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Proibido no Brasil, Polymarket virou 'instituto de pesquisa' para canais de direita no YouTube

Núcleo Jornalismo May 29, 2026
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Dos 190 canais sobre política brasileira no YouTube monitorados pelo Botponto, 20 deles mencionaram o Polymarket de 24.abr.2026 a 27.mai.26. Mesmo proibida no Brasil há um mês, o Núcleo verificou que em 44 vídeos a plataforma era utilizada como uma forma de diagnosticar uma possível intenção de voto mesmo não sendo uma pesquisa eleitoral.

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O Botponto é uma ferramenta de raspagem e análise de vídeos do YouTube, que permite monitorar menção a palavras-chave e identificar tendências de discurso nos vídeos, desenvolvida pelo Núcleo com apoio do International Center for Journalists (ICFJ).

Na maioria dos casos, são influenciadores e jornalistas do espectro da direita e da extrema-direita discutindo o cenário eleitoral envolvendo os pré-candidatos à presidência, sobretudo Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

As publicações têm uma média 32 mil visualizações, sendo o mais assistido um vídeo publicado em 25.abr.2026 pelo canal Te Atualizei, com 401 mil visualizações até a 29.mai.2026, no qual a influenciadora Bárbara Destefani declara que “o Polymarket é uma referência de observação eleitoral no mundo todo”.

Sites como Polymarket e Kalshi atuam como intermediadores de usuários que apostam no desfecho de eventos reais, como decisões políticas, indicadores econômicos, partidas esportivas, premiações culturais e até incidentes de guerra.

Pela falta de regulação específica, o Polymarket e outras 26 plataformas de mercados preditivos, ou “bolsas de apostas”, foram proibidas no Brasil em 24.abr.26.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou resolução que veda a oferta e a negociação no país de contratos derivativos cujos ativos subjacentes estejam relacionados a eventos de entretenimento, política ou esportes. Isso significa que essas operações não são mais vistas como investimentos no mercado financeiro e sim como apostas que operam com lógica de bets sem autorização e, segundo o Ministério da Fazenda, devem seguir as regras da Secretaria de Apostas e Prêmios (SPA).

O que são contratos derivativos?

De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os contratos derivativos são “ativos financeiros, cujo valor resulta (deriva, daí o nome), integral ou parcialmente, do valor de outro ativo financeiro (ativo subjacente) negociado no mercado à vista. Esses contratos são negociados em mercado (bolsa de valores) ou diretamente com uma instituição financeira (balcão).”

Ou seja, os valores do investimento podem variar conforme cotação do dólar, taxa de juros, índices da bolsa de valores, ações, commodities (como café, ouro etc). Esses contratos podem ser feitos por vários motivos, entre eles o chamado “hedge”, quando o objetivo é proteger o valor de uma posição ativa (carteira de investimentos) ou de uma posição passiva (dívidas) contra possíveis variações futuras de um determinado ativo ou passivo, por exemplo.

A resolução do CMN não afetou esses contratos que tratam de indicadores econômicos e financeiros.

A SPA entende que os contratos feitos por essas plataformas replicam a modalidade de betting exchange , prevista na Portaria 1.231/2024, que é quando os apostadores apostam uns contra os outros e o valor multiplicador da aposta (odd) é definido entre eles e não pelo agente operador (as casas de aposta), o qual pode cobrar comissão sobre o lucro líquido da aposta vencedora. Além disso, a Lei nº 13.756, de 2018, que legalizou as bets, apenas prevê apostas de quota fixa para eventos esportivos.

Na nota técnica que embasou a proibição, a SPA ainda aponta que “a exploração de mercados de previsão não apenas se afasta de qualquer pretensão de licitude sob a ótica regulatória, como também pode implicar violação direta a normas de ordem pública destinadas à proteção da lisura do processo democrático”.

O trecho faz referência à Resolução nº 23.735/2024 do Tribunal Superior Eleitoral veda o uso de plataformas digitais que ofereçam ou prometam, gratuita ou mediante pagamento de qualquer valor, “bens, produtos ou propagandas vinculados a candidatas ou a candidatos ou a resultado do pleito eleitoral”. O descumprimento pode configurar crime eleitoral, como abuso de poder econômico e captação ilícita de votos.

Ao Núcleo , a assessoria da SPA informou que “o bloqueio já foi implementado pela maioria dos provedores” após notificação da Anatel.

Se está proibido, por que ainda é usado?

Uma hipótese para a popularização dessas plataformas é o fato de que veículos de imprensa nos Estados Unidos têm realizado parcerias com esses sites, o que também coloca em xeque o papel do jornalismo na disseminação dessas apostas. Por lá, esses sites são regulamentados.

