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Este país asiático está usando vacinas para conter população de elefantes

Galileu [Unofficial] February 13, 2026
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A Tailândia iniciou a aplicação de uma vacina anticoncepcional em elefantes selvagens como parte de uma estratégia inédita para conter o avanço dos conflitos entre humanos e animais. A medida surgiu em meio ao aumento expressivo de confrontos em áreas onde a expansão agrícola tem reduzido o habitat natural da espécie. De acordo com a agência Associated Press, somente no ano passado os elefantes selvagens foram responsáveis pela morte de 30 pessoas e deixaram outras 29 feridas no país. Além disso, registrou-se também mais de 2 mil ocorrências de destruição de plantações. Crescimento populacional descontrolado O problema se intensificou à medida que fazendas avançaram sobre áreas florestais, comprimindo os territórios naturais dos elefantes. Com menos alimento disponível, os animais passaram a invadir vilarejos e campos agrícolas em busca de sustento. Sukhee Boonsang, diretor do Escritório de Conservação da Vida Selvagem, afirma à Associated Press que o controle populacional se tornou necessário diante do crescimento acentuado de elefantes vivendo próximos a áreas residenciais. Segundo ele, isso elevou substancialmente o risco de confrontos violentos. Nesta foto divulgada pelo Departamento de Parques Nacionais, Vida Selvagem e Conservação de Plantas da Tailândia, funcionários preparam vacinas contraceptivas para elefantes selvagens na província de Trat, Tailândia, na segunda-feira (26) Departamento de Parques Nacionais, Vida Selvagem e Conservação de Plantas da Tailândia Estatísticas oficiais mostram que a taxa de natalidade de elefantes selvagens nas regiões mais afetadas chega a 8,2% ao ano — mais que o dobro da média nacional, estimada em 3,5%. Aproximadamente 800 dos cerca de 4.400 elefantes selvagens do país vivem nessas áreas consideradas críticas. “Se não tomarmos medidas, o impacto sobre as pessoas que vivem nessas regiões continuará a crescer até se tornar incontrolável”, destaca Sukhee à AP. Funcionamento da vacina O Escritório de Conservação obteve 25 doses de uma vacina produzida nos Estados Unidos. Antes da aplicação em animais selvagens, foi conduzido um teste de dois anos com sete elefantes domesticados. O experimento apresentou resultados considerados promissores pelas autoridades. Nesta foto divulgada pelo Departamento de Parques Nacionais, Vida Selvagem e Conservação de Plantas da Tailândia, elefantes selvagens se reúnem após receberem uma vacina contraceptiva na província de Trat, Tailândia, na terça-feira (27) Departamento de Parques Nacionais, Vida Selvagem e Conservação de Plantas da Tailândia A vacina não impede a ovulação das fêmeas, mas bloqueia a fertilização dos óvulos. Uma única aplicação pode prevenir a gestação por até sete anos. Caso não recebam reforço após esse período, as elefantes voltam a se reproduzir normalmente. Especialistas vão monitorar os animais imunizados durante todo o ciclo de eficácia. No fim de janeiro, três elefantes selvagens receberam a vacina na província de Trat, no leste do país. As autoridades agora avaliam quais regiões serão priorizadas antes de usar as 15 doses restantes. Críticas à medida A iniciativa provocou controvérsia, já que os elefantes ocupam papel central na história e na identidade cultural tailandesa. O país mantém há séculos a tradição de utilizar elefantes domesticados em atividades agrícolas e de transporte, e o animal é oficialmente reconhecido como símbolo nacional. Críticos argumentam que a imunização pode enfraquecer esforços de conservação. O governo, por sua vez, sustenta que o programa é direcionado exclusivamente a elefantes selvagens em zonas com os maiores índices de conflito. Outras abordagens de controle Além da vacinação, as autoridades implementaram ações complementares para reduzir as tensões com os animais. Isso inclui a criação de novas fontes de água e alimento dentro das florestas, a instalação de cercas de proteção e a mobilização de guardas florestais para reconduzir elefantes que se aproximam de áreas habitadas. No entanto, uma operação judicial para remover elefantes selvagens que vinham colidindo repetidamente com moradores na província de Khon Kaen, no nordeste do país, gerou forte reação pública após a morte de um animal durante o processo de relocação. Segundo o governo tailandês, uma autópsia preliminar indicou que o elefante morreu por asfixia após receber anestesia antes da transferência. O Departamento de Parques Nacionais, Vida Selvagem e Conservação de Plantas conduziu a operação, e seu diretor-geral, Athapol Charoenshunsa, manifestou pesar pelo ocorrido, afirmando que os protocolos foram seguidos e que uma investigação está em andamento para evitar novos incidentes, conforme relatado pela Associated Press. Diante do cenário, as autoridades apostaram que a estratégia contraceptiva poderá reduzir gradualmente a pressão demográfica nas áreas mais críticas, sem recorrer a medidas letais. Eles veem o medicamento como uma abordagem de equilíbrio delicado entre preservação ambiental, segurança pública e tradição cultural.

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