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Filhote de tubarão em perigo crítico de extinção nasce em aquário no Paraná

Galileu [Unofficial] February 27, 2026
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Um filhote de tubarão-galha-branca-oceânico (Carcharhinus longimanus), espécie classificada pela lista vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) como criticamente ameaçada de extinção em escala global, nasceu em Foz do Iguaçu, no Paraná. Trata-se do primeiro animal nascido nas dependências do aquário AquaFoz desde a inauguração do seu espaço, em novembro de 2025. Segundo comunicado enviado à imprensa pela instituição, o filhote nasceu no final de janeiro de 2026 com 1 kg e 60 centímetros de comprimento. Para sua segurança. ele permanece em uma área isolada, fora do circuito de visitação do público, sob acompanhamento diário de biólogos e veterinários. Dupla de especialistas do AquaFoz fazem medições no tubarão filhote “O filhote está super bem, ativo e se alimentando normalmente”, afirma Rafael Santos, um dos integrantes da equipe responsável pelos cuidados do filhote, na nota. O protocolo de cuidado do predador inclui monitoramento comportamental, controle alimentar e avaliações clínicas periódicas. A mãe do tubarão filhote, chamada Carol, também passa bem. Ela foi transferida do AquaRio, no Rio de Janeiro, como parte de um intercâmbio que a instituição afirma tentar fortalecer as práticas de manejo, pesquisa e conservação. Predador de alto mar O tubarão-galha-branca-oceânico é um grande predador pelágico encontrado em águas tropicais e subtropicais dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. Ele vive principalmente em mar aberto, na porção superior da coluna d’água, geralmente entre a superfície e 200 metros de profundidade, embora possa realizar mergulhos mais profundos. Como destaca o portal da NOAA Fisheries (National Marine Fisheries Service), a espécie é reconhecida pelas nadadeiras longas, arredondadas e com pontas esbranquiçadas, característica que lhe dá o nome comum. O dorso varia do cinza ao marrom-bronze, enquanto a região ventral é clara. Registro do filhote em seu aquário isolado Estima-se que os exemplares adultos podem alcançar até 4 metros de comprimento e cerca de 170 kg. Nessa idade, têm sucesso como predadores oportunistas de topo de cadeia, alimentando-se, sobretudo, de peixes ósseos e cefalópodes, como lulas, mas também consome arraias, tartarugas marinhas, aves, carcaças de mamíferos marinhos e até resíduos descartados no oceano. Descrito pelo oceanógrafo Jacques Cousteau como “o mais perigoso dos tubarões”, o galha-branca-oceânico ficou associado a ataques em contextos de naufrágios e acidentes aéreos em alto-mar, lembra o site ((o))eco. Apesar de tal reputação, os registros formais de ataques são raros — tanto é que apenas cinco episódios foram documentados até hoje. Queda populacional acentuada Mais do que representar risco às pessoas, a espécie enfrenta risco elevado de desaparecer em partes significativas de sua distribuição. A principal ameaça é a captura incidental (bycatch) em pescarias industriais com espinhel, redes de emalhe e cerco, além da captura direcionada para o comércio internacional de barbatanas, aponta o Florida Museum. Por mais que não existam estimativas precisas do tamanho populacional global atual. Calcula-se que as populações do galha-branca-oceânico declinaram entre 80% e 95% no Oceano Pacífico desde a década de 1990. Especificamente no Golfo do México, a redução estimada foi de 88%. A biologia do animal agrava o cenário. Trata-se de espécie vivípara, com gestação de dez a 12 meses e ninhadas que variam de um a 15 filhotes, com uma média de seis. Fêmeas atingem maturidade sexual entre seis e nove anos, e o ciclo reprodutivo tende a ser bienal, o que limita a capacidade de reposição populacional após pressões intensas de pesca. Não à toa, uma das medidas de preservação da espécie no Brasil foi a proibição da pesca, estabelecida por normativa interministerial publicada em 2013. Reprodução sob cuidados humanos O nascimento do filhote em um ambiente controlado ocorre em um contexto de pressão global sobre grandes predadores marinhos. Instituições que mantêm indivíduos sob cuidados humanos argumentam que a reprodução pode contribuir para estudos sobre biologia, comportamento e manejo da espécie, além de ações de educação ambiental. Localizado na Afrente ao Parque Nacional do Iguaçu, o AquaFoz afirma que o caso representa um marco em sua curta história institucional. Especialistas em conservação, contudo, lembram que iniciativas ex situ não substituem a necessidade de proteção efetiva dos habitats naturais e de regulação rigorosa da pesca em alto-mar.

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