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"textContent": "\nNo Brasil, casos de abuso e negligência contra a mulher acontecem inclusive em locais onde elas deveriam se sentir acolhidas – como os consultórios médicos e hospitais. E esses problemas não envolvem apenas a violência explícita: eles aparecem, de modo sutil, ainda nos diagnósticos e em atendimentos de saúde. A desigualdade no cuidado pode se manifestar desde em consultas de rotina, quando, por exemplo, a paciente não consegue falar e vê seu parceiro assumir a palavra. “Existem situações em que precisamos ter jogo de cintura para oferecer segurança e fazer uma triagem de risco dessa mulher”, explica o médico assistente Renan Nakamura, do Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher da Unicamp), em Campinas (SP),. “Muitas vezes, até perguntando se ela deseja estar sozinha comigo e com uma equipe da enfermagem”. “A dor da mulher quase sempre é minimizada. O corpo feminino ainda é tratado como objeto de intervenção, não como sujeito de escuta” Ele também chama atenção para a banalização de sintomas. “Eu já tive mais de uma paciente relatando que já passou em consulta várias vezes com queixas de cólica e que profissionais ou até familiares e colegas disseram: ‘é só uma cólica, é só no período menstrual, toma um remédio que isso melhora’”, conta Nakamura, que atua também na plataforma digital de saúde Doctoralia. “É invisibilizar uma queixa de uma condição que pode ser grave e que o tratamento e o controle podem ser muito simples”. A ginecologista e obstetra Taciana Fontes relata ter atendido diversas mulheres com sequelas emocionais e de violência sexual – entre elas, uma vítima do médico Roger Abdelmassih, condenado por estuprar 37 pacientes. Ela conta que chegou a presenciar, inclusive, uma mãe desqualificando o relato da própria filha sobre violência sexual. “A dor da mulher quase sempre é minimizada. O corpo feminino ainda é tratado como objeto de intervenção, não como sujeito de escuta”, reflete. Caroline Salazar, jornalista de 47 anos que sofria de endometriose, é outro exemplo desse tipo de apagamento. Desde a infância, sentia fadiga e dores no abdômen, na lombar e nas pernas. Após a primeira menstruação, as cólicas se tornaram tão intensas que faziam com que ela gritasse de dor durante exames ginecológicos de Papanicolau. Ainda assim, suas queixas eram sistematicamente minimizadas. “Eu escutava: ‘ah, mas você é fraca para dor’”, recorda. O diagnóstico correto só veio 18 anos depois. A jornalista e ativista Caroline Salazar, de 47 anos Arquivo pessoal Salazar nota que médicos ainda reforçam vários mitos sobre a endometriose, como o de que gravidez ou menopausa curariam a doença. Para ela, esse atraso não é exceção, mas sintoma de um modelo misógino que reduz a saúde feminina à reprodução – esfera que responde por cerca de apenas 5% do adoecimento das mulheres no mundo. A maior parte da carga de doença, na verdade, está ligada a cefaleias, depressão e doenças autoimunes (56%), ou a enfermidades que se manifestam de forma distinta nelas, como câncer de cólon e fibrilação atrial (43%), segundo dados do Instituto de saúde McKinsey. Diante da repetição de experiências médicas negativas, Salazar decidiu transformar a vivência individual em apoio coletivo. Líder no Brasil da EndoMarcha (Marcha Mundial pela Conscientização da Endometriose), ela foi fundamental para a elaboração da Lei 14.324/2022, que oficializou 13 de março como o dia nacional de luta contra a doença. No Instagram @aendoeeu, a jornalista construiu uma rede de mentoria para mulheres com essa e outras condições frequentemente menosprezadas nos consultórios. Negligência que mata Uma pesquisa de 2024 feita pelo Instituto de Saúde McKinsey junto ao FEM (Fórum Econômico Mundial) revela que a desigualdade de gênero na saúde resulta, todos os anos, na perda de cerca de 75 milhões de anos de vida das mulheres por doenças ou morte prematura – o equivalente a sete dias de vida saudável perdidos por mulher a cada ano no mundo. Embora procurem mais os serviços de saúde, elas passam, em média, nove anos a mais com a saúde debilitada do que os homens. Parte dessa diferença está na forma como as mulheres são atendidas. Diversos estudos indicam que elas recebem, por exemplo, menos analgésicos para dor abdominal no pronto-socorro, menos intervenções em doenças cardíacas – principal causa de morte feminina no mundo – e menos medicação para trombose durante internações. Em casos como a síndrome do intestino irritável, muitas saem com tranquilizantes e recomendações de estilo de vida, enquanto homens, normalmente, costumam ser encaminhados para exames de imagem. A disparidade aparece, inclusive, nos centros cirúrgicos. Um estudo publicado em 2022 na revista científica JAMA Surgery, que analisou mais de 1,3 milhão de pessoas atendidas por 2,9 mil cirurgiões em Ontário, no Canadá, mostrou que as pacientes mulheres operadas por homens tiveram maior risco de complicações e reinternação em até 30 dias. Os autores associam o resultado à possível subestimação da gravidade dos sintomas femininos, especialmente por médicos do sexo masculino. Para a psicóloga Marília Scabora, especialista em psicologia perinatal, parental e obstétrica, esse desequilíbrio tem raízes culturais profundas. “A misoginia adoece porque transforma a dor da mulher em exagero e o sofrimento em fraqueza”, afirma.