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Por que alguns tratamentos de câncer deixam de fazer efeito? Estudo descobriu

Galileu [Unofficial] February 12, 2026
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Entre quimioterapias e radioterapias, há tratamentos para alguns tipos de câncer que, após certo tempo, deixam de surtir efeito. Mas por que isso acontece? Um estudo de pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, e publicado na última quarta-feira (11) na revista Nature investigou a questão - e descobriu uma possível resposta na superfície das células de defesa do organismo. Os pesquisadores, liderados André Veillette, pesquisadores da Universidade de Montreal, descobriram uma maneira de neutralizar a molécula SLAMF6 – também conhecida como Ly108. A molécula em questão fica na superfície das células imunológicas e é principal responsável por impedir que as células T – um tipo de glóbulo branco essencial no combate de células cancerígenas – ataque os tumores com eficácia. Ação e reação Ao contrário de outras moléculas inibidoras, não é preciso que a SLAMF6 interaja com o tumor para enfraquecer a resposta imunológica. O principal mecanismo de funcionamento dessa molécula é por meio de sinais enviados diretamente à superfície das células T. Como destaca Veillette, esses “freios” estimulam a parada das células imunológicas, uma vez que enfraquece a sua capacidade de ataque e reduz a produção de células T saudáveis, robustas e de longa duração. Além disso, os sinais também aceleram a exaustão imunológica celular, tornando-as ineficazes no combate contra o câncer. Os efeitos da SLAMF6 podem ser suprimidos pelas imunoterapias atuais, principalmente por aquelas que utilizam os inibidores PD1 e PDL1. Apesar da eficácia, os pesquisadores apontaram que há um grande número de pacientes que não respondem ou, eventualmente, deixam de responder a esses tratamentos. Os pesquisadores observaram que a perda de SLAMF6 aumenta a ativação das células T e a imunidade antitumoral Nature A solução encontrada por Veillette e sua equipe foi desenvolver novos anticorpos que impedem a interação da molécula SLAMF6 consigo mesma. Entre os principais resultados, os cientistas destacaram que os anticorpos monoclonais estimularam uma maior ativação de células T humanas, uma maior produção de células imunes resistentes e, como consequência, uma baixa na quantidade desses glóbulos brancos em estado de exaustão. Esses avanços foram observados após testes em camundongos, que, com o tratamento, apresentaram fortes respostas antitumorais. A pesquisa é uma solução inovadora frente às limitações dos tratamentos atuais. Pensados de maneira estratégica para o desenvolvimento de terapias, os novos anticorpos superaram as ferramentas disponíveis que têm como alvo a SLAMF6. Veillette acredita que o novo tratamento é um candidato promissor para uma nova geração de imunoterapias anticancerígenas. Isso porque os anticorpos monoclonais podem oferecer uma opção para pacientes que não respondem mais aos tratamentos com os inibidores PD1 e PDL1, podendo ser usados de forma independente ou em combinações com outras terapias imunoestimulantes. A descoberta traz esperança a muitos pacientes e abre portas para a imunoterapia, uma vez que os pesquisadores não somente identificaram o freio interno que, até então, havia passado despercebido, mas também desenvolveram anticorpos capazes de neutralizá-lo. Como próximo passo, a equipe da Universidade de Montreal agora quer testar esses anticorpos em ensaios clínicos de fase inicial para avaliar sua segurança e eficácia em pessoas com tumores sólidos ou cânceres de sangue.

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