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Criatura bizarra no Nordeste do Brasil era "fóssil vivo" há 275 milhões de anos

Galileu [Unofficial] March 5, 2026
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Uma descoberta recente no Brasil chamou a atenção de cientistas: paleontólogos encontraram, no Nordeste do país, fósseis de uma criatura pré-histórica com mandíbula retorcida e dentes apontados para os lados, que viveu em águas da região há cerca de 275 milhões de anos. A espécie recém-descoberta,Tanyka amnicola, faz parte dos tetrápodes — um grande grupo de animais vertebrados com quatro membros, que inclui répteis, aves, mamíferos e anfíbios. A pesquisa, publicada nesta quarta-feira (4) na revista Proceedings of the Royal Society B, revela que a espécie já era uma relíquia evolutiva. A criatura é considerada um “fóssil vivo” pelos cientistas, durante o período Permiano, porque as primeiras linhagens de tetrápodes, conhecidas como tetrápodes basais, já tinham desaparecido nesse período. Apesar disso, a linhagem à qual a espécie T.amnicola pertencia continuou existindo, enquanto o grupo de tetrápodes se diversificava. Fóssil mostrando os dentículos na mandíbula, formando uma superfície semelhante a um ralador de queijo, que pode ter sido usada para triturar matéria vegetal. Ken Angielczyk, Field Museum Em comunicado, Jason Pardo, pesquisador do Field Museum em Chicago e autor principal do estudo, explica que o animal pertencia a uma antiga linhagem que a ciência não sabia ter sobrevivido por tanto tempo. "No sentido de que Tanyka era um membro remanescente da linhagem ancestral dos tetrápodes, mesmo após a evolução de tetrápodes mais novos e modernos, Tanyka é um pouco parecida com um ornitorrinco. Era um fóssil vivo em sua época", diz. A identificação da nova espécie foi feita a partir de nove mandíbulas inferiores fossilizadas, cada uma com aproximadamente 15 centímetros, recuperadas do leito seco de um rio. Ainda assim, como os cientistas não encontraram outros restos do esqueleto, muito sobre o animal continua sendo um mistério. Entretanto, com base em seus parentes próximos, os pesquisadores estimam que T. amnicola poderia ter chegado até 91 centímetros de comprimento, assemelhando-se a uma salamandra de focinho mais longo. O tipo de rochas em que os fósseis foram encontrados também sugere que a espécie vivia em lagos e possuía hábitos aquáticos. Anatomia bizarra e dieta diferenciada A análise das mandíbulas revelou características que intrigaram os cientistas, principalmente pelo fato de serem torcidas, com os dentes apontados para fora e para os lados. A suposição inicial da equipe era de que os ossos poderiam ter sofrido algum tipo de deformação. Mas, de acordo com Pardo, os nove fósseis apresentavam a mesma torção — até mesmo os mais preservados —, confirmando que essa característica particular fazia parte da anatomia natural da espécie. Além disso, de acordo com o comunicado, a superfície interna da mandíbula inferior estava voltada para cima (diferente dos humanos, que têm essa parte voltada para a língua). Também era coberta por pequenas estruturas parecidas com dentes, chamadas dentículos, que formavam uma superfície de trituração. Para os autores, essas características sugerem que a criatura se alimentava de pequenos invertebrados ou até de material vegetal. Porém, como aponta o site Live Science, esse hábito alimentar é considerado incomum, visto que os primeiros tetrápodes tinham uma dieta estritamente carnívora. Mandíbula de Tanyka, com martelo de geólogo para comparação de tamanho, encontrada no Brasil. Ken Angielczyk, Field Museum No período em que a Tanyka amnicola viveu, o território brasileiro fazia parte de um supercontinente chamado Gondwana. Para Ken Angielczyk, coautor do estudo e curador do Field Museum, o achado oferece uma visão sobre os antigos animais dessa região. “Tanyka está nos contando como essa comunidade [pré-histórica] realmente funcionava, como era estruturada e quem comia o quê", conclui.

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