“Vimos em propagandas de absorventes a mulher cavalgando, fazendo esportes e sendo superativa, o que é uma forma de dizer, ‘não escute suas particularidades, esses efeitos da menstruação são uma fraqueza’, finja que nada está acontecendo. Encha-se de medicamentos e siga a vida”. Os efeitos de uma abordagem clínica que ignora as mulheres extrapolam o consultório. Quase metade do adoecimento feminino no mundo (45%) ocorre durante os anos economicamente ativos. Estimativas apontam que corrigir a negligência histórica na saúde das mulheres poderia acrescentar cerca de US$ 1 trilhão por ano à economia global até 2040 – valor equivalente à entrada de 137 milhões de trabalhadoras em empregos de tempo integral. Ainda assim, o mercado de trabalho ainda reproduz a lógica da desigualdade, ao penalizar mulheres que desejam ser mães. Especialista em reprodução humana, a obstetra Taciana Fontes relata que passou a usar nos atestados um carimbo genérico, identificado apenas como “médica”, em vez de destacar a especialização em obstetrícia, para proteger pacientes de possíveis retaliações em seus empregos. “Quando a mulher fala de maternidade no ambiente profissional, o preconceito ainda é profundo”, afirma. Essa falta de apoio também se reflete em uma assistência precária à gestação, associada à mortalidade materna, que aumentou 94% no Brasil na pandemia de Covid-19. Em 2021, foram 107,53 mortes a cada 100 mil nascidos vivos; em 2024, o número caiu para 71,2, segundo o Ministério da Saúde. Apesar da redução, o país permanece distante da meta da OMS (Organização Mundial da Saúde), que prevê menos de 30 mortes por 100 mil nascidos vivos até 2030. “Os números estão voltando ao que estava na era pré-pandemia, mas ainda é uma área que necessita de atenção, não só dependente dos médicos e da equipe assistencial, mas de toda a estrutura de atendimento de saúde e encaminhamento dos casos de risco para centros de referência”, comenta Maria Celeste Osório, Presidente da Frebrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Violência na gestação Violência na gestação Davi Augusto Práticas violentas ou desumanizadas também seguem contribuindo para desfechos graves na gestação e no parto. Foi o que viveu, durante a juventude, a dona de casa Marta Noriko Nomura Takara, hoje com 56 anos. Grávida de cinco meses de uma menina, ela quase morreu após um ginecologista pressionar sua barriga com força excessiva durante uma consulta, provocando o rompimento da bolsa. “Ele [o médico] tinha até cara de deboche”, recorda Takara. “Estava meio que rindo. Falou: ‘Ah, vamos internar’. De forma tranquila. Não entrou em desespero”. Dois dias depois, ela passou por uma cirurgia para retirada do feto morto, mas restos de placenta foram deixados em seu útero. O erro resultou em uma hemorragia grave. Sem atendimento imediato, Marta tentou conter o sangramento com fraldas geriátricas até ser hospitalizada praticamente sem vida. Situações como essa representam o que movimentos pelos direitos das mulheres definem como violência ginecológica e obstétrica – práticas que vão da deslegitimação da dor e da ausência de informação e consentimento a intervenções invasivas ou sem indicação clínica clara. É o caso do uso indiscriminado de ocitocina para acelerar o parto ou ainda da episiotomia – corte entre a vagina e o ânus para ampliar a passagem do bebê. A prática em questão, que por muito tempo foi popular no Brasil, vem diminuindo. Há uma década, segundo dados da Fiocruz, o índice de realização da episiotomia no SUS era de 47%, mas caiu para 7% em 2025. Só que a violência ginecológica não se limita à gestação e ao parto. Também envolve atendimentos ao longo da vida. Foi o que aconteceu com Andressa Teixeira, de 37 anos, que convivia desde a adolescência com sangramentos menstruais intensos. Só após passar por cerca de 30 ginecologistas teve a causa identificada: mais de 60 miomas no útero. Andressa Teixeira, de 37 anos, descobriu mais de 60 miomas no útero após passar por cerca de 30 ginecologistas