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Quais dados de Vorcaro foram entregues pela Apple?

CBN | As principais notícias do Brasil e do Mundo [Unofficial] March 20, 2026
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Nesta semana, a Polícia Federal realizou a retirada dos dados do banqueiro Daniel Vorcaro que estavam na sala-cofre da CPMI do INSS. Um detalhe da nota divulgada pela PF merece uma atenção especial de quem curte tecnologia: a Apple também entregou dados referentes ao investigado, a pedido dos próprios parlamentares. “Durante a ação, foi constatada a reintrodução, no ambiente do Senado Federal, de dados anteriormente excluídos pela Polícia Federal. A medida decorreu de solicitação direta da Presidência da CPMI à empresa Apple”. É o que informa a nota divulgada em 18/03. Vamos entender o que isso significa? A Polícia Federal não dá outros detalhes, mas nós podemos supor que a CPMI acionou diretamente a empresa para obter um backup, ou seja, uma cópia de segurança dos dados do smartphone de Vorcaro. É sabido que o empresário usava não apenas um, mas vários iPhones. Esse processo de obtenção de dados é relativamente comum, padronizado. A autoridade faz uma requisição e a Apple, assim como outras empresas de tecnologia, mantém uma equipe que avalia as requisições e executa a extração das informações. E de onde vêm esses dados? Até agora, até onde temos notícias, nem a CPMI nem a Apple deram informações sobre isso. Mas, novamente considerando como funcionam as tecnologias digitais, é possível supor que tenha a ver com o iCloud, o serviço de nuvem da Apple. Todo iPhone sai de fábrica com ele instalado e habilitado – tanto por uma questão de segurança quanto de conveniência. O backup do iCloud pode conter elementos importantes para uma investigação deste porte, como fotos (e prints, lógico), mensagens, arquivos salvos na memória do telefone, documentos associados aos aplicativos instalados no aparelho, e por aí vai. A Apple consegue levantar esses dados e entregar a quem fez a solicitação. A única exceção é se o dono do iPhone ativar um tipo específico de criptografia que inviabiliza o acesso a esses dados na nuvem. Com isso, passamos a ter notícia de mais um método usado pelas autoridades durante as investigações. Já se sabia que a PF recolhe o aparelho, faz a cópia das informações, e depois as cataloga. Detalhamos isso na coluna há algumas semanas. Agora resta saber se os dados obtidos pela CPMI batem com os da PF. E talvez a pergunta mais importante: se novos fatos serão descobertos a partir do material entregue pela Apple.

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