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"textContent": "\nUma jovem que viveu há cerca de 2,5 mil anos no sul da Sibéria, região onde hoje se encontra a Rússia, sobreviveu a um traumatismo craniano devastador graças a uma intervenção cirúrgica complexa que incluiu a instalação de uma prótese rudimentar na articulação da mandíbula. A descoberta, feita por pesquisadores da Universidade Estadual de Novosibirsk (NSU), sugere um nível de sofisticação médica surpreendente entre os povos da cultura pazyryk, um grupo nômade da Idade do Ferro. Para chegar às conclusões, a equipe do Laboratório de Medicina Nuclear e Inovadora da NSU submeteu o crânio a uma tomografia computadorizada de alta resolução em um aparelho Philips MX 16. O exame utilizou 551 fatias com 0,75 mm de espessura, permitindo a reconstrução digital e física em 3D da estrutura óssea. “O uso da tomografia computadorizada tornou-se uma ferramenta fundamental no estudo do crânio”, explica Vladimir Kanygin, chefe do laboratório, em comunicado compartilhado na segunda-feira (16). “O tomógrafo permitiu ‘remover’ virtualmente essas coberturas e criar um modelo digital e, posteriormente, um modelo físico 3D preciso do crânio.” Segundo o especialista, o equipamento funcionou como uma “máquina do tempo”, oferecendo acesso não destrutivo às estruturas anatômicas e possibilitando não apenas diagnosticar a lesão, mas reconstruir os resultados de uma intervenção feita há milênios. Para ele, o achado transformou “uma simples descoberta em evidências detalhadas do alto nível de conhecimento médico da cultura pazyryk”. Trauma grave e cirurgia inédita As imagens revelaram uma depressão de 6 a 8 mm no osso temporal direito, compatível com forte impacto — possivelmente decorrente de queda de cavalo, hipótese levantada pelos pesquisadores. O trauma destruiu a articulação temporomandibular (ATM) direita, rompendo ligamentos e deslocando a mandíbula. Sem tratamento, a lesão teria impedido a mulher de falar e se alimentar, levando-a à morte em pouco tempo. No entanto, o exame revelou dois canais artificiais perfurados nos ossos da articulação, com cerca de 1,5 mm de diâmetro e até 8 mm de extensão. Uma tomografia computadorizada do lado esquerdo da mandíbula da múmia revelou desgaste nos dentes e perda óssea NSU Dentro desses canais, foram encontrados vestígios de material elástico, possivelmente uma crina de cavalo ou ainda um tendão animal. Acredita-se que ele pode ter sido utilizado como uma espécie de ligadura para estabilizar a articulação. “Essa prótese primitiva mantinha as superfícies articulares unidas e permitia que a paciente movesse a mandíbula”, afirma o radiologista Andrey Letyagin, da filial siberiana da Academia Russa de Ciências. “A articulação funcionava, mas ela ainda não conseguia mastigar alimentos do lado lesionado, provavelmente devido à dor intensa.” Reconstrução 3D do crânio da múmia NSU O crescimento ósseo ao redor dos canais confirma que o procedimento foi realizado em vida e que houve cicatrização. Além disso, o desgaste severo dos molares do lado esquerdo da mandíbula indica que a mulher compensou a limitação mastigando exclusivamente desse lado por meses ou até anos. “É possível que tenhamos descoberto evidências de tal procedimento cirúrgico pela primeira vez”, aponta Letyagin. Vale destacar que, pelo levantamento dos autores do projeto, não há registros semelhantes na literatura científica disponível. Túmulo discreto Como lembra o site Live Science, a mulher foi encontrada no cemitério Verkh-Kaldzhin-2, descoberto em 1994 no Planalto de Ukok, na República de Altai. O sítio pertence à cultura Pazyryk, um grupo aparentado aos citas que floresceu entre os séculos 6 e 3 a.C. e é conhecido por seus túmulos congelados, os quais costumam preservar tecidos orgânicos, madeira e até tatuagens. Registro antigo da múmia congelada encontrada na Sibéria NSU Os arqueólogos da Academia Russa de Ciências escavaram cinco pequenos montes funerários no local. Um deles continha o sepultamento intacto da jovem, de 25 a 30 anos, deitada sobre o lado direito em um banco de madeira, usando uma peruca típica da cultura Pazyryk. O túmulo, no entanto, não possuía artefatos significativos, o que inicialmente reduziu o interesse científico. “Este fragmento de pele mumificada no crânio da mulher enterrada impossibilitou a pesquisa antropológica, mas queríamos aprender o máximo possível sobre ela”, declarou a arqueóloga Natalia Polosmak. “A oportunidade de estudá-lo em uma tomografia computadorizada foi uma feliz coincidência, que aproveitei.” Os pazyryk já eram conhecidos por realizar trepanações (perfurações no crânio) e por dominar técnicas complexas de mumificação, que envolviam dissecação detalhada, e esse conhecimento anatômico pode ter impulsionado o desenvolvimento de práticas cirúrgicas. Para Polosmak, a operação na mandíbula revela não apenas habilidade técnica, mas valores sociais. “A operação realizada indica que sua vida era valorizada”, avalia a especialista. “Este novo estudo fornece mais uma importante confirmação de que o povo Pazyryk era capaz de realizar procedimentos cirúrgicos complexos para salvar a vida de seus companheiros de tribo.”",
"title": "Múmia de 2,5 mil anos achada no gelo da Sibéria tem prótese na boca; fotos"
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