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A Ilha do Silêncio: novo livro de Zé Godoy conecta extermínio indígena e ditadura de Pinochet na mesma ilha

CBN | As principais notícias do Brasil e do Mundo [Unofficial] June 4, 2026
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Em entrevista ao Estúdio CBN, diretamente da 'A Feira do Livro' em São Paulo, o comentarista da CBN, Zé Godoy, falou sobre o lançamento de seu novo livro, A Ilha do Silêncio: Terror e Genocídio na Terra do Fogo, publicado pela editora Fósforo. A obra parte da história da Ilha Dawson, no extremo sul do Chile, para investigar dois episódios marcados pela violência de Estado, o extermínio do povo indígena selk'nam no fim do século XIX e a instalação de um campo de concentração pela ditadura de Augusto Pinochet após o golpe militar de 1973. Ao explicar a origem da pesquisa, Godoy destacou que a ilha concentra duas tragédias separadas por cerca de 70 anos. Sobre a experiência dos indígenas selk'nam, ele afirmou que a missão religiosa instalada no local tinha o objetivo de transformá-los em trabalhadores integrados ao Estado chileno, mas produziu um resultado devastador. 'A ideia era trazer para o Estado chileno algo em torno de mil novos profissionais, mas o que vai acabar no final da missão é que eles vão ter mil corpos enterrados, porque não vai sobrar praticamente ninguém'. O autor também abordou a relação entre a ditadura chilena e o nazista Walter Rauff, responsável pelo desenvolvimento dos caminhões de gás usados pelo regime de Adolf Hitler. Segundo Godoy, há indícios de que Rauff participou da concepção do campo de concentração construído em Dawson. 'Esse é o único campo de concentração criado com essa finalidade pelo governo Pinochet. Os outros espaços de confinamento foram adaptados. Esse não. Foi construído exatamente como a gente vê nos filmes sobre o nazismo'. Outro personagem central do livro é o arquiteto Miguel Lawner, ex-integrante do governo de Salvador Allende e um dos presos políticos enviados para a ilha. Godoy descreveu Lawner como “um homem extraordinário” e ressaltou a importância dos registros produzidos por ele durante e após o período de prisão. Os desenhos feitos de memória se tornaram documentos históricos fundamentais depois que as estruturas do campo foram destruídas. 'Com a destruição de Dawson, esses desenhos dele são, de certa forma, a única prova material que a gente tem daquele espaço'.

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