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"textContent": "\nUm visitante cósmico que passou recentemente pelo Sistema Solar pode ser uma verdadeira relíquia da história da galáxia. Novas análises indicam que o cometa interestelar 3I/ATLAS pode ter entre 10 e 12 bilhões de anos, o que o tornaria um dos objetos mais antigos já observados perto da Terra. Para fins de comparação, nosso planeta tem cerca de 4,5 bilhões de anos, enquanto o Sistema Solar se formou há aproximadamente 4,6 bilhões de anos. Ou seja, se as estimativas estiverem corretas, o cometa pode ser mais que o dobro da idade da Terra, tendo surgido quando a Via Láctea ainda estava nos seus primórdios, pouco tempo depois do nascimento do Universo, há cerca de 13,8 bilhões de anos. As informações foram divulgadas em um estudo publicado no dia 6 de março no servidor de pré-prints Research Square, que reúne pesquisas científicas ainda em processo de revisão por revistas acadêmicas. Um visitante raro O cometa 3I/ATLAS foi identificado em 2025, quando os astrônomos perceberam que um objeto atravessava o Sistema Solar em alta velocidade e seguindo uma trajetória incomum. Esses dois fatores indicaram que ele não se originou nas proximidades do Sol. Em vez disso, o corpo veio de fora do Sistema Solar. Por isso, ele é classificado como objeto interestelar. Até hoje, apenas três objetos desse tipo foram observados passando pela nossa região da galáxia. A longa cauda e a anticauda secundária de 3I/ATLAS, bem como vários outros jatos menores emergindo de sua coma, capturados pelo astrofotógrafo Satoru Murata em 16 de novembro de 2025 Reprodução/Instagram (@rawhead) Logo após a descoberta, surgiram nas redes sociais especulações de que o objeto poderia ser uma nave alienígena. No entanto, os astrônomos consideraram essa hipótese muito improvável. Para eles, as evidências apontam claramente para um cometa originado em outro sistema estelar. Observações feitas pelo Telescópio Espacial Hubble reforçaram essa interpretação. O telescópio estimou que o cometa tem entre 440 metros e 5,6 km de diâmetro. Ele entrou no Sistema Solar a cerca de 221 mil km/h, passou a orbitar o Sol e depois continuou sua viagem rumo ao espaço interestelar. Idade do cometa As novas pistas sobre a idade do cometa vieram de observações feitas pelo Telescópio Espacial James Webb. O observatório estudou o objeto em 22 de dezembro de 2025, poucos dias após sua maior aproximação da Terra, quando passou a cerca de 270 milhões de km do planeta. Para entender a origem do cometa, os cientistas analisaram os gases liberados por ele. Isso acontece porque, quando um cometa se aproxima de uma estrela, seu gelo começa a aquecer e evaporar, liberando material para o espaço. É provável que o 3I/ATLAS tenha se originado em algum lugar dentro do disco espesso da Via Láctea (linhas vermelhas) antes de cruzar o caminho do nosso Sol ao longo de sua órbita ao redor da galáxia (linhas amarelas) M. Hopkins/Equipe Ōtautahi-Oxford. Mapa base: ESA/Gaia/DPAC, Stefan Payne-Wardenaar Nesse gás estão presentes isótopos, que são versões ligeiramente diferentes de um mesmo elemento químico. Eles funcionam como uma espécie de “impressão digital química”, ajudando os cientistas a descobrir onde e em quais condições um objeto se formou. No caso do 3I/ATLAS, os resultados foram surpreendentes. Verificou-se que: A água do cometa contém muito mais deutério (uma forma mais pesada do hidrogênio) do que a encontrada em cometas do Sistema Solar; e A proporção de isótopos de carbono também é diferente da normalmente observada em objetos que se formaram ao redor do Sol. Essas características indicam que o cometa provavelmente nasceu em um ambiente extremamente frio, com temperaturas próximas de 30 kelvins (cerca de −243 °C). Os pesquisadores acreditam que ele se formou em um disco protoplanetário — uma grande nuvem de gás e poeira ao redor de uma estrela jovem, onde planetas e outros corpos começam a surgir. Tal ambiente pode ter sido comum nos primeiros sistemas estelares da Via Láctea, muito antes da formação do Sistema Solar. Se a idade estimada estiver correta, o cometa pode preservar pistas sobre como eram esses ambientes antigos. Além disso, a presença de certas moléculas sugere que processos químicos complexos, possivelmente ligados aos ingredientes básicos da vida, já poderiam ocorrer nesses sistemas muito cedo na história da galáxia, destaca a Live Science. Corrida contra o tempo Mesmo com essas pistas, descobrir exatamente de qual sistema estelar o cometa veio provavelmente será impossível. Durante bilhões de anos vagando pelo espaço interestelar, sua trajetória deve ter sido alterada muitas vezes pela gravidade de estrelas, nuvens de gás e outros objetos. Isso torna extremamente difícil reconstruir o caminho que ele percorreu até chegar ao nosso Sistema Solar. Os astrônomos também sabem que têm tempo limitado para estudar o objeto. Depois de atingir o ponto mais próximo do Sol (periélio) em 29 de outubro de 2025, o cometa começou a se afastar novamente do Sistema Solar. Antes de desaparecer no espaço profundo, ele ainda passará relativamente perto de Júpiter, a cerca de 54 milhões de km. Em seguida, cruzará a órbita de Saturno em julho, passará pela região de Urano em 2027 e atravessará a órbita de Netuno em 2028. Depois disso, o 3I/ATLAS deixará definitivamente o Sistema Solar, levando consigo pistas valiosas sobre os primeiros capítulos da história da Via Láctea.",
"title": "Cometa 3I/ATLAS pode ser quase tão antigo quanto o Universo, aponta estudo"
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