{
  "$type": "site.standard.document",
  "bskyPostRef": {
    "cid": "bafyreihtd57b6g4nlnufvhi2ejxntnbpq4ikdhbnsx2xxx5zxbqt6b7zgu",
    "uri": "at://did:plc:q5xux2nkhg7d6ywwbe36ocxq/app.bsky.feed.post/3mf6oe3lqnuq2"
  },
  "coverImage": {
    "$type": "blob",
    "ref": {
      "$link": "bafkreibaaoeqgbnn2rzzrxmwkjhj54xmtggv5n5lfxw6ttdyvr2ynxjt4e"
    },
    "mimeType": "image/jpeg",
    "size": 53466
  },
  "path": "/ciencia/biologia/noticia/2026/02/bacteria-encontrada-em-caverna-congelada-resiste-a-10-antibioticos-modernos.ghtml",
  "publishedAt": "2026-02-18T14:27:55.000Z",
  "site": "https://revistagalileu.globo.com",
  "tags": [
    "galileu"
  ],
  "textContent": "\nUma linhagem bacteriana preservada por cerca de 5 mil anos foi encontrada em uma camada profunda de gelo subterrâneo, E o mais curioso é que ela demonstrou a impressionante capacidade de resistir a dez antibióticos usados atualmente. A descoberta, publicada na segunda-feira (16) na revista Frontiers in Microbiology, lança nova luz sobre a evolução natural da resistência antimicrobiana muito antes da era dos medicamentos criados por humanos em laboratório. O microrganismo, identificado como Psychrobacter SC65A.3, foi isolado na Caverna de Gelo de Scărișoara, na Romênia, a partir de um núcleo de gelo perfurado a 25 metros de profundidade na área conhecida como Grande Salão. Os autores acreditam que o núcleo de gelo provavelmente se formou há 13 mil anos. A camada específica de onde a bactéria foi retirada data de cerca de 5 mil anos. Como indica este comunicado, os fragmentos de gelo foram acondicionados em recipientes estéreis e mantidos congelados até a chegada ao laboratório para evitar contaminação. Ali, os especialistas isolaram diferentes linhagens bacterianas e sequenciaram seus genomas, com o objetivo de identificar genes associados tanto à adaptação ao frio extremo quanto à resistência e atividade antimicrobiana. Resistência ancestral SC65A.3 pertence ao gênero Psychrobacter sp., composto por bactérias adaptadas a ambientes frios. Algumas espécies desse grupo podem causar infecções em humanos ou animais. No entanto, conforme destaca o comunicado, os perfis de resistência antimicrobiana desse grupo ainda são pouco conhecidos. “Apesar de sua origem antiga, a linhagem bacteriana Psychrobacter SC65A.3 apresenta resistência a múltiplos antibióticos modernos”, explica Cristina Purcarea, cientista sênior do Instituto de Biologia Bucareste da Academia Romena. “Identificamos mais de 100 genes que podem explicar essa resistência.” A equipe extraiu um núcleo de gelo de 25 metros da área da caverna conhecida como Grande Salão Itcus C. No total, os pesquisadores testaram a resistência da linhagem contra 28 antibióticos pertencentes a dez classes de remédios, incluindo medicamentos amplamente utilizados ou reservados para tratar infecções bacterianas graves. Os testes incluíram fármacos cujos mecanismos de resistência já haviam sido identificados geneticamente, permitindo verificar se as previsões genômicas se traduziriam em resistência que os cientistas confirmaram em laboratório. Entre os antibióticos aos quais a bactéria demonstrou resistência estão rifampicina, vancomicina e ciprofloxacino — empregados no tratamento de doenças como tuberculose, colite e infecções do trato urinário. O estudo também identificou pela primeira vez no gênero Psychrobacter sp. resistência a fármacos como trimetoprima, clindamicina e metronidazol, utilizados no tratamento de infecções pulmonares, cutâneas, sanguíneas e do sistema reprodutivo. Genes ocultos no gelo A análise genômica revelou mais de 100 genes associados à resistência antimicrobiana e cerca de 600 genes com funções ainda desconhecidas, sugerindo um vasto potencial biológico ainda inexplorado. Além disso, os pesquisadores identificaram 11 genes potencialmente capazes de matar ou inibir o crescimento de outras bactérias, fungos e vírus. Essa combinação de resistência a múltiplos fármacos e capacidade de produzir compostos antimicrobianos coloca a linhagem em uma posição ambígua no debate científico contemporâneo. Microrganismos preservados no gelo podem atuar como reservatórios naturais de genes de resistência e, caso o degelo libere essas bactérias no ambiente, existe o risco de que tais genes sejam transferidos para bactérias modernas, ampliando o desafio global da resistência antimicrobiana. Por outro lado, essas bactérias produzem enzimas únicas e compostos antimicrobianos com potencial biotecnológico, que podem inspirar o desenvolvimento de novos antibióticos, enzimas industriais e outras aplicações inovadoras. Evolução natural da resistência O achado reforça uma tese cada vez mais aceita na microbiologia: a resistência antimicrobiana não é um fenômeno exclusivamente associado ao uso clínico de antibióticos no século 20, mas um processo evolutivo antigo, moldado por interações ecológicas entre microrganismos. Esse estudo de micróbios preservados por milênios permite compreender como a resistência evoluiu naturalmente no ambiente, muito antes da introdução dos antibióticos na medicina moderna. Por isso, a perspectiva histórica é considerada crucial para formular novas estratégias de contenção. “As bactérias antigas são essenciais para a ciência e a medicina”, conclui Purcarea. Ela ressalta, porém, que o manuseio cuidadoso e medidas rigorosas de biossegurança são indispensáveis para evitar a disseminação não controlada desses microrganismos.",
  "title": "Bactéria descoberta em caverna congelada resiste a 10 antibióticos modernos"
}