CNBC, CNN, Fox Corporation e Associated Press firmaram parceria com a Kalshi para incorporar na cobertura dados do mercado de previsão, tanto sobre temas econômicos quanto políticos. E a Dow Jones, editora do Wall Street Journal, fez o mesmo com o Polymarket.

“A direita sempre esteve muito mais aberta ao mercado, tanto na questão das políticas públicas quanto em acreditar que o mercado é a melhor forma de se entender a sociedade”, analisa David Nemer, antropólogo da tecnologia e professor da Universidade da Virgínia.

“Com esse entendimento e com o fator de que os Estados Unidos sempre foram um modelo de sociedade, principalmente para o pessoal da direita, e virou uma prática usar [o Polymarket] lá, ela tenta replicar esse modelo no Brasil”, explica.

É crime usar VPN para acessar o Polymarket?

Parte dos influenciadores e jornalistas detectados nos vídeos monitorados pelo Núcleo mencionam e até recomendam que, apesar de o Polymarket estar proibido no Brasil, ainda é possível acessá-lo via VPN. Ou seja, por meio de uma rede privada virtual que mascara a localização do usuário.

No caso, a reportagem não precisou usar o recurso. A diferença de estados onde as repórteres do Núcleo estão, por exemplo, permitiu verificar que a notificação de bloqueio pela Anatel ainda não chegou a todos os provedores. Em São Paulo, o acesso está bloqueado, mas em Goiás, até esta quarta-feira, 27.mai, ainda não. No Rio de Janeiro, onde o editor está, as plataformas ainda estavam acessíveis ao menos até sexta, 29.mai.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que não existe uma tipificação no Código Penal que criminalize por si só o uso de VPN.

“É importante pensar que VPN funciona muito como uma ferramenta legítima de acesso à informação, uma ferramenta de segurança, então o próprio governo federal tem diretrizes para servidores e para membros do governo utilizarem isso e várias empresas também fazem a mesma coisa”, explica Thobias Prado Moura, diretor da Internet Society (ISOC) Brasil.

"O texto da resolução e as notas da CVM, do Banco Central e os posicionamentos do Ministério da Fazenda estão muito direcionados aos operadores e não aos usuários”, destaca André Fernandes, diretor do Instituto de Pesquisa em Direito e Tecnologia do Recife (IP.rec). “Então, se os operadores sistematicamente ofertarem aos usuários o acesso à plataforma, encorajando o uso da VPN, eles seriam responsabilizados, mas o usuário não entendo como uma conduta criminosa”.

Um exemplo dessa discussão é o bloqueio do X, em 2024. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, chegou a determinar a aplicação de multa a quem usasse VPN para acessar a rede social, mas recuou no mesmo dia “para evitar transtornos para outras empresas”.

Paulo Rená, doutor em direito pela UnB, pesquisador do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS) e conselheiro do Núcleo , reforça que a ilegalidade, quando existe, está na conduta de acessar determinado conteúdo, não na ferramenta usada para chegar até ele. "As coisas que são proibidas são proibidas independentemente do meio de acesso", afirma, comparando a situação à compra de um item proibido, que é ilícita quer seja feita em loja nacional ou estrangeira.

Ele acrescenta um complicador técnico: nem sempre quem acessa um site bloqueado via VPN sabe que está fazendo isso. Aplicativos como o Telegram operam por meio de redes privadas virtuais embutidas no próprio sistema, de modo que um usuário pode acessar um canal proibido sem ter consciência nem da proibição, nem de que está usando uma VPN.

Veridiana Alimonti, diretora da Electronic Frontier Foundation (EFF) e doutora em direito, reforça o ponto. Ela observa que não há, na legislação ou na jurisprudência brasileira, base para tratar o uso de VPN como ilegalidade adicional ao acesso em si, e alerta para o que considera "uma armadilha": criar mecanismos para julgar a legitimidade do uso de VPN caso a caso, conforme o que a pessoa acessou.

Por essa lógica, diz, qualquer ferramenta digital de segurança, inclusive criptografia de ponta a ponta, poderia passar a ser avaliada pelo que ampara. "O uso em si de VPN ou de outra ferramenta digital de segurança não deveria ser penalizado para além da conduta criminosa", afirma.

Thobias Moura também sinaliza que é um debate complexo e que é necessário pensar em formas de realizar o cumprimento de decisões judiciais e/ou administrativas sem ferir princípios da segurança da informação e de privacidade que as plataformas de VPN fornecem.

