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"textContent": "\nA República Democrática do Congo será uma das estreantes da Copa do Mundo de 2026 — ao menos sob sua atual denominação. O país retorna ao torneio após 52 anos de ausência e terá sua segunda participação em Mundiais. A única anterior aconteceu em 1974, quando o país ainda se chamava Zaire. A classificação também recoloca em evidência uma das histórias mais marcantes do futebol africano. A seleção congolesa carrega uma trajetória diretamente ligada aos processos de independência, aos conflitos políticos internos e às consequências da colonização europeia na África. Durante décadas, o território foi conhecido como Congo Belga, em referência ao domínio da Bélgica sobre a região. Após a independência, conquistada em 1960, o líder nacionalista Patrice Lumumba tornou-se o primeiro primeiro-ministro do país. No entanto, ele permaneceu apenas algumas semanas no cargo antes de ser deposto por um golpe militar liderado por Mobutu Sese Seko. Anos depois, Mobutu assumiu o poder definitivamente e rebatizou o país como Zaire, numa tentativa de romper simbolicamente com o passado colonial. Foi sob essa denominação que a seleção disputou a Copa do Mundo de 1974. Retrospecto do RD Congo nas Copas do Mundo CBN A participação ficou marcada por episódios traumáticos. Após sofrer uma derrota por 9 a 0 para a Iugoslávia, jogadores relataram ter recebido ameaças do regime de Mobutu. Segundo relatos posteriores, o ditador teria advertido que a equipe sofreria consequências graves caso perdesse por mais de três gols para o Brasil na última rodada. Os brasileiros venceram por exatamente 3 a 0. Com o fim da ditadura de Mobutu, na década de 1990, o país voltou a adotar o nome República Democrática do Congo. Um dos símbolos dessa memória histórica é Kuka Muladinga, torcedor que ganhou notoriedade durante a Copa Africana de Nações ao permanecer imóvel durante os jogos, com um dos braços erguidos. O gesto é uma homenagem a Patrice Lumumba e à luta pela independência do país. O torcedor foi convidado pela seleção para integrar a delegação durante a Copa do Mundo de 2026. Campanha até a Copa Caminho do RD Congo até a Copa do Mundo de 2026 CBN A República Democrática do Congo garantiu a vaga após terminar em segundo lugar em seu grupo das eliminatórias africanas, atrás apenas do Senegal. Na sequência, superou Camarões e Nigéria nas repescagens continentais e derrotou a Jamaica na repescagem intercontinental. Ao longo da campanha classificatória, a equipe acumulou nove vitórias, dois empates e duas derrotas. Atualmente, ocupa a 46ª posição no ranking da FIFA. Desde a Copa de 2022, soma 28 vitórias, 13 empates e 12 derrotas. Contra seleções classificadas para o Mundial, porém, os números são menos animadores: nenhuma vitória, sete empates e seis derrotas. Na Copa Africana de Nações de 2024, o país alcançou a quarta colocação, seu melhor resultado recente em competições continentais. Quais são os destaques e pontos positivos? Seleção do Congo CBN Apesar de não figurar entre as principais forças africanas, a República Democrática do Congo conta com um elenco formado majoritariamente por atletas que atuam em ligas importantes da Europa. O lateral-direito Aaron Wan-Bissaka, do West Ham United, é um dos nomes mais conhecidos da equipe. Outro destaque é o atacante Yoane Wissa, do Newcastle United, que viveu temporadas de destaque no futebol inglês. O experiente atacante Cedric Bakambu, do Real Betis, segue como referência ofensiva da seleção, enquanto o zagueiro Chancel Mbemba, do Lille OSC, oferece liderança ao sistema defensivo. Além disso, boa parte dos titulares atua regularmente em campeonatos competitivos da Europa, o que garante à equipe um nível técnico superior ao de seleções africanas menos estruturadas. O técnico francês Sébastien Desabre, no cargo desde 2022, também é apontado como um dos responsáveis pela evolução recente da equipe. Crise humanitária e preocupação fora de campo A preparação para a Copa acontece em meio a um cenário delicado no país. A República Democrática do Congo enfrenta simultaneamente uma grave crise humanitária, conflitos armados em regiões do leste do território e surtos de doenças como o ebola. Segundo organizações internacionais, milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar severa, enquanto os confrontos dificultam ações humanitárias e de saúde pública. Embora a maioria dos jogadores atue fora do país e não seja diretamente afetada pela situação, o contexto influencia a mobilização de torcedores e a logística da delegação. Relatos recentes apontam que cidadãos congoleses têm enfrentado restrições mais rígidas para entrar nos Estados Unidos, sede da Copa do Mundo de 2026. Dentro de campo, a República Democrática do Congo chega como uma seleção competitiva, mas sem status de favorita. Fora dele, carregará uma das histórias mais marcantes e complexas entre as 48 participantes do Mundial.",
"title": "República Democrática do Congo volta à Copa do Mundo após 52 anos"
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