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Esmalte condutor vai facilitar a vida de quem usa touchscreen com unhas compridas

Galileu [Unofficial] March 25, 2026
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Unhas compridas e estilizadas chamam a atenção no look, mas também podem ser um empecilho para algumas tarefas diárias, como mexer em tablets e celulares. Mas uma invenção pode ajudar a resolver esse problema. Pesquisadores do Centenary College da Louisiana, nos EUA, desenvolveram um “esmalte” transparente que deixa as unhas compatíveis com telas sensíveis ao toque. A invenção vem da estudante Manasi Desai, aluna de graduação na instituição e interessada por química cosmética. Junto ao seu orientador de pesquisa, Joshua Lawrence, a jovem buscou desenvolver um projeto que ajudasse pessoas usuárias de smartphones e com unhas compridas. Protótipos do projeto foram apresentados em 23 março durante reunião da Sociedade Americana de Química (ACS), em Atlanta, nos EUA. O vídeo abaixo mostra a invenção de Desai sendo usada em telas de smartphones e as explicações químicas para o funcionamento do material: Em busca de um esmalte condutor Para entender a invenção de Desai, primeiro é preciso saber sobre o funcionamento das telas touchscreen. A maioria delas são conhecidas como telas capacitivas, que utilizam a condutividade elétrica do corpo humano para funcionar. Um comunicado da ACS explica que as telas possuem um pequeno campo elétrico, permitindo que materiais condutores interrompam esse campo ao tocarem em suas superfícies. Quando um dedo ou uma gota d’água toca a tela, a superfície altera sua capacitância e o dispositivo interpreta a mudança como um comando de toque. Agora, quando um material não condutor – como uma unha ou uma borracha de lápis – toca a tela, a capacitância não se altera e o toque não é registrado. Para que unhas causem sensibilidade ao toque, é preciso que elas tenham uma carga elétrica. Incorporar partículas metálicas nos esmaltes não é uma solução, já que trata-se de substâncias perigosas se inaladas e alteram significativamente as possíveis cores que o esmalte pode ter. Desai, então, tentou encontrar a combinação perfeita de transparência e condutividade sem utilizar compostos tóxicos para humanos. Ela usou 13 esmaltes transparentes e mais de 50 aditivos para testar combinações que gerassem uma camada de acabamento para unhas com propriedade condutora. Combinações de compostos resultaram em diferentes versões de esmalte com vantagens e desvantagens em aspectos como condutividade, toxicidade e transparência Manasi Desai/ACS Fórmula promissora Entre as tentativas de mais sucesso, estavam as amostras contendo moléculas orgânicas de taurina – produzida pelo próprio corpo e comumente vendida como suplemento alimentar – e de etanolamina. Enquanto a etanolamina trouxe a condutividade e um pouco de toxicidade, a taurina foi modificada para ser atóxica, porém acabou adquirindo uma tonalidade ligeiramente opaca. Foi a combinação das duas substâncias que criou uma fórmula capaz de registrar o toque em uma tela de smartphone. Leia mais notícias: “Nosso esmalte transparente final pode ser aplicado sobre qualquer manicure ou mesmo sobre unhas sem esmalte, o que também pode ajudar pessoas com calosidades nas pontas dos dedos. Assim, ele oferece benefícios tanto estéticos quanto para o estilo de vida”, diz Desai, em comunicado. Apesar do passo promissor, o esmalte condutor ainda não se trata de um produto comercialmente viável. A equipe explica que o desempenho da fórmula etanolamina-taurina não é totalmente estável, funcionando apenas por algumas horas e apresentando certo nível de toxicidade pela etanolamina. Mesmo assim, é uma direção na testagem de outros compostos que pode levar a novas combinações com melhores desempenhos.

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