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  "textContent": "\nÉ verdade: os gatos caem quase sempre em pé. A explicação por trás dessa capacidade se manteve um mistério para muitos cientistas e curiosos de plantão durante anos, mas, agora, uma equipe da Universidade de Yamaguchi, no Japão, descobriu o porquê. Acontece que esses felinos possuem maior flexibilidade da coluna torácica em comparação com a coluna lombar, como detalhou o artigo publicado na revista The Anatomical Record, em 24 de fevereiro. Ao caírem, até parece que os gatos desafiam as leis da física, já que um objeto no ar não deveria ser capaz de girar sem algo contra o qual pudesse se apoiar. Esses animais, no entanto, são diferenciados e, mesmo em queda, conseguem realizar uma complexa manobra de endireitamento da coluna vertebral, que gira de forma que os coloca “de pé” novamente, evitando ferimentos graves. Para descobrir como isso acontece, os pesquisadores estudaram a coluna vertebral de cinco cadáveres de gatos. Eles separaram a coluna torácica – parte superior/média das costas – da coluna lombar – parte inferior – e as testaram mecanicamente sob forças de torção para medir a flexibilidade, a resistência e a capacidade de suportar rotações. Com câmaras de alta velocidade, a equipe também filmou dois gatos saudáveis enquanto eles se jogavam em uma almofada macia. Neste processo, marcadores nos ombros e quadris dos animais foram colocados, o que possibilitou o rastreamento dos movimentos das partes dos seus corpos. Flexibilidade Os resultados revelaram que a coluna vertebral dos gatos não é uniformemente flexível. Na verdade, diferentes partes se movimentam de maneiras distintas para ajudar esses animais a pousarem em segurança. A coluna torácica mostrou-se especialmente flexível. Também foi descoberto que essa área tem uma chamada “zona neutra”: uma amplitude na qual pode girar quase livremente, alcançando cerca de 50 graus de rotação quase sem esforço. Já a coluna lombar é consideravelmente mais rígida e funciona como uma espécie de estabilizadora do movimento. Sequência de quadros representativa ilustrando a rotação sequencial das porções anterior e posterior do tronco durante o endireitamento no ar The Anatomical Record Mas como a coluna gira? Durante a manobra de endireitamento no ar, o gato gira primeiro a cabeça e as patas dianteiras em direção ao chão. Isso acontece porque a coluna torácica, mais flexível, permite que a parte frontal do corpo – também sendo a parte mais leve – se mova com maior facilidade. Em seguida, a parte traseira acompanha o movimento. Nesse processo, a rigidez da coluna lombar atua como uma âncora sólida, permitindo que a frente do corpo gire sem que o animal perca o controle da rotação. Os autores da pesquisa resumem esse mecanismo, afirmando que “esses resultados sugerem que a rotação do tronco ocorre sequencialmente, com a parte anterior do tronco girando primeiro, seguida pela parte posterior, e que sua coluna torácica flexível e coluna lombar rígida em torção axial são adequadas para esse comportamento”. As descobertas, no entanto, vão além de explicar apenas um truque curioso de um animal doméstico. Segundo os pesquisadores, os resultados podem ajudar a aprimorar modelos matemáticos usados para descrever o movimento de animais, contribuir para o tratamento veterinário de lesões na coluna vertebral e até inspirar o desenvolvimento de robôs mais ágeis e capazes de se estabilizar no ar.",
  "title": "Como os gatos conseguem quase sempre cair de pé? Estudo traz explicação"
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