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  "textContent": "\nCientistas da Universidade de Edimburgo, na Escócia, descobriram uma fórmula microbiana simples que usa pão velho para substituir o hidrogênio no processo de hidrogenação. A reação química em questão é utilizada na fabricação de alimentos, fármacos, plásticos e outros produtos, e o surgimento de alternativas pode ampliar as possibilidades da indústria de combustíveis. O estudo que descreve a prática foi publicado na revista Nature Chemistry nesta segunda-feira (23). Apesar de o hidrogênio não ser um tipo de combustíveis fósseis, tanto sua produção quanto seu uso exigem muita energia. Frente a essas consequências para o meio ambiente, as migalhas de pão surgem como uma nova abordagem, dessa vez neutra em carbono. Stephen Wallace, da Universidade de Edimburgo, sintetizou a importância da descoberta em comunicado: “o que demonstramos é que as células vivas podem fornecer esse hidrogênio diretamente, utilizando resíduos como matéria-prima, e fazê-lo de uma forma que pode ser, de fato, negativa em termos de carbono. A capacidade de realizar essas reações usando hidrogênio microbiano abre novas possibilidades para a fabricação sustentável em larga escala”. Mas como isso é possível? Antes de chegar até a sua boca, o pão passa por alguns processos como a fermentação natural, que lhe confere sabor, aroma e aumenta a sua durabilidade. Esse processo utiliza uma colônia simbiótica de bactérias ácido-láticas – como Lactobacillus – e leveduras selvagens que, ocasionalmente, liberam e retêm gases como o gás carbônico (CO2). No estudo, o processo de fermentação natural foi revisitado e analisado pela equipe de cientistas. Eles alimentaram uma cepa da bactéria Escherichia coli com açúcares extraídos de pão descartado e cultivada na ausência de oxigênio. Foram nessas condições que as bactérias produziram naturalmente o gás hidrogênio. Reações de hidrogenação microbiana utilizando resíduos de pão degradados quimicamente (à esquerda) e enzimaticamente (à direita) Universidade de Edimburgo A equipe também descobriu que, se adicionada uma pequena quantidade de catalisador de paládio – uma substância química que utiliza o metal paládio (Pd) para acelerar reações químicas – e um composto químico alvo – molécula ou substância projetada para interagir especificamente com um alvo biológico –, seria gerado hidrogênio suficiente para substituir a hidrogenação. Todo o processo ocorre em um único frasco selado a uma temperatura ambiente. Neste processo, a hidrogenação é impulsionada em condições mais brandas, com um baixo consumo energético e sem a exigência do fornecimento de combustíveis fósseis externos. Mas, a equipe chegou até a analisar qual era a melhor migalha de pão para que todo o processo pudesse ocorrer. Acontece que o método só pode ser considerado “carbono negativo” quando se utiliza pão amanhecido. E isso tem uma explicação simples: ao ser utilizado pelos cientistas, o alimento não é descartado em aterros sanitários ou incinerado, sistemas que potencializam a liberação de gases do efeito estufa. Agora, os pesquisadores planejam expandir essa abordagem para uma gama ainda mais ampla de produtos utilizados no cotidiano. Para isso, eles têm investigado diferentes hospedeiros microbianos para desenvolver cepas que eliminem a necessidade, por exemplo, do uso do catalisador de paládio ou que utilize outros metais como níquel (Ni) ou platina (Pt). “Essa abordagem não se limita à química de alimentos. A hidrogenação é utilizada em diversos setores, como o farmacêutico, o de química fina e o de materiais”, destacou Wallace.",
  "title": "Como cientistas querem substituir combustíveis usando... pão velho"
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