{
"$type": "site.standard.document",
"bskyPostRef": {
"cid": "bafyreiclewwhw5q7ykkqigbfqgiqyh33tytg4ix6ag6e4jmn7rputlea5m",
"uri": "at://did:plc:q5xux2nkhg7d6ywwbe36ocxq/app.bsky.feed.post/3mgyhvmhe5er2"
},
"coverImage": {
"$type": "blob",
"ref": {
"$link": "bafkreiefypwnq7sdv7ia3d6sqbpp3l427kqmyt5rspapz43mighwdjiskq"
},
"mimeType": "image/jpeg",
"size": 969359
},
"path": "/sociedade/comportamento/noticia/2026/03/ser-multitarefa-e-impossivel-para-o-cerebro-humano-conclui-estudo.ghtml",
"publishedAt": "2026-03-13T14:25:44.000Z",
"site": "https://revistagalileu.globo.com",
"tags": [
"galileu"
],
"textContent": "\nSe você já tentou mexer no celular enquanto escovava os dentes, deve ter percebido que é uma tarefa complicada. Isso acontece porque o cérebro humano não consegue verdadeiramente executar duas tarefas simultâneas. Pesquisadores da Universidade Martin Luther de Halle-Wittenberg (MLU), na Alemanha, descobriram que, na verdade, essa sensação de \"multitarefa\" provavelmente é apenas uma ilusão cerebral. O estudo, divulgado na quarta-feira (11), foi publicado no periódico Quarterly Journal of Experimental Psychology. Os resultados mostram que até mesmo pequenas mudanças em tarefas aparentemente dominadas podem afetar significativamente a rapidez e a precisão com que conseguimos executá-las ao mesmo tempo. Para investigar o fenômeno da \"multitarefa\", os cientistas realizaram três experimentos nos quais voluntários precisavam lidar com tarefas sensoriais simultaneamente. Testando a \"multitarefa\" Em um dos experimentos, os participantes deveriam indicar com a mão direita o tamanho de um círculo que aparecia brevemente em uma tela. Ao mesmo tempo, precisavam ouvir um som reproduzido nos fones de ouvido e dizer em voz alta se ele era agudo, médio ou grave. Enquanto realizavam os testes, a velocidade com que as tarefas eram concluídas e o número de erros cometidos foram registrados. Durante doze dias os experimentos e os registros foram repetidos para que os cientistas pudessem avaliar se a prática poderia melhorar o desempenho. Com o passar do tempo, os voluntários realmente ficaram mais rápidos e cometeram menos erros. Resultados semelhantes já haviam sido observados em pesquisas anteriores, levando alguns cientistas a sugerirem que os chamados custos da dupla tarefa – isto é, a perda de desempenho quando duas atividades são feitas ao mesmo tempo – poderiam praticamente desaparecer após treinamento intenso. Pequenas mudanças em atividades simultâneas já aumentam erros e diminuem a velocidade, revelando por que a multitarefa pode ser arriscada no dia a dia Flickr Por anos, esse fenômeno foi interpretado como uma evidência de que o cérebro seria capaz de realizar múltiplas tarefas paralelas. “Este fenômeno, conhecido como compartilhamento de tempo virtualmente perfeito, tem sido considerado há muito tempo como evidência de verdadeiro processamento paralelo no cérebro e prova de que nosso cérebro é capaz de realizar multitarefas ilimitadas. Os resultados do nosso estudo contradizem claramente essa suposição”, afirma Torsten Schubert, da MLU, em comunicado. Mesmo após muito treinamento, a análise dos experimentos mostrou que os processos cognitivos envolvidos não funcionam de maneira completamente simultânea. Em vez disso, o cérebro parece alternar rapidamente entre as tarefas, mas ainda, sim, criando a ilusão de que o indivíduo seria capaz de executar tarefas ao mesmo tempo. Além disso, pequenas mudanças na rotina, como alterar levemente os estímulos ou as condições do teste, já eram suficientes para aumentar a taxa de erros e tornar as respostas mais lentas. “Nosso cérebro é muito hábil em sequenciar processos de forma que eles não interfiram uns nos outros”, explicou Schubert. \"No entanto, essa otimização tem seus limites. Em situações particularmente desafiadoras, nosso aparato cognitivo se cansa muito rapidamente e se torna propenso a erros\". Por que isso importa? As conclusões do estudo podem ajudar a explicar riscos presentes em atividades cotidianas. Segundo o professor Tilo Strobach, da Faculdade de Medicina de Hamburgo, na Alemanha, compreender os limites da \"multitarefa\" é essencial para áreas relacionadas à segurança. “Nossos resultados mostram porquê uma multitarefa pode ser arriscada no dia a dia, mesmo em situações rotineiras, como dirigir e falar ao telefone ao mesmo tempo. Isso também é relevante para profissões com atividades complexas, onde várias tarefas precisam ser realizadas em paralelo, como controladores de tráfego aéreo ou tradutores simultâneos”, disse. Para o professor Roman Liepelt, da FernUniversität em Hagen, também na Alemanha, o estudo ajuda a esclarecer como o cérebro humano processa informações. Assim como Strobach, ele acredita que compreender os “gargalos cognitivos” é crucial para aprimorar os processos de trabalho, os ambientes de aprendizagem e as medidas de segurança no dia a dia.",
"title": "Ser multitarefa é impossível para o cérebro humano, conclui estudo"
}