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Policial encontrado com 500 mil em espécie é oficial e ganha R$ 13 mil por mês

CBN | As principais notícias do Brasil e do Mundo [Unofficial] May 15, 2026
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O policial civil Maxwell Moraes Fernandes, alvo da Operação Sem Refino da Polícia Federal, tinha cerca de R$ 500 mil em espécie guardados em caixas de sapato dentro de casa, segundo investigadores. Lotado na Delegacia Fazendária (Delfaz) da Polícia Civil do Rio, ele está na corporação desde desde 2002. Maxwell recebe salário bruto de R$ 19.259,52, com rendimento líquido em torno de R$ 13 mil por mês. Pelas contas, se não gastasse um único real do salário, ele precisaria de aproximadamente 50 meses, o equivalente a quatro anos e dois meses, para acumular meio milhão de reais. A apreensão do dinheiro vivo chamou atenção dos investigadores justamente pela forma de armazenamento e pelo volume encontrado. A Delfaz, onde o policial atua, é especializada em investigações de crimes tributários, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e fraudes financeiras. Maxwell é um dos investigados no esquema que apura suspeitas de fraude fiscal bilionária, ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro ligados ao Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Entenda a investigação A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (15), a Operação Sem Refino, que mira um conglomerado do setor de combustíveis suspeito de envolvimento em fraudes fiscais, ocultação patrimonial, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Entre os alvos da ação está o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, do PL, que teve um mandado de busca e apreensão cumprido em sua casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital. Ao todo, agentes federais cumprem 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Também são alvos da operação o empresário Ricardo Andrade Magro, dono do Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual e o ex-procurador do estado Renan Saad. Pasqual e Saad foram exoneradas pelo governador em exercício Ricardo Couto no mês passado, numa troca administrativa dos cargos de confiança. O desembargador Guaraci de Campos Vianna foi afastado pelo Conselho Nacional de Justiça em março após a Corregedoria identificar indícios de decisões consideradas ilegais no processo de recuperação judicial da Refinaria de Manguinhos, ligada ao Grupo Refit. Segundo o CNJ, mesmo após uma decisão do STJ determinar a suspensão imediata do processo por risco à ordem pública, o magistrado teria continuado a conduzir o caso. A Corregedoria também apontou suspeitas sobre a nomeação de uma empresa pericial questionada por possível parcialidade. Segundo a PF, a investigação apura a atuação de empresas suspeitas de utilizar estruturas societárias e financeiras para ocultação de patrimônio, dissimulação de bens e envio ilegal de recursos ao exterior. A Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas. Um dos alvos também teve o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol. O foco central da investigação é a atuação da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro. A refinaria é investigada por suspeitas de fraude fiscal e importação irregular de combustíveis. As autoridades apontam indícios de que a unidade operaria como uma “refinaria fantasma”, simulando atividades de refino enquanto importava derivados praticamente prontos para reduzir a carga tributária. Ricardo Magro, proprietário do Grupo Refit, é considerado um dos maiores devedores de impostos do país. Ele é apontado como o maior devedor de ICMS do estado de São Paulo, o segundo maior do Rio de Janeiro e um dos maiores devedores da União. A PF tenta localizar o empresário, que passou a ser procurado internacionalmente após a inclusão de seu nome na lista da Interpol. O nome de Magro já havia aparecido em fases da Operação Carbono Oculto, que investigou a atuação do PCC no mercado de combustíveis. A operação desta sexta-feira foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e é um desdobramento das investigações conduzidas no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que apura a atuação de organizações criminosas e possíveis conexões com agentes públicos no Rio de Janeiro. O caso também ocorre em meio à crise política no estado. O Rio de Janeiro está sem governador oficial desde 23 de março, quando Cláudio Castro renunciou um dia antes de ser condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral à inelegibilidade. Desde então, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, ocupa interinamente o comando do estado. Apesar da nova operação atingir figuras ligadas ao governo estadual, a PF ressaltou que a ação não tem relação com as investigações envolvendo o caso Banco Master, que apura aportes de cerca de R$ 1 bilhão feitos pelo Rioprevidência e de mais de R$ 230 milhões pela Cedae. Nos últimos dias, Ricardo Magro também entrou no debate político nacional após ser citado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula afirmou publicamente que conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre brasileiros investigados que estariam vivendo nos EUA e disse esperar a prisão de Magro. A operação conta com apoio técnico da Receita Federal. A CBN tenta contato com as defesas dos investigados. Nota Caso Refit A defesa do ex-governador do Rio Claudio Castro afirma que foi surpreendida com a operação de hoje e que ainda não tomou conhecimento do objeto do pedido de busca e apreensão. No entanto, Castro está a disposição da Justiça para dar todas as explicações convicto de sua lisura. Todos os procedimentos praticados durante a sua gestão obedeceram aos critérios técnicos e legais previstos na legislação vigente, inclusive aqueles relacionados à política de incentivos fiscais do Estado, que seguem normas próprias, análises técnicas e deliberação dos órgãos competentes. É de suma importância destacar que a gestão Cláudio Castro foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado, o que reforça a postura isenta e institucional do ex-governador. No total, gestão conseguiu garantir o pagamento de parcelas cujo o montante se aproxima de R$ 1 bilhão. Atualmente, o parcelamento se encontra suspenso por força de decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em agravo de instrumento. Ao longo da gestão, a PGE (Procuradoria Geral do Estado) engressou com inúmeras ações contra a Refit, o que demonstra que a Procuradoria sempre atuou para que a empresa pagasse o que deve ao Estado.

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