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"publishedAt": "2026-03-18T22:42:38.000Z",
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"textContent": "\nUm relatório inédito feito por pesquisadores da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, traz um alerta sobre os riscos associados a brinquedos com inteligência artificial (IA) que \"conversam\" com crianças pequenas. O estudo, publicado no dia 20 de fevereiro, argumenta que esses dispositivos ainda carecem de padrões robustos de segurança e exigem regulamentação mais rigorosa. O documento faz parte do projeto \"AI in the Early Years\", considerado o primeiro esforço sistemático para investigar como brinquedos com IA influenciam crianças de até cinco anos, uma fase crítica para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional. A pesquisa foi conduzida por especialistas da área de Educação, e se baseia em observações diretas e entrevistas com crianças, pais e profissionais da área. Promessas educacionais versus riscos emocionais Embora parte dos educadores reconheça o potencial desses brinquedos para estimular linguagem e comunicação, os resultados mostram limitações importantes. Os sistemas frequentemente falham em interpretar emoções, responder adequadamente a interações afetivas e participar de brincadeiras sociais — elementos essenciais na infância. Um exemplo citado no relatório descreve a resposta de um brinquedo a uma criança de cinco anos que disse “eu te amo”. Em vez de reciprocidade ou acolhimento, o dispositivo respondeu com uma mensagem técnica e impessoal. Em outro caso, ao ouvir “estou triste”, o brinquedo ignorou o conteúdo emocional e redirecionou a conversa. Para os especialistas, isso pode transmitir à criança que seus sentimentos não são relevantes. A pesquisadora Emily Goodacre destaca, em comunicado, que essas interações podem ter efeitos indiretos preocupantes: “Crianças podem começar a compartilhar sentimentos com o brinquedo em vez de com adultos. Se a resposta for inadequada, elas ficam sem apoio emocional, tanto do brinquedo quanto de uma pessoa real”. Vínculos artificiais O estudo também identificou a formação de vínculos afetivos intensos. Durante os testes, crianças abraçaram, beijaram e declararam amor ao brinquedo, um fenômeno que levanta preocupações sobre relações “parassociais”, nas quais o afeto não é correspondido de forma genuína. Para alguns especialistas ouvidos, isso pode gerar confusão emocional. “As crianças podem acreditar que o brinquedo as ama de volta, mas não ama”, resume uma das profissionais ouvidas pela pesquisa. A coautora Jenny Gibson reforça que a ausência de normas claras contribui para a desconfiança. “Há um sentimento recorrente de que empresas de tecnologia não farão o necessário sem regulação. Regras robustas aumentariam significativamente a confiança”, observa ela. Outro ponto crítico envolve a coleta e o armazenamento de dados. Pais relataram preocupação com as informações captadas durante as interações, muitas vezes sensíveis, e com a falta de transparência das políticas de privacidade. Ao selecionar um brinquedo para o estudo, os próprios pesquisadores encontraram dificuldades para entender como os dados eram tratados. Isso evidencia um cenário grave de opacidade no setor. Recomendações Entre as principais recomendações do estudo estão: Criação de normas específicas para brinquedos com IA; Limitação de interações que incentivem vínculos emocionais profundos; Políticas de privacidade mais transparentes; Testes obrigatórios com crianças antes do lançamento; e Participação de especialistas em proteção infantil no desenvolvimento. Para os pais, a orientação é pesquisar antes de comprar, acompanhar o uso e manter os brinquedos em ambientes compartilhados da casa. “A inteligência artificial está transformando a infância, mas ainda estamos começando a entender seus impactos. A regulamentação precisa acompanhar essa evolução para garantir proteção e equidade”, conclui Josephine McCartney, diretora executiva da The Childhood Trust, a organização beneficente que encomendou a pesquisa.",
"title": "Brinquedos com IA ainda não têm regras de segurança efetivas para crianças, dizem especialistas"
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