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  "description": "Anderson Okasaki publicou vídeo dizendo que \"mundo está chato\" após pedidos de investigação contra influenciador Breno Faria; policial responde a processo administrativo por postagens de exposição de dados pessoais, criação de sistema particular para receber denúncias no Instagram e outras violações",
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  "publishedAt": "2026-04-29T19:30:13.000Z",
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    "reveladas pelo Núcleo",
    "estatísticas oficiais",
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    "‘Café com teu pai’: influencer da machosfera é policial e viola regras da PRF nas redesBreno Faria integra corporação desde 2019 e viralizou com vídeos e cursos voltados às mulheres; leis proíbem que servidores federais da ativa façam comércio e se dediquem a outras carreirasNúcleo JornalismoJeniffer Mendonça",
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    "Instrução Normativa nº 121",
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  "textContent": "No dia 18.abr.2026, o policial rodoviário federal Anderson Sanshiro Caetano Okasaki resolveu usar a sua conta no Instagram para prestar apoio ao influenciador Breno Vieira Faria, conhecido pelo perfil \"Café com teu pai\". A legenda da publicação é \"Mais um que foi silenciado!\".\n\nUtilizando o uniforme da corporação, Okasaki diz que trabalhou com Faria e que \"o mundo está chato\".\n\n> \"Todo mundo gostava dele, era ponta firme no trabalho. De fato teve uma época que ele era meio mulherengo. Isso não estava fazendo bem para ele. Então, o que ele fez? Converteu, começou a namorar sério, casou, agora ele vai ter uma filha, ou seja, vai ser um pai de família. Não tem nada de misógino. Aí você percebe que o mundo tá chato mesmo. Você não pode mais falar, fazer piada, brincar, zoar, fazer mais nada. Se você não curte o conteúdo dele, é só você bloqueá-lo, pronto. Mas não, você quer acabar com o conteúdo dele e prejudicar outras mulheres que curtem e se sentem ajudadas pelo que ele fala\" - **Anderson Okasaki em seu perfil no Instagram**.\n\nNa ocasião, a página de Faria estava provisoriamente fora do ar após fãs da cantora Anitta e outros usuários terem feito denúncias em massa para derrubar a conta do Instagram. A ação foi vista como uma resposta aos ataques que o influenciador fez contra ela e outras celebridades mulheres que se posicionaram a favor de que ele fosse investigado por misoginia.\n\nEm nenhum momento Okasaki menciona que **os pedidos de investigação contra Faria se deram, especialmente, por violações às normas da PRF** , reveladas pelo Núcleo no início do mês: dedicação à outra carreira, sendo que a corporação exige atuação exclusiva, e gestão de empresas por meio de venda de cursos.\n\nO conteúdo de teor misógino acaba sendo um agravante nesse cenário, tendo em vista que a misoginia ainda não é crime. Ser casado, pai de família e convertido a uma religião, como o policial argumenta para defender o colega, não isentam o influenciador de propagar discurso que reforça o machismo. Além disso, as estatísticas oficiais apontam que a maioria dos agressores de mulheres e meninas estão no seu núcleo íntimo, já que são familiares, parceiros ou ex-parceiros.\n\nNa semana passada, o Ministério Público Federal converteu a representação com base na matéria do **Núcleo** , feita pela deputada Ediane Maria (PSOL), de São Paulo, em inquérito civil e ainda abriu um Procedimento Investigatório Criminal para apurar a conduta de Faria.\n\n‘Café com teu pai’: influencer da machosfera é policial e viola regras da PRF nas redesBreno Faria integra corporação desde 2019 e viralizou com vídeos e cursos voltados às mulheres; leis proíbem que servidores federais da ativa façam comércio e se dediquem a outras carreirasNúcleo JornalismoJeniffer Mendonça\n\nInclusive, Okasaki voltou a publicar um novo vídeo, no domingo (26.abr.2026), desta vez sem uniforme da PRF, para afirmar que o ator Juliano Cazarré, que criou um curso voltado para o público masculino, e Breno Faria estão sendo \"cancelados\" porque um quer ajudar os homens e o outro, as mulheres.\n\nEssas publicações se dão mais de uma semana depois que Okasaki obteve uma liminar (decisão judicial de urgência) que suspende temporariamente a tramitação de um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) que ele responde na corregedoria da PRF por uso indevido de redes sociais.\n\nA 1ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro acatou o pedido do policial ao sustentar que a comissão responsável não publicou ato prorrogando a apuração do caso no período previsto, o que tornaria todos os atos administrativos subsequentes a 13.dez.2025 passíveis de anulação e poderiam configurar suposto constrangimento ilegal. A decisão é de 8.abr.2026 e o tribunal ainda deve avaliar se o PAD pode ou não ser anulado.\n\nEssa investigação começou no início do ano passado, quando a corporação recebeu algumas denúncias sobre a conduta de Okasaki no Instagram. A primeira foi a divulgação de um reel sobre a fiscalização de rodovias durante o Carnaval. Um trecho do vídeo dele mostrava o sistema da PRF para consulta de veículos no celular e era possível ver vários dados de um automóvel específico, como placa, chassi e Renavam, por exemplo, o que poderia configurar exposição indevida de dados pessoais.\n