Mulher jogada de penhasco em MG diz que deveria ter pedido ajuda antes: 'Está acontecendo? Fala'
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June 1, 2026
Ana Claudia Rodrigues, a mulher que sobreviveu a tentativa de feminicídio após ser jogada de um penhasco na Serra do Rola Moça, na região metropolitana de Belo Horizonte, disse em entrevista ao Fantástico desse domingo (31), que deveria ter pedido ajuda antes. Ela disse que solicitou uma medida protetiva somente cinco dias antes do crime. Ana Cláudia contou, também, que anos antes já havia feito um boletim de ocorrência contra o ex Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos, mas que relevou muitos sinais de violência ao longo dos anos que estiveram juntos. "Tá acontecendo? Fala, fala. Não esconda. Eu omitia muita coisa. Eles te dão força, você corre atrás dos seus direitos, para você largar, para você deixar para lá, para você viver sua vida. O que eu ouvia de um eu unia com o que eu ouvia de outro. Aí, chegou um ponto que eu pensei: 'gente, eu não preciso disso'", relata. A vítima foi resgatada presa na vegetação, pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros, mais de 24 horas após ter sido jogada no penhasco e o ex-marido foi preso quando tentava fugir para o estado da Bahia. Mulher é encontrada viva após ser jogada em penhasco pelo ex-companheiro Divulgação/PMMG A advogada criminalista e diretora de Políticas para Mulheres da Prefeitura de Belo Horizonte, Isabella Pedersoli, orienta que mulheres busquem ajuda nos primeiros sinais de violência. "Ela pode buscar orientação se estiver em dúvida sobre denunciar ou se estiver em dúvida se está passando por alguma situação de violência. Pode procurar os órgãos especializados, o Ministério Público, a Defensoria Pública, o próprio Tribunal de Justiça e os Juizados de Violência Doméstica e Familiar, mesmo sem ter feito uma denúncia. A gente não pode ficar esperando, porque, infelizmente, o que temos visto é que eles ameaçam matar e depois vão lá e matam", alerta. Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública mostram que entre janeiro e abril, Minas Gerais já registrou mais de 55 mil ocorrências de violência doméstica, além de 53 feminicídios consumados e 66 tentativas. No cenário nacional, o primeiro trimestre de 2026 foi o mais letal da história brasileira para as mulheres, desde 2015 quando a série histórica começou, segundo os dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. De janeiro a março, foram 399 casos de feminicídios registrados no Brasil, o que significa uma mulher a cada cinco horas sendo morta no país.
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