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  "textContent": "\nNos dias de calor intenso, o ventilador muitas vezes não dá conta — e o ar-condicionado vira a principal alternativa. O problema é que, além de elevar significativamente o consumo de energia, o aparelho também contribui para a emissão de gases de efeito estufa, ajudando a agravar, no longo prazo, o mesmo aquecimento que tenta aliviar. O vazamento de refrigerantes químicos e o de carbono das redes elétricas são os principais poluentes emitidos pelos ar-condicionado. Em cenários moderados, essas emissões podem aumentar a temperatura média global de 0,03ºC a 0,05ºC até 2050. Isso é o que revelou um estudo publicado na Nature Communications em 25 de fevereiro. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores adotaram uma abordagem que examinou como o clima, a demanda por refrigeração e o crescimento econômico influenciam o aquecimento global. Isso envolveu medir como a umidade e o aumento da renda impulsionarão as vendas de ares-condicionados. Além disso, a equipe também realizou cálculos em cinco cenários climáticos futuros, que são simulações utilizadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Esses cenários variaram entre um mundo que adota com agilidade energia limpa até um mundo que permaneceu dependente de combustíveis fósseis. Calor é desigual O uso de ares-condicionados tem aumentado, sobretudo nas áreas de densa concentração populacional. Esse aumento revela mudanças socioeconômicas, tanto que o estudo constatou que os principais fatores que impulsionam o crescimento do consumo dessa tecnologia foram o aumento da renda, a urbanização e a queda dos preços dos aparelhos. Tendências da demanda global por refrigeração em diferentes cenários de mudanças climáticas Nature Communications No cenário intermediário de emissões de gases, a renda econômica responde a 190% do aumento no consumo global de ar-condicionado até 2050. E, embora o consumo de eletricidade seja um fator importante, os vazamentos de fluido refrigerante podem representar até 60% de toda a poluição relacionada ao equipamento. Uma das principais conclusões do estudo foi a disparidade entre as necessidades de refrigeração e o acesso ao aparelho. Regiões de renda elevada, por exemplo, utilizam mais ar-condicionado, mesmo que não necessitem tanto dele para se refrescarem. Países que sofrem com calor externo, por outro lado, tendem a utilizá-lo bem menos. Segundo os pesquisadores, eliminar essa lacuna de refrigeração usando tecnologias atuais liberaria entre 14 e 146 bilhões de toneladas adicionais de gases de efeito estufa. Mas, à medida que a riqueza aumenta, eles destacam ser desafiador descrever quantas unidades do aparelho seriam necessárias. \"Nossa análise quantifica o aumento potencial na demanda global por ar-condicionado resultante do aumento da renda em regiões de baixa renda: 94 milhões de unidades adicionais em níveis de renda média, 150 milhões de unidades em níveis de alta renda e até mais de 220 milhões de unidades nos níveis de renda mais altos\", estimam os cientistas. Apesar dos resultados alarmantes, a equipe destaca que ainda são possíveis mudanças para atenuar a gravidade da situação. Os autores ressaltam a importância de acelerar a transição para energias mais limpas, de maneira a eliminar gradualmente os refrigerantes químicos do meio ambiente. Eles também dizem ser necessário aprimorar o planejamento urbano a fim de reduzir a dependência humana do ar-condicionado.",
  "title": "Como o uso de ar condicionado pode agravar a crise climática até 2050"
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