Arquivo pessoal Sem diagnóstico preciso nem orientação adequada, Teixeira precisou adaptar a própria rotina para lidar com as hemorragias. Tomava vários banhos por dia, forrava a cama com toalhas e passou a usar apenas roupas escuras, em uma tentativa de evitar constrangimentos. Nas consultas, foi submetida repetidamente ao gaslighting médico — forma de violência psicológica que desqualifica sintomas e faz a paciente duvidar de si mesma. “Eu duvidei da minha existência. Eu ia até os consultórios, mas sentia que não tinha direito de estar ali. Fui alvo de deboche de alguns médicos”, relata. Em busca de ajuda, a paciente viajou à Espanha, onde um médico renomado a diagnosticou, de forma equivocada, com adenomiose, condição em que o tecido que reveste o útero cresce para dentro da musculatura uterina. Só que, na realidade, ela sofria de miomatose, doença caracterizada por múltiplos miomas. A negligência custou à paciente R$ 500 mil em gastos médicos e expôs sua saúde a riscos graves, como uma gestação que durou apenas 15 dias. “Eu tive uma gravidez que poderia ter resultado na minha morte de tanto que eu sangrei”, conta. “Não havia onde o embrião se fixar no meu útero. Poderia ter sido trágico. Eu sobrevivi, mas nunca deveria ter engravidado. Eu precisava ter sido orientada.” Falta de inclusão A oficialização do termo violência ginecológica e obstétrica ainda é alvo de disputa. Em 2019, o Ministério da Saúde reconheceu o direito das mulheres de utilizá-lo, mas optou por não incorporá-lo oficialmente às políticas públicas. A Febrasgo, por sua vez, defende expressões mais amplas, como “violência contra a mulher nos atendimentos de saúde”, a fim de evitar a estigmatização de profissionais e por deixar de fora problemas estruturais. “Quando eu digo que uma episiotomia [corte no períneo para ampliar a abertura no parto vaginal] e uma cesárea é sempre uma violência obstétrica, numa situação de emergência, isso pode prejudicar a própria paciente”, argumenta Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, Diretora de Defesa e Valorização Profissional da Febrasgo. “Além disso, esse termo não contempla um aspecto importantíssimo, que é a violência institucional: a falta de recursos humanos, como UTI neonatal, UTI materna, sangue e possibilidade de exames. Entidades de direitos das mulheres discordam. Para a obstetriz Ellen Vieira, do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, a resistência em nomear a violência dificulta combatê-la. “É muito simplista falar que a episiotomia às vezes é necessária. Se o médico fala isso, é tipo ‘Deus falou, então está dito’. Não é bem assim”, afirma. “Os médicos se unem e se defendem. Não querem admitir que existe, sim, violência contra as mulheres no processo reprodutivo. E não só no parto, mas também no pré-natal, no aborto e no puerpério [pós-parto]”. Vieira relata já ter acolhido mulheres que sofreram abuso sexual dentro do próprio casamento ou relacionamento. Quando a violência resulta em gravidez, o coletivo orienta e encaminha, se essa for a decisão da paciente, para serviços de aborto legal. “Muitas mulheres relatam que abortaram sem contar para ninguém. É muito triste e solitário. E também inseguro, porque [na clandestinidade] a mulher corre risco de saúde”, afirma. A gente acaba recebendo rótulos e se fechando em uma casinha imaginária, tentando ser a Barbie, aquela boneca perfeita para a sociedade” A obstetriz também chama atenção para questões envolvendo etnia e orientação sexual. Segundo ela, práticas violentas e misóginas atingem de forma ainda mais intensa mulheres negras e LBTIA+. “O coletivo atende muitas lésbicas que estão há anos sem fazer consultas e exames preventivos porque estão traumatizadas de terem sido hostilizadas. Antes de o profissional perguntar qual é a orientação sexual da pessoa ou sua prática sexual, já prescreve anticoncepcional hormonal, por exemplo”, conta. Outros exemplos incluem mulheres cis que optam por deixar seus pelos crescerem e são julgadas por isso; e homens trans com ou sem vulva que têm receio de serem chamados com os pronomes e nomes errados. A situação não é incomum: uma pesquisa publicada este ano pela Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) estimou que 94% da população trans e travesti já sofreu violência ou discriminação no atendimento à saúde. Outra minoria que também tem sua saúde prejudicada pelas convenções da misoginia são as mulheres com deficiências e neurodivergência. A escritora Jo Melo, de 37 anos, é autista e tem TDAH, e passou anos sendo medicada para transtorno bipolar até receber o diagnóstico correto. Depois disso, notou que o atendimento mudou: passou a ser infantilizada em consultas, teve suas queixas