Lula se reúne com Macron na Índia e defende regulação urgente da inteligência artificial
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February 19, 2026
O presidente Lula se reuniu, nesta quinta-feira (19), com o presidente da França, Emmanuel Macron, durante a Cúpula sobre Impacto da Inteligência Artificial, em Nova Delhi, na Índia. De acordo com o governo brasileiro, os dois líderes discutiram temas da relação bilateral, com foco na cooperação nas áreas de defesa, ciência, tecnologia e comércio. Também trataram da integração na região de fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa, com ações conjuntas contra o narcotráfico, o garimpo ilegal e outros crimes transnacionais. Segundo o Planalto, o intercâmbio comercial entre Brasil e França alcançou US$ 10,3 bilhões no ano passado — um recorde, mas ainda abaixo do potencial das duas economias. Lula e Macron também conversaram sobre paz, segurança e inteligência artificial. O presidente francês convidou o brasileiro para participar da próxima reunião do G7, marcada para junho. Ainda na Índia, Lula se encontrou com o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenković, para tratar do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Ambos defenderam que o tratado entre em vigor o mais rápido possível para combater o protecionismo. Macron, por sua vez, mantém posição contrária ao acordo, que está em análise na Justiça da União Europeia. Limites da Inteligência Artificial Durante a cúpula, Lula defendeu a regulação urgente da inteligência artificial. O presidente afirmou que o uso desregulado da tecnologia aprofunda desigualdades, ameaça democracias e pode distorcer processos eleitorais. Ele reconheceu ganhos de produtividade, mas alertou para o que chamou de “práticas nefastas”, como o uso de armas autônomas, discurso de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho. “Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia. Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder”, afirmou. Lula também declarou que a tecnologia deve servir ao bem comum, e não apenas ao lucro das grandes empresas de tecnologia. O anfitrião do evento, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, defendeu que a inteligência artificial promova inclusão no Sul Global. Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que o futuro da tecnologia não pode depender “dos caprichos dos bilionários”.
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