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"textContent": "\nO Brasil abriga pouco mais de dois milhões de imigrantes, de aproximadamente duzentas nacionalidades, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Um país, que já possui uma enorme diferença cultural, ganha outros traços e se torna mais rico com as tradições dos imigrantes espalhados por todas as regiões. E se há uma coisa que une todas as comunidades é o futebol! Uma prova é a história de Youssef Faria. Filho de pai brasileiro e mãe marroquina, Youssef cresceu assistindo ao pai na beira do campo, no Marrocos, com José Mehdi Faria comandando - acredite - a seleção marroquina na Copa de 1986. José Mehdi Faria, que foi técnico da seleção do Marrocos na década de 1980 Arquivo Pessoal Sob a liderança do carioca, foi quando, pela primeira vez, um país africano e árabe passou para o segundo turno de um Mundial. Os Leões do Atlas – apelido da seleção marroquina – só chegaram novamente a essa fase, e surpreenderam o mundo, quando foram à semifinal na edição de 2022, fazendo a melhor campanha de uma seleção africana na história dos mundiais. \"Mas crescendo lá, eu vi a importância do papai no futebol, até no coração dos marroquinos, porque foi a melhor recordação esportiva para os marroquinos na época. Foram 36 anos sem chegar para o segundo turno\". Apesar de ser marroquino e ter crescido entre culturas, realidades e costumes diferentes, hoje, Youssef escolhe morar no Brasil e sabe bem para quem vai torcer nessa Copa. \"Teve uma primeira vez, em 1998, quando o Brasil jogou contra o Marrocos. Esse jogo agora me lembra daquela época, me faz sorrir um pouco, porque como eu era criança, era muito importante para mim. É verdade que eu cresci lá, morei lá, nasci lá, mas falando de futebol, não tem jeito. Uma pessoa que tem metade brasileira vai ter que torcer. Eu sempre fui fã da seleção brasileira, desde criança, e vou torcer para o Brasil, como sempre\". Após 52 anos sem participar de uma Copa do Mundo, o Haiti jogará o segundo mundial neste ano, após sua única participação na edição de 1974. Haitiana Anna Arquivo Pessoal Depois de tantos anos sem jogar, alguns haitianos tiveram de escolher para qual seleção torcer. E o verde e amarelo sempre chamou a atenção de Anne Dominique, imigrante que mora em Porto Alegre há oito anos, mas já gritava pela seleção brasileira tem tempo. \"Quando eu tinha 14 anos, eu me vestia como Ronaldinho. Eu penteava o cabelo igual para parecer o Ronaldinho. Eu nunca vou esquecer disso, porque eu gostava muito. Em 2002, eu estava no Haiti. Todo mundo saindo na rua gritando “Vai Brasil, vai!”. Em 2010, aí eu passei mal quando o Brasil perdeu. Eu desmaiei, sério, passei mal. É uma vitória, um orgulho de ter Haiti esse ano na Copa. Mas não quer dizer que a gente não tem um por cento a mais por uma. No fundo, no fundo, no fundo, a gente torce para o Brasil, sabe? Não conta para ninguém, tá?\" Um episódio que uniu as duas nações, e dá pra dizer que com o laço do futebol, foi o amistoso entre Brasil e Haiti em 2004, o conhecido Jogo da Paz. O Conselho de Segurança da ONU criou a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti, com o objetivo de restaurar a ordem no país, depois de um período de insurgência após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide. O governo brasileiro assumiu a coordenação. A partida foi um gesto de boas intenções e contou com craques como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho, Roberto Carlos, Júlio César e Adriano. Hoje, Anne é presidente da Associação dos Haitianos do Brasil, uma organização voluntária que ajuda mais de 500 famílias haitianas a viverem no Brasil. Ela pretende reunir os voluntários para assistir aos jogos juntos, assim como faziam no Haiti. A disputa entre Brasil e Escócia para ver quem bebe mais cerveja parece interessante, mas dessa vez vamos ficar apenas no futebol. Se aqui nós marcamos um bar em dia de jogos, na Escócia a galera se reúne nos tradicionais pubs. E é exatamente o que o Ian Cook, descendente de escoceses que mora em São Paulo, vai fazer. Bloco do Escocês Arquivo Pessoal \"Todos os jogos serão realizados no Finnegan's Pub, que é um pub bem típico britânico que fica no bairro de Pinheiros, aqui em São Paulo. Vai ser uma grande festa, com música típica escocesa, trajando o nosso uniforme tradicional de torcedor, que é o Quilt, com a camiseta da seleção. E faz parte até do lema da torcida escocesa para essa Copa do Mundo, que é “No Scotland, No Party”, que significa Sem a Escócia, não tem festa\". A seleção escocesa fará a primeira participação em uma Copa desde 1998, quando também enfrentou a seleção brasileira, foi derrotada por dois a um e ficou na lanterninha do grupo A naquela edição. Aliás, o jogo do dia 24 será o quinto confronto entre as duas equipes em mundiais. Com a volta da Escócia à Copa do Mundo, o rei Charles III até aprovou uma folga excepcional para que os escoceses possam acompanhar a estreia da seleção no Mundial de 2026. Mas, se o Brasil fizer gol, a gente já sabe: a comemoração vai ter sotaque, gaita de fole e, claro, muito orgulho.",
"title": "Torcer sem escolher um lado: o desafio dos imigrantes que vivem no Brasil"
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