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Cientistas detectam pela primeira vez sinal de relâmpago em Marte

Galileu [Unofficial] February 28, 2026
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Pesquisadores identificaram pela primeira vez um sinal característico de descarga elétrica na atmosfera de Marte, sugerindo que o planeta vermelho pode produzir relâmpagos semelhantes aos da Terra. O fenômeno foi detectado pela sonda MAVEN, da NASA, que registrou um sinal eletromagnético incomum enquanto orbitava Marte. A análise detalhada revelou tratar-se de um “assobio”, uma onda de rádio dispersa gerada por descargas elétricas que atravessam a ionosfera de um planeta. A descoberta, publicada na revista Science Advances, em 27 de fevereiro, fornece evidências de que descargas elétricas realmente ocorrem em Marte e indica que as ondas de rádio produzidas por esses eventos seguem as mesmas leis físicas observadas nos raios terrestres. Na Terra, os relâmpagos estão geralmente associados a nuvens carregadas de vapor d’água, nas quais partículas em movimento acumulam cargas elétricas até que uma descarga ocorra. Marte, porém, possui uma atmosfera extremamente seca, o que durante décadas levou cientistas a questionar se raios poderiam existir ali. Ainda assim, a umidade não é essencial para a formação de descargas elétricas, porque fenômenos semelhantes são observados em nuvens de cinzas vulcânicas na Terra, onde partículas sólidas em movimento geram eletricidade estática. Em Marte, o mecanismo mais provável envolve tempestades de poeira, algumas das mais intensas do Sistema Solar, nas quais grãos de areia em atrito podem acumular carga suficiente para produzir descargas. O sinal identificado foi registrado em 21 de junho de 2015, mas só agora foi confirmado após a análise de mais de 108 mil medições de ondas de plasma. Liderada pelo físico atmosférico František Němec, da Universidade Carolina, na República Tcheca, a equipe encontrou um único evento com as características típicas de um assobio. Espectrograma das ondas eletromagnéticas medidas pela sonda MAVEN mostra o "assobio" marciano em frequências de até 110 Hz; a linha tracejada indica o sinal previsto por modelos teóricos. revista Science Advances Esse tipo de sinal é produzido quando um relâmpago emite radiação eletromagnética que inclui ondas de rádio de baixa frequência. Ao atravessarem a ionosfera e seguirem as linhas do campo magnético, essas ondas se dispersam: as frequências mais altas chegam primeiro e as mais baixas depois. Quando convertida em som, essa diferença produz um tom descendente que lembra o chamado distante de uma baleia. Marte não possui um campo magnético global como o da Terra, o que inicialmente parecia tornar impossível a propagação dessas ondas. No entanto, regiões da crosta marciana preservam campos magnéticos locais, remanescentes fossilizados de um antigo campo magnético planetário capazes de guiar os sinais. O assobio marciano foi detectado a cerca de 349 quilômetros de altitude, sobre uma dessas regiões magnetizadas, no lado noturno do planeta. Essa condição foi fundamental: durante o dia, a radiação solar comprime a ionosfera marciana e dificulta a propagação das ondas de plasma. O sinal durou aproximadamente 0,4 segundo e apresentou frequência decrescente ao longo do tempo, padrão típico de assobios produzidos por raios. Embora a intensidade medida tenha sido relativamente baixa, modelos indicam que a descarga original provavelmente teve energia comparável à de um relâmpago forte na Terra. Os cientistas acreditam que eventos desse tipo podem ser mais comuns do que sugerem as observações. Menos de 1% das medições disponíveis foram feitas em regiões com a geometria magnética adequada para detectar os sinais, e a combinação ideal de local, horário e passagem de uma espaçonave equipada torna esses registros extremamente raros. Além de ajudar a entender melhor o clima marciano, a descoberta pode ter implicações para a busca por vida. Experimentos em laboratório mostram que descargas elétricas podem estimular a formação de moléculas orgânicas essenciais, processos semelhantes aos que podem ter contribuído para a origem da vida na Terra primitiva. Se fenômenos parecidos ocorreram ao longo da história de Marte, eles podem ter desempenhado um papel importante na química pré-biótica do planeta, um fator que os cientistas agora passam a considerar com ainda mais atenção. Será que pode existir vida em Marte?

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