“O provedor de VPN está protegido pelas próprias garantias constitucionais de sigilo das comunicações dos dados, proteção à privacidade, à intimidade e à vida privada. Um provedor de VPN, pela própria lógica técnica dele, não tem acesso ao que se passa dentro dele. Então, para que um provedor de VPN tenha acesso e saiba, por exemplo, que alguém acessa o Polymarket, ele teria que usar técnicas que fragilizariam necessariamente essa ideia de privacidade, de liberdade”, explica.

O Núcleo perguntou ao Ministério da Fazenda por que sites de mercados preditivos continuam disponíveis para alguns usuários do Brasil e se existe uma previsão de quando todos serão bloqueados. A assessoria informou que "o bloqueio já foi implementado pela maioria dos provedores" e que a oferta e a divulgação dessas plataformas "permanecem vedadas".

No Brasil, por exemplo, um dos vídeos detectados pelo Núcleo , postado em 21.mai.2025 pelo canal Missão Avança, reproduzia uma publicação feita no X pelo comentarista de política internacional da GloboNews em Nova York, Guga Chacra, na qual o jornalista apontava que “a probabilidade de vitória” do pré-candidato Renan dos Santos (Missão) “é bem relevante” com base em uma consulta às apostas da eleição presidencial no Polymarket.

Chama a atenção como Renan Santos tem crescido nas bolsas de apostas da eleição presidencial brasileira. A probabilidade de vitória dele é bem relevante pic.twitter.com/XOfpXfPrvG

— Guga Chacra (@gugachacra) May 20, 2026

Meses antes, em dez.2025, o programa Fantástico, da Rede Globo, fez uma extensa matéria entrevistando a cofundadora da Kalshi, Luana Lopes Lara, que entrou na lista de bilionários da Revista Forbes, sem problematizar as questões envolvidas no mercado de predição.

Dinheiro vs. opinião

Nos vídeos monitorados pelo Núcleo , um dos principais argumentos utilizados pelos influenciadores para validar o Polymarket como confiável é o de que as pessoas colocam dinheiro na plataforma, ou seja, mexem no próprio bolso.

Leandro Maciel, professor de finanças da FEA-USP e pesquisador em econometria financeira, explica que, diferentemente de uma pesquisa de intenção de voto, mercados preditivos podem ser manipulados e não têm a preocupação metodológica do viés amostral:

“Se determinados grupos desejam reforçar uma visão, expectativa ou posicionamento político, podem usar plataformas como essa para sustentar determinados discursos”, explica. “O cuidado que deve ser tomado é que os resultados observados nesses mercados podem conter viés amostral, ou seja, refletir apenas o perfil dos indivíduos que costumam acessar e operar nessas plataformas.”

Ele também aponta que quem investe dinheiro nessas plataformas têm como objetivo obter lucro.

“Portanto, o foco é acertar o resultado do evento, e não necessariamente expressar preferência por um candidato específico. Isso difere de uma pesquisa de intenção de voto, na qual o respondente, em tese, não possui motivação financeira ao fornecer sua resposta. Nesse contexto, a resposta tende a refletir sua real intenção de voto.”

De acordo com análise feita pela Pew Research Center, o volume de negociações globais no Polymarket e na Kalshi, que representam os dois maiores mercados de previsão, aumentou de menos de 5 bilhões doláres em set.2025 para cerca de 24 bilhões de doláres em abr.2026. Os pesquisadores apontam que o montante é maior do que a média mensal de dinheiro apostado em sites de apostas legalizadas nos Estados Unidos, que girou em torno de 14 bilhões de doláres.

Esporte ainda é o tema que prevalece nas duas plataformas (80% do volume total de negociações na Kalshi e 39% no Polymarket), segundo a pesquisa. Em seguida estão criptomoedas (7% do volume total na Kalshi e 20% no Polymarket) e política (4% do volume total na Kalshi e 32% no Polymarket).

No caso do Polymarket, as negociações financeiras são feitas em criptomoedas, por isso, não é possível rastrear a origem das apostas. As transações financeiras são publicamente registradas na blockchain, em que é possível ver quantas carteiras apostaram e a quantia, mas, como a plataforma não exige identificação dos usuários, não tem como saber quem apostou : se é brasileiro ou estrangeiro, eleitor ou bot, nem se uma mesma pessoa controla várias contas.

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Blockchain é uma tecnologia de registro digital distribuído e imutável, como banco de dados, mas público e descentralizado: não fica guardado em um servidor central, é mantido simultaneamente em milhares de computadores espalhados pelo mundo. É a tecnologia de criptomoedas, como Bitcoin e Ether, e também de registro das apostas feitas no Polymarket.

Indícios de manipulação e informação privilegiada

Uma reportagem do New York Times, publicada em mai.26, identificou mais de 80 usuários do Polymarket com apostas que continham indícios de uso de informação privilegiada, quando o apostador coloca muito dinheiro em um resultado por ter acesso a informações que o público não tem. Segundo o jornal, esses usuários lucraram em quase 30 tópicos diferentes desde 2024, a maioria ligada a operações militares.

Um relatório do Anti-Corruption Data Collective (ACDC), examinou todas as 435.672 apostas encerradas na plataforma entre jan.21 e mar.26, um total de 54,4 bilhões de dólares. A conclusão é que certas categorias de mercados políticos, sobretudo as ligadas a ações militares, apresentam sinais sistêmicos de informação privilegiada.

O estudo mostra que mercados políticos representaram apenas 4% das apostas da plataforma, mas ainda assim concentram mais de um terço (36%) de todo o volume apostado, 19,7 bilhões de dólares.

Os autores do relatório pontuam que um acerto acima do esperado não prova, isoladamente, o uso de informação privilegiada, mas o padrão é observado em uma série de indicadores: além da alta taxa de acerto, existe uma concentração de carteiras com índices de acerto quase perfeitos e uma sucessão de apostas vencedoras feitas nas horas finais que antecedem o fechamento do mercado. Em conjunto, esses sinais apontam para um risco estrutural.

Outro ponto levantado pelos pesquisadores é que a transparência da blockchain, somada à ausência de verificação de identidade, cria um efeito de amplificação: como qualquer pessoa pode acompanhar as apostas em tempo real, operadores de alta frequência conseguem identificar movimentações suspeitas e copiá-las, aumentando ainda mais a vantagem informacional sobre o apostador comum.

Entre as recomendações dos pesquisadores está justamente a de que o Polymarket passe a exigir o documento de identidade de todos os apostadores, como sua concorrente, a Kalshi, já faz.

Diferentemente do mercado preditivo, as pesquisas eleitorais fazem entrevistas com pessoas e dispõem de metodologia científica. Toda pesquisa de opinião pública no Brasil sobre eleições ou candidatos deve ser registrada junto à Justiça Eleitoral, onde qualquer pessoa pode consultar os resultados, as perguntas feitas e a forma como foi realizada.

Um dos principais cuidados nas pesquisas de opinião é desenhar uma amostra diversificada que possa representar parcela da população, explica Neale El-Dash, doutor em Estatística pela USP e fundador da PollingData, site agregador de pesquisas eleitorais.

“Se você não pensar nessa questão de como entrevistar essas pessoas, da logística da coleta de dados, você acaba deixando os subgrupos da população sem chance de participar da sua pesquisa e vai ter parcelas que não vão ser representadas”, aponta.

Isso não significa que as pesquisas de opinião pública não possam ser analisadas de forma crítica. O pesquisador salienta que existem modos de realizar entrevistas (presencial, por telefone ou online), o tipo de questionário que é feito e o nível de acesso dos entrevistadores a camadas da população que também podem interferir no resultado final, já que toda metodologia tem vantagens, desvantagens e limitações, mas o importante é que tudo isso seja transparente para a sociedade.

Credibilidade e desinformação

Heloísa Massaro, diretora de pesquisa e operações do InternetLab, destaca que vivemos em um cenário de desconfiança generalizada, em que as pessoas se sentem perdidas com o volume de informações. “As pessoas vão construindo quase seus próprios ecossistemas informacionais", afirma.

Para David Nemer, também é eticamente questionável veículos de imprensa se utilizarem de plataformas de mercados de predição na cobertura. “Eu acho que usar isso na imprensa é uma grande traição aos princípios do jornalismo porque você já não vai mais reportar se um fato é verdade ou não. Você vai reportar um fato baseado na probabilidade daquilo ser um fato”, afirma.

Como fizemos isso

Com a proibição do Polymarket no Brasil e a publicação feita no X por Guga Chacra, comentarista da GloboNews, usamos o BotPonto para descobrir o que vinha sendo dito no YouTube sobre a plataforma e se mais alguém estava usando as ferramentas de mercado de previsões como "institutos de pesquisa eleitorais".

Já na ferramenta, na aba "Pesquisa Aberta", pesquisamos pelo termo livre "Polymarket". A busca nos retornou 53 registros de menções ao termo, em que constavam canal, nome do vídeo, link para o momento exato em que o termo foi citado, a transcrição do que foi falado, data do vídeo, número de visualizações e espectro político do canal. Baixamos todos esses dados em formato .csv e, com eles em uma planilha, assistimos os vídeos, analisamos o conteúdo e eliminamos os registros anteriores a 24.abr.26, para considerar apenas as menções que ocorreram após a proibição.

Reportagem Sofia Costa e Jeniffer Mendonça

Arte Rodolfo Almeida Edição Alexandre Orrico

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