravidade fora do comum A hipótese ganha força ao ser combinada com décadas de medições gravitacionais. Desde as missões Mariner 9 e Viking 1, nos anos 1970, até orbitadores mais modernos, cientistas mapearam com precisão o campo gravitacional marciano. Esses dados revelaram anomalias significativas, como regiões onde a gravidade não corresponde ao esperado com base na topografia. Em Tharsis, essas discrepâncias são particularmente intensas, com áreas de gravidade positiva cercadas por anéis negativos. Como destaca o portal IFLScience, esse padrão sugere uma estrutura interna complexa, potencialmente sustentada por processos dinâmicos ainda ativos. Este mosaico de imagens digitais do planalto de Tharsis, em Marte, mostra o vulcão extinto Arsia Mons. Foi montado a partir de imagens capturadas pela sonda Viking 1 durante sua missão em Marte, entre 1976 e 1980 NASA/JPL/USGS Modelos computacionais apontam que uma anomalia localizada a cerca de 1.200 km de profundidade poderia explicar simultaneamente a topografia, o campo gravitacional e a aceleração da rotação. Em termos físicos, a redistribuição de massa altera o momento de inércia do planeta e, consequentemente, sua velocidade de rotação. Se confirmada, a hipótese tem implicações que vão além de Marte. Ela sugere que o planeta ainda retém calor interno suficiente para sustentar movimentos no manto — algo inesperado para um corpo relativamente pequeno, que deveria ter esfriado rapidamente ao longo de sua história. Isso levanta uma questão mais ampla: será que planetas rochosos menores permanecem geologicamente ativos por mais tempo do que se imaginava? Além disso, a possível existência de plumas do manto ativas aumenta a probabilidade de atividade vulcânica recente em Marte. Esse cenário pode influenciar desde a formação da superfície até a habitabilidade passada do planeta. O que ainda falta saber Apesar dos avanços, os próprios autores reconhecem que há incertezas importantes. A viscosidade do manto marciano, por exemplo, ainda é pouco conhecida, o que limita a precisão dos modelos. Novas missões focadas em medições gravitacionais e sísmicas seriam essenciais para confirmar a hipótese. Por ora, o que se sabe é que Marte está longe de ser um mundo estático. Sua rotação acelerada pode ser apenas a manifestação mais visível de processos profundos e ativos, que continuam moldando o planeta silenciosamente.",
  "title": "Marte está girando mais rápido. E astrônomos acreditam saber por quê"
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