External Publication
Visit Post

Entenda o que é Violência Vicária e saiba identificar os sinais de alerta

CBN | As principais notícias do Brasil e do Mundo [Unofficial] February 26, 2026
Source
No início de fevereiro de 2026, um crime abalou Itumbiara, no sul de Goiás. Miguel Araújo Machado, de 12 anos, e Benício Araújo Machado, de 8, morreram após serem baleados pelo próprio pai, Thales Machado, então secretário de Governo da prefeitura local. A mãe das crianças e ex-esposa de Thales estava viajando no momento do crime. Após atirar contra os filhos em sua residência, o secretário tirou a própria vida. O caso reacendeu o alerta para a violência vicária, que ocorre quando pessoas próximas a uma mulher são atingidas pelo agressor com o objetivo de causar sofrimento psicológico à vítima principal. Siga o canal de notícias da CBN no WhatsApp O que é Violência Vicária? Em entrevista a Luiz Fernando Figliagi no CBN Madrugada, a Promotora de Justiça de Defesa da Mulher e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Érica Verícia Canuto de Oliveira Veras, destacou que o conceito surge da necessidade de nomear formas específicas de abuso. “Somente recentemente, começou-se a nomear a violência vicária. O termo vem do latim e significa uma substituição. Ou seja, ‘eu quero atingir você, mas não vou fazer isso diretamente, vou atingir quem você gosta’. Podem ser animais, filhos, amigos ou pais.”, explica. Para a especialista, “é uma forma de tirar a vida da mulher.” Sinais de Alerta da Violência Vicária Para que as mulheres possam identificar o risco precocemente, a especialista aponta um padrão de comportamento que serve como alerta: - Ameaças: verbais ou físicas direcionadas à mulher ou aos filhos; - Violência Patrimonial: retenção de bens e controle de dinheiro; - Manipulação Psicológica: chantagem envolvendo pessoas íntimas; - Conflitos de Guarda: subtração de menores ou disputas judiciais agressivas; - Stalking: perseguição nas redes sociais ou monitoramento físico (presença constante em locais frequentados pela vítima). A promotora ressalta que os filhos podem ser manipulados em relações terminadas. “O homem começa a usar a criança como ferramenta de ataque. Diz frases como: 'Cuidado, se sua mãe estiver com outro, eu vou lá e mato todo mundo. Diga isso a ela'”, detalha. Desta forma, a criança passa a ser usada como objeto para o sofrimento da vítima. “Isso é evidente em separações onde o homem não aceita o fim do relacionamento e usa os filhos para manter o controle sobre a ex-parceira”, completa a professora de direito. A especialista alerta ainda para outro comportamento do agressor: “Ele pode começar a buscar informações com os amigos, de modo que ele dá todas as dicas, todos os sinais de que ele pode partir para algo mais severo”. Para evitar casos mais graves, como o feminicídio, é essencial que mulheres denunciem todo e qualquer tipo de violência, além de pedir por medidas protetivas. A importância das Medidas Protetivas Dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero indicam que 7 em cada 10 mulheres que sofreram violência no último ano não solicitaram medidas protetivas. Entre 2022 e 2023, mais de um milhão de medidas foram deferidas, mas o número poderia ser maior se houvesse mais informação. A Dra. Erica Veras reforça que o acesso à proteção é simplificado: “A medida protetiva pode ser pedida em qualquer delegacia, no fórum, na Promotoria de Justiça ou na Defensoria Pública. É simples demais e a palavra da vítima tem especial relevância nos crimes de violência doméstica e familiar contra mulher”. Denúncias de Violência Vicária Em 2025, o Ligue 180, vinculado ao Ministério da Mulher, registrou 25 denúncias de violência vicária. O Rio de Janeiro possui o maior índice, com 4 registros. O novo formulário de atendimento já contempla a tipificação, o que permite o registro qualificado das denúncias. Desde 2023, o Mapa Nacional da Violência de Gênero passou a incluir indicadores que auxiliam na compreensão desse fenômeno, em parceria com o Observatório da Mulher Contra a Violência (OMV) do Senado Federal e o Instituto Natura. Em registros internacionais, em 2023, 808 mulheres pediram ajuda em casos de disputa de guarda, sendo 723 em 2024. Relembre o Caso de Itumbiara, em Goiás As crianças foram mortas na residência da família, em Itumbiara, no sul de Goiás. O secretário de Governo, Thales Machado, atirou contra os dois filhos e, em seguida, contra si mesmo. Thales e o filho mais velho, Miguel, de 12 anos, faleceram no dia do ocorrido. Já o caçula, Benício, de 8 anos, resistiu por dois dias em estado gravíssimo na UTI do Hospital Estadual da cidade, mas teve o óbito confirmado na sexta-feira seguinte. A tragédia foi descoberta após uma publicação em tom de despedida no perfil do secretário nas redes sociais, que foi apagada posteriormente.Thales Machado era genro do prefeito de Itumbiara, Dione Araújo. O avô das crianças, Dione Araújo, manifestou-se agradecendo as mensagens de apoio. O crime, investigado pela Polícia Civil como duplo homicídio seguido de autoextermínio, gerou profunda comoção em todo o estado. Além do prefeito de Itumbiara, o governador Ronaldo Caiado prestou solidariedade à família e à população local. A morte das crianças mobilizou autoridades e moradores em manifestações de pesar, reforçando o debate sobre a identificação de comportamentos de risco e da violência vicária.

Discussion in the ATmosphere

Loading comments...