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  "textContent": "\nUm novo estudo publicado no dia 17 de fevereiro na revista Scientific Reports concluiu que pessoas canhotas apresentam níveis mais elevados de competitividade em comparação com destros. As descobertas oferecem uma possível explicação para a persistência evolutiva da lateralidade esquerda — ainda que apenas cerca de 10,6% da população mundial seja canhota. A pesquisa foi conduzida por uma equipe de cientistas do Departamento de Psicologia da Universidade de Chieti-Pescara, na Itália. Seu objetivo central era compreender por que a preferência pela mão esquerda se mantém em níveis relativamente baixos, porém estáveis, ao longo do tempo, mesmo sendo amplamente superada pela dominância destra. Testes de destreza O estudo foi dividido em duas etapas principais. Na primeira, mais de 1.100 voluntários responderam a questionários online destinados a medir preferência manual, motivação psicológica e traços de personalidade. Com base nas respostas, os pesquisadores calcularam o chamado Quociente de Lateralidade (QL), indicador que quantifica a dominância manual de cada indivíduo. A partir dessa amostra inicial, foram selecionados 483 participantes fortemente destros e 50 fortemente canhotos para uma segunda rodada de avaliações. Nessa fase, os instrumentos aplicados mediram níveis de hipercompetitividade, além de indicadores de ansiedade e depressão, com o objetivo de identificar possíveis associações entre lateralidade acentuada e perfis comportamentais específicos. Por fim, 24 canhotos e 24 destros foram convidados ao laboratório para executar o Teste de Encaixe de 9 Pinos, tarefa que exige inserir nove pequenos pinos em um tabuleiro o mais rapidamente possível, utilizando apenas uma das mãos. O experimento permitiu avaliar se diferenças de competitividade estariam associadas a vantagens motoras objetivas. Impulso mental, não vantagem física Os canhotos obtiveram pontuações mais altas em hipercompetitividade e demonstraram menor tendência a evitar disputas por ansiedade. Entretanto, não foi identificada correlação significativa entre preferência manual e desempenho físico. No teste de encaixe, 11 dos 24 destros foram mais rápidos que seus pares canhotos — um resultado que enfraquece a hipótese de superioridade motora associada à lateralidade esquerda. Como destaca nota do site Phys.org, isso sugere que a vantagem observada está mais relacionada a fatores psicológicos do que a habilidades físicas específicas. Ao correlacionar o QL com diferentes medidas de competitividade, os autores verificaram que indivíduos com predominância do hemisfério esquerdo (LH) são mais inclinados à competitividade, enquanto aqueles com predominância do hemisfério direito (RH) tendem a evitar disputas. Explicação evolutiva Os pesquisadores argumentam que os achados oferecem respaldo à chamada Estratégia Evolutivamente Estável (EEE). Esse conceito da biologia evolutiva indica que determinadas características persistem quando conferem vantagens contextuais específicas. Sob essa perspectiva, a destreza à direita teria favorecido a cooperação em grandes grupos, enquanto a lateralidade esquerda poderia oferecer vantagens competitivas em confrontos individuais. Essa dinâmica explicaria por que o canhotismo não desapareceu ao longo da evolução, mesmo permanecendo minoritário. A combinação entre maior impulso competitivo e estabilidade populacional sugere que a preferência manual esquerda pode ter desempenhado um papel adaptativo relevante. Em outras palavras, embora menos frequentes, os canhotos podem ter mantido sua presença na população humana por meio de vantagens comportamentais estratégicas, e não necessariamente por superioridade física.",
  "title": "Canhotos são mais competitivos do que destros, aponta estudo"
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