Espécie de peixe mostra inteligência típica de um mamífero, revela estudo
Galileu [Unofficial]
February 22, 2026
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Metropolitana de Osaka, no Japão, revela que o bodião-limpador (Labroides dimidiatus) demonstrou inteligência típica de mamíferos. A pesquisa foi publicada no periódico Scientific Reports no fim de 2025. Anteriormente, os cientistas responsáveis pela publicação já tinham conseguido demonstrar que esses peixes conseguem se reconhecer em fotografias. No novo estudo, aplicaram marcas que imitavam parasitas nos bodiões e os colocaram em frente a espelhos. Eles observaram que, mesmo aqueles peixes que nunca tinham visto seus próprios reflexos em um espelho antes aprenderam a utilizá-lo rapidamente para se limpar dos "parasitas". Em alguns casos, os bodiões responderam na primeira hora após verem o espelho. Esse comportamento foi identificado em uma média de 82 minutos, um avanço comparado aos 4 ou 6 dias observados em experimentos anteriores. Esses resultados sugerem que esses peixes sociais podem apresentar um nível superior de inteligência. Segundo Shumpei Sogawa, pesquisador da Escola de Pós-Graduação em Ciências da Universidade Metropolitana de Osaka, nos estudos anteriores sobre o comportamento de raspagem do peixe-limpador, o peixe via um espelho por vários dias, se acostumava a ele e parava de reagir socialmente para só então ter uma marca adicionada. "Neste estudo, a ordem foi invertida: os peixes foram marcados primeiros e, em seguida, o espelho foi apresentado pela primeira vez. Os peixes provavelmente estavam cientes de algo incomum em seus corpos, mas não conseguiam ver", disse Sogawa, em comunicado. "Quando o espelho apareceu, ele imediatamente forneceu informações visuais que correspondiam a uma expectativa corporal preexistente, fazendo com que a raspagem ocorre muito mais rápido." Teste de contingência Os bodiões-limpadores, no entanto, surpreenderam os cientistas mais uma vez: depois de dias expostos ao espelho, alguns deles pegaram um pequeno pedaço de camarão do fundo do aquário, o carregando para cima e soltando perto do espelho de propósito. Eles então assistiam o camarão afundar ao longo da superfície do espelho, tocando repetidamente o vidro com a boca enquanto observavam o camarão afundar no reflexo. Esse desenvolvimento foi interpretado como uma forma de "teste de contingência", um comportamento avançado no qual, em vez de testar o espelho com o próprio corpo, o animal testa como objetos externos se comportam no espaço do espelho. Animais como raias-manta e golfinho também já demonstraram comportamentos parecidos. "Essas descobertas em bodiões-limpadores sugerem que a autoconsciência pode não ter evoluído apenas no número limitado de espécies que passaram no teste do espelho, mas pode ser mais amplamente difundida em uma gama mais ampla de grupos taxonômicos, incluindo peixes", afirmou Sogawa. "É altamente provável que o autoconhecimento por meio de espelhos seja observado em muitas espécies onde o uso de ferramentas baseadas em espelhos já foi relatado."
Discussion in the ATmosphere