UNICEF lança dados sobre abuso sexual de adolescentes brasileiros na internet
Galileu [Unofficial]
March 21, 2026
“No Brasil, em apenas um ano, uma a cada cinco crianças e adolescentes de 12 a 17 anos (19%) foi vítima de exploração e/ou abuso sexual facilitados pela tecnologia. Isso representa cerca de 3 milhões de meninas e meninos vítimas de violência sexual online”, destaca uma pesquisa recém lançada sobre o tema. O relatório fala especificamente sobre a realidade brasileira e conta com mais de 90 páginas. Foi elaborado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) junto com a ECPAT Internacional e a Interpol, e financiado pela instituição Safe Online. A UNICEF explica que abuso e exploração sexual facilitados pela tecnologia são situações em que tecnologias digitais são usadas em algum momento do crime – seja para aliciar, extorquir, produzir, armazenar ou disseminar material de abuso. Podem ocorrer exclusivamente no ambiente virtual ou de maneira híbrida. A pesquisa diz que, em 49% dos casos, o agressor é alguém que a vítima já conhece. “Em 26% das situações, o agressor era uma pessoa desconhecida, e outros 25% não conseguiram ou não quiseram identificar quem cometeu o crime — esse cenário mostra as barreiras para a denúncia, especialmente quando o abuso envolve alguém do convívio da criança ou do adolescente”, aponta um comunicado da UNICEF sobre o tema. E mais: em 34% dos casos, as vítimas não contaram a ninguém sobre a violência. A comunicação entre o agressor e a vítima envolveu o uso de canais online em 66% dos casos. Instagram e WhatsApp são as ferramentas mais comuns, mas jogos online também são citados. A exposição a conteúdo sexual não solicitado aparece como a forma mais comum de violência – atingindo 14% das crianças e adolescentes entrevistados. “A pesquisa Disrupting Harm in Brazil revela que as tecnologias digitais não estão necessariamente criando formas totalmente novas de violência. Em vez disso, elas muitas vezes facilitam e ampliam formas já existentes de exploração e abuso. O relatório pede uma ação coordenada entre governo, setor privado, escolas, famílias e comunidades para que todas as crianças no Brasil possam crescer livres da violência, tanto online quanto presencialmente”, declara Marium Saeed, pesquisador do UNICEF, em um comunicado da instituição. Para Andrea Varrella, chefe do Programa Justiça e Direitos da Criança da ECPAT International, o Brasil conta com uma legislação sólida para lidar com casos dessa natureza. “O que a pesquisa revela são lacunas na forma como a lei é implementada. Esperamos que essas evidências criem uma oportunidade para reduzir essa distância, para que cada criança receba a resposta coordenada, centrada na criança, e a justiça que a lei sempre pretendeu”, complementa.
Discussion in the ATmosphere