desacreditadas e, em certa ocasião, foi ignorada pelo médico em favor da fala do namorado que a acompanhava. Mesmo após apresentar um laudo confirmando o diagnóstico, ouviu de um profissional da saúde que seu autismo não passava de “uma ansiedadezinha”. Initial plugin text Em duas ocasiões diferentes com psiquiatras, Melo foi alvo de comentários sexistas. Na primeira, após desabafar que sofria de baixa autoestima, ouviu do médico que não deveria se preocupar, pois “homem gosta de mulher feia porque dá menos trabalho”. Na segunda, ela relatava dificuldade para engolir comprimidos – um sintoma comum no TEA, chamado de disfagia. A resposta foi sugestiva, e amparada no machismo: “Ah, tem problema só para engolir comprimido, né?”. Os desafios das mulheres com TEA são diferentes dos que têm os homens com a mesma condição. Por serem alvo de um maior número de estudos científicos, eles têm até quatro vezes mais probabilidade de serem diagnosticados, enquanto elas tendem a mascarar mais seus incômodos devido ao machismo e às pressões sociais. “A gente acaba recebendo rótulos e se fechando em uma casinha imaginária, tentando ser a Barbie, aquela boneca perfeita para a sociedade, mas vai tendo crises no ‘off’”, diz. Esgotadas e culpadas Outro ponto precisa entrar na conta: o próprio adoecimento de mulheres, que motiva muitas vezes sua procura por serviços de saúde, é fruto também de um cenário grave de esgotamento. Uma pesquisa de 2023 do Laboratório Think Olga, feita com mais de mil brasileiras – 42% mães solo e 36% cuidadoras demonstra que os seus principais sentimentos no cotidiano são ansiedade, estresse e irritabilidade. No livro As Mulheres Estão com Raiva (Cultrix, 2025), a psicoterapeuta Jennifer Cox explica que essa sobrecarga não desaparece – 17 ela se transforma. “Nossa raiva não se apresenta de maneira clara. Tem disfarces psicológicos, como ataques de pânico e TOC, e fisiológicos, como dor crônica, enxaqueca ou fadiga. É raiva mal direcionada”, escreve. Sem reconhecimento, a irritação, segundo a autora, frequentemente se converte em culpa. Nos consultórios, essa lógica é bem comum, e explica por que tantas vítimas se sentem culpadas. Foi o que viveu a empresária Natália Teixeira, 41, sobrevivente de uma bioplastia glútea com silicone industrial. Em vez de acolhimento, ela conta que enfrentou julgamentos de médicos e pessoas próximas. “A mensagem implícita era clara: eu teria assumido o risco. Esse tipo de culpabilização é profundamente violenta porque transfere falhas estruturais do sistema para a vítima e silencia denúncias que poderiam evitar novos casos”. Aos 39 anos e prestes a se casar, Natália foi convencida, junto a outras dezenas de mulheres, a fazer o “Protocolo TX-8”, vendido como “simples e seguro”. As complicações começaram já na lua de mel: uma infecção bacteriana, 13 internações – seis em UTI – e, mais tarde, o uso prolongado de corticoides, que a levou a engordar 55 kg e contrair diabetes, hipertensão, problemas articulares e visuais. Essas marcas não são exceção. Aparecem com diferentes intensidades na minha história e na de muitas mulheres que passaram por procedimentos semelhantes O biomédico responsável pelo procedimento foi preso preventivamente por investigação de exercício ilegal da profissão em 2023, mas responde em liberdade. O laudo do óbito da ex-esposa do profissional de saúde, analisado pelo jornal Metrópoles, indica que ela morreu em 2018 após aplicação de Synthol – substância para fins estéticos que também foi utilizada em outras pacientes. Initial plugin text O caso não é isolado. O Brasil lidera o ranking mundial de cirurgias plásticas. Dentro desse cenário, chama a atenção o avanço de procedimentos íntimos como a ninfoplastia, cirurgia que remodela os pequenos lábios vaginais: de 2023 para 2024, o número dessas operações em brasileiras passou de 28 mil para 29 mil, de acordo com a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética. Nas redes sociais, muitas mulheres relatam recorrer a empréstimos e parcelamentos para financiar outros procedimentos associados a padrões de desejo masculinos, como mamoplastia, lipoaspiração e abdominoplastia. Os custos variam de R$ 2 mil a mais de R$ 100 mil. “Eu tenho medo constante de novas complicações e uma sensação contínua de vulnerabilidade”, relata Natália, que ainda convive com dores intensas causadas por nódulos inflamatórios, além de crises de ansiedade e pânico. “Essas marcas não são exceção. Aparecem com diferentes intensidades na minha história e na de muitas mulheres que passam por procedimentos semelhantes. Essa é a parte mais triste de tudo isso: é saber que não sou a única”.",
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