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"publishedAt": "2026-02-26T21:52:29.000Z",
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"textContent": "\nUma nova pesquisa arqueológica liderada por pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá, revelou que os maias do Período Clássico (ápice da Civilização Maia) comercializavam cães ao longo de grandes distâncias, indicando a existência de redes de troca complexas entre diferentes regiões da civilização maia. De acordo com o comunicado divulgado pela universidade, Elizabeth Paris, professora de Antropologia e Arqueologia na Faculdade de Artes da Universidade de Calgary, em parceria com pesquisadores de universidades do Canadá, do México e dos Estados Unidos, analisaram traços químicos antigos para investigar a origem e a circulação de cães nas sociedades maias. No estudo, publicado no Journal of Archaeological Science, foram analisados ossos e o esmalte dentário de cães e cervos encontrados em Moxviquil e Tenam Puente, sítios arqueológicos localizados em Chiapas, no México. Com as análises dos isótopos de estrôncio, um elemento químico, encontrado nas amostras, os pesquisadores comprovaram que a maioria dos cães encontrados nesses sítios vieram de lugares longínquos, e possuíam uma dieta diferenciada. Mapeamento isotópico O mapeamento isotópico é uma técnica que analisa isótopos (átomos de um mesmo elemento químico com diferentes massas) em materiais para entender, por exemplo, sua origem, trajetória e processos naturais que enfrentou. A partir da análise de isótopos de estrôncio (elemento encontrado nos ossos e esmalte dentário de humanos e animais), Paris e sua equipe desenvolveram um mapa químico da Mesoamérica, que permitiu estimar com precisão a origem dos animais estudados. Com esse mapa, foi possível comparar os níveis de estrôncio presentes no solo de cada região e os encontrados nos animais. No caso dos cervos, as proporções de estrôncio eram compatíveis com a área onde foram localizados, indicando que provavelmente eram animais selvagens caçados na própria região. Entretanto, de acordo com Paris, os cães não pertenciam àquela região, assim como era o caso dos cervos. “Descobrimos que os cães em nossa amostra não eram locais, eles eram de reinos maias das terras baixas muito distantes”, afirma a arqueóloga. Dieta diferenciada Para saber como era a dieta desses cães, a equipe fez testes com os níveis de isótopos de carbono e nitrogênio nas amostras encontradas. Ao analisar a proporção de carbono, é possível identificar em quais tipos de plantas a alimentação é baseada. Já o nitrogênio, ajuda a saber o nível da dieta na cadeia alimentar — ou seja, o quanto de carne é consumida por um humano ou animal. Nos testes, foi revelado que os cães tinham uma alimentação rica em milho e carne. Para os pesquisadores, essa dieta pode ter sido oferecida aos animais ou eles tinham acesso à ela ao buscar por restos de comida. Cães eram valorizados Para os pesquisadores, o cuidado com a alimentação e o transporte por longas distâncias demonstram o quanto esses cães eram valorizados nas sociedades maias. Artefatos das terras baixas mostram que reis viajavam sendo carregados em redes com pequenos cães posicionados abaixo delas. Indicando que eles eram presentes diplomáticos ou até pertences pessoais dos governantes. Entretanto, a raça exata de cães comercializados pelos maias não foi confirmada no estudo. Paris afirma que esses cães podem estar relacionados ao Xoloitzcuintli, conhecido como pelado-mexicano por não possuir pelos no corpo. O cruzamento seletivo desses animais resulta em alterações no formato dos dentes, característica encontrada em muitas amostras de cães da região de Chiapas. De acordo com Paris, os testes de DNA, que devem ser a próxima etapa da pesquisa, poderão confirmar se os cães encontrados pertenciam mesmo a essa raça.",
"title": "Maias tinham o hábito de vender cachorros e transportá-los por longas distâncias"
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