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"textContent": "\nEm tempos de Copa do Mundo, a torcida brasileira faz de tudo pra ver a seleção canarinho vencer. E aí valem as superstições, rituais e bolões que ajudam no espírito pela busca do tão sonhado hexa. Tem gente que não lava a camisa da sorte durante todo o mundial. Tem quem ocupe sempre o mesmo lugar no sofá. Torcedor que só assiste ao jogo com determinado grupo de amigos. E existem aqueles que fazem promessas, evitam mudar a rotina e transformam qualquer coincidência em sinal de que a seleção vai vencer a partida ou até mesmo levar o título. Um roteiro que mistura rituais, mandingas e aquela sensação de que, de alguma forma, é possível ajudar os jogadores fora de campo. O curioso é que, mesmo sabendo que nenhuma dessas ações interfere diretamente no placar, muita gente continua repetindo os mesmos hábitos. A estudante Sara Mello admite que as superstições fazem parte da rotina dela o ano inteiro acompanhando o time nos campeonatos nacionais. Ela já chega treinada para a Copa do Mundo. \"Eu compartilho com o meu amor pelo Flamengo, então assim, eu já vivo essas superstições todas as semanas do ano, não só de 4 em 4 anos no mês da Copa do Mundo. Eu, por exemplo, não vejo jogo de braço cruzado, não vejo jogo de perna cruzada, nada. Eu sinto que isso vai dar azar para o meu time. E pode ter certeza que eu também não vou ver jogo da seleção de perna cruzada. E outra coisa também que eu costumo fazer muito em dia de jogo, antigamente era inconsciente, mas eu costumo combinar roupa íntima com a cor do clube. E eu vou fazer a mesma coisa também para a Copa do Mundo esse ano. E também, das minhas partes favoritas, é poder combinar maquiagem com esses momentos\". E não é só a Sara. O designer João Victor Duarte transformou a própria casa em uma espécie de templo da sorte. Tudo começou na Copa de 2018, quando o mesmo grupo de amigos se reuniu para assistir o jogodo Brasil. No dia em que mudaram a rotina, a seleção perdeu para a Bélgica. João Victor Duarte, na Copa de 2018 Arquivo Pessoal \"De qualquer forma, a gente ainda carrega essa superstição, até porque a superstição não é uma ciência exata, mas pra gente faz total sentido e a nossa parte a gente vai fazer para que o Brasil ganhe. Em 2026, então a gente vai assistir de novo os jogos na minha casa. Foram duas copas já que a gente testou isso. Uma a gente tem certeza que foi a mudança de lugar - não tem nada a ver com a geração de ouro da Bélgica. A segunda talvez foi um motivo de pura sorte do futebol, momento da Croácia, a gente não pode colocar (a culpa) no ambiente. Então a gente vai seguir na superstição e testar mais uma vez, até porque eu já mudei de casa, não é o mesmo apartamento, e esse ano vai dar certo. Estamos confiantes nisso\". Já o publicitário Isaque Daza tem certeza que a vitória da seleção está ligada a cor da camisa que ele usa. \"É tudo por meio de método científico. Eu já reparei que usando certas camisas, quando eu via o Brasil jogar, ele não ganhava. Por exemplo, na verdade, eu não uso camisa amarela. Basicamente, em jogo importante, porque eu sei que camisa amarela é mais chance da gente perder. Eu só vejo com a mesma camiseta azul do Brasil que eu tenho. Eu evito o máximo possível\". E a ciência tem uma explicação para isso. Segundo o professor de Psicologia da Universidade Católica de Brasília, Leandro Oliveira, o cérebro humano busca constantemente formas de encontrar sentido e previsibilidade em situações que estão completamente fora do nosso controle. \"Quando o resultado normalmente independe da gente, que é no caso do jogo, primeiro que a gente não está jogando, o cérebro tende a buscar ali padrões e até mesmo algum sinal de previsibilidade. Nós somos máquinas, inclusive, de tentar buscar significado e tentar prever. Quando a gente usa a mesma camisa, tem pessoas que sentam no mesmo lugar ou criam rituais, é muito comum também, cria uma sensação subjetiva de tentar ou de ter ordem diante de algo que é imprevisível. Não é falta de racionalidade, não é nada do tipo. É uma resposta que é extremamente humana e inclusive auxilia frente até comportamentos angiogênicos, até em relação a nossa ansiedade ou o desejo de algum pertencimento coletivo\". Mesmo todo mundo sabendo que quem decide o jogo são os jogadores, não custa nada dar uma força, seja com a torcida, seja com as superstições.",
"title": "Enquanto seleção busca o hexa, brasileiros entram em ação com suas próprias supertições"
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