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  "textContent": "\nUm novo estudo publicado na revista Science em 26 de fevereiro identificou um mecanismo celular que ajuda a explicar por que os humanos são ativos durante o dia e não à noite. A pesquisa mostra que um tipo de “interruptor celular” influencia o momento do dia em que as células realizam certas atividades biológicas, o que pode determinar se uma espécie é diurna ou noturna. De acordo com os pesquisadores, durante a era dos dinossauros, os primeiros mamíferos eram, em sua maioria, noturnos. Essa característica permitia que os animais evitassem predadores e competissem menos por recursos durante o dia. Entretanto, após a extinção dos dinossauros, algumas linhagens de mamíferos passaram a desenvolver padrões de atividades diurnos. Isso foi considerado um mistério para cientistas, que buscavam entender quais mecanismos biológicos permitiram essa mudança. O estudo, liderado por pesquisadores do Laboratório de Biologia Molecular do Conselho de Pesquisa Médica (MRC), na Inglaterra, mostrou que essa diferença entre animais diurnos e noturnos está relacionada à forma como as células do corpo respondem a mudanças internas que ocorrem ao longo do dia, como variações de temperatura corporal e equilíbrio de fluidos no organismo. Nos mamíferos diurnos e noturnos, as células respondem de maneiras opostas a esses sinais, criando um mecanismo que funciona como um “interruptor molecular” que define quando o organismo estará mais ativo. De acordo com comunicado, os pesquisadores identificaram dois sistemas importantes dentro das células que estão envolvidas nesse processo: mTOR (alvo mecanístico da rapamicina, em português) e WNK (quinase sem lisina). Esses sistemas controlam funções fundamentais das células, como o metabolismo e a produção de proteínas. A pesquisa indica que dependendo de como esses sistemas funcionam, o organismo tende a se comportar de forma mais ativa durante o dia ou durante a noite. Testes com camundongos Para testar essa hipótese, os pesquisadores realizaram experimentos com camundongos, animais que normalmente apresentam comportamento noturno. Quando reduziram a atividade do sistema mTOR nas células desses animais, eles passaram a apresentar comportamentos mais semelhantes ao de outros mamíferos diurnos, deslocando suas atividades para o dia. Em seguida, os pesquisadores buscaram contextualizar a descoberta dentro da evolução dos mamíferos. Ao analisar dados genéticos de diversas espécies, o coautor do estudo Matthew Christmas, da Universidade de Uppsala, na Suécia, identificou que os genes responsáveis por regular as vias celulares mTOR e WNK evoluíram mais rapidamente em mamíferos diurnos. Esse resultado sugere que mudanças nesses mecanismos celulares podem ter contribuído para a evolução dos padrões de atividade diurnos em alguns mamíferos. Segundo os pesquisadores, a descoberta ajuda a explicar um dos eventos evolutivos mais importantes da história dos mamíferos: a transição de um estilo de vida predominantemente noturno para padrões diurnos em algumas espécies, como os seres humanos. Além disso, os resultados podem contribuir para pesquisas em medicina circadiana — área que investiga como os horários do dia influenciam o funcionamento do organismo e a eficácia de tratamentos médicos. Os cientistas também apontam que fatores ambientais, como temperatura e disponibilidade de alimento, influenciam esses mecanismos biológicos. Com mudanças climáticas alterando essas condições, é possível que alguns mamíferos modifiquem o horário em que são ativos, o que pode afetar o equilíbrio dos ecossistemas.",
  "title": "O interruptor nas células que explica por que os humanos não são noturnos"
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