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  "textContent": "\nNa última sexta-feira (6), a Bahia registrou o segundo paciente a receber um tratamento experimental com a proteína polilaminina, cuja eficácia ainda está sendo investigada por pesquisadores brasileiros. O paciente, o operador de logística Paulo Araújo, de 38 anos, sofreu uma perfuração por arma de fogo logo após sair do trabalho. O ferimento provocou uma lesão raquimedular completa na altura da vértebra T2, deixando-o paralisado do peito para baixo. Após o ferimento, Araújo entrou em contato com a farmacêutica Cristália, responsável pela pesquisa, e conseguiu se enquadrar no protocolo experimental. Então, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo laboratório que desenvolve a proteína, o procedimento foi realizado no Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) pelo neurocirurgião Marco Aurélio Brás de Lima e pelo cirurgião de coluna Fabrício Guedes. Guedes explicou que a aplicação da polilaminina foi feita diretamente na medula espinhal do paciente por meio de agulhas especiais posicionadas na lesão. “Como o dano medular é extenso, realizamos a aplicação de forma fracionada em diferentes pontos da área afetadas, com o objetivo de ampliar a distribuição da substância e favorecer o ambiente de regeneração neural”, disse o médico, em comunicado. Mas o tratamento não terminou. Segundo os médicos, agora Araújo deverá passar por um processo de reabilitação intensiva com fisioterapia especializada. Trata-se de uma etapa considerada essencial para estimular possíveis ganhos funcionais e motores e que continuará a ser acompanhada pelos profissionais ao longo dos próximos meses. Como funciona a polilaminina? Chamada por alguns de “molécula de Deus” devido ao seu formato de cruz, a polilaminina é uma molécula sintética inspirada na laminina, proteína naturalmente presente no corpo humano — mais abundante durante a fase embrionária — e que desempenha papel importante na organização e no crescimento de células nervosas. A proteína vem sendo estudada há anos em pesquisas brasileiras voltadas à regeneração dos tecidos nervosos. No laboratório da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por exemplo, a pesquisadora Tatiana Sampaio e sua equipe desenvolveram a forma sintética do composto, extraída da placenta. Os estudos indicaram que a substância pode atuar degradando componentes da cicatriz formada após a lesão medular — uma barreira biológica que dificulta a regeneração dos neurônios. Em sua forma sintética, a polilaminina pode aumentar a possibilidade de reconexão das fibras nervosas. O Hospital Mater, em Salvador, foi o primeiro hospital privado do estado baiano a realizar o procedimento Rede Mater Dei de Saúde A polilaminina, no entanto, ainda não representa um novo tratamento disponível: o material sobre ela, divulgado em fevereiro de 2024, é apenas um pré-print — uma versão inicial que ainda não passou pela revisão de outros cientistas. Até o momento, o número de pacientes testados e avaliados é muito pequeno, o que leva ainda a comunidade científica a questionar a eficácia da substância. Um dos principais argumentos é que o avanço na condição motora é esperado em apenas 30% dos casos de lesão na medula. Além disso, mesmo pacientes graves e que, portanto, apresentam uma possibilidade maior de mostrarem melhora com polilaminina, ainda sim precisariam cumprir o tratamento completo com cirurgia, medicação e fisioterapia. Os testes de fase 1, que envolvem a comparação entre um grupo de pacientes tratado e um grupo controle, foram aprovados em janeiro pela Anvisa. Ainda assim, a comoção em torno do caso — e o fortalecimento da ideia de que a proteína poderia melhorar quadros de lesão medular — levou pacientes a recorrer à Justiça para obter acesso às doses. Em casos em que não há alternativas de tratamento, uma norma da Anvisa permite que os pacientes acessem medicamentos em fase experimental ou sem registro. Indo com calma O tratamento com a polilaminina repercutiu no Brasil e mundo afora. Porém, até o momento, foram realizados apenas testes pré-liminares. Apesar das dezenas de vídeos compartilhados nas redes sociais com pacientes que voltaram a se movimentar, os pesquisadores responsáveis declararam que ainda não é possível atribuir à polilaminina a recuperação dos pacientes. A nova abordagem, ainda assim, tem potencial biológico de resposta ao tratamento de lesões medulares agudas, uma vez que a sua proposta é criar condições mais favoráveis para que o sistema nervoso volte a estabelecer conexões. “Embora ainda não seja possível falar em cura para lesões medulares completas, iniciativas como essa representam avanços importantes na busca por novas alternativas terapêuticas para pacientes com lesões medulares traumáticas recentes, que hoje ainda têm opções muito limitadas de tratamento”, destaca Guedes. Para Araújo, o procedimento não foi apenas uma esperança após meses de incerteza desde o seu ferimento, mas se tornou uma oportunidade de contribuir com o avanço da pesquisa e da ciência no país. “Quando fui atingido, perdi os movimentos do peito para baixo e pensei que nunca mais teria esperança de recuperação\", conta o paciente. \"Conhecer esse tratamento e conseguir participar do estudo reacendeu minha fé e minha vontade de lutar. Creio que Deus está permitindo que novas portas se abram não só para mim, mas para muitas outras pessoas que enfrentam a mesma situação”.",
  "title": "Polilaminina: Paciente baleado em Salvador participa de tratamento experimental para lesão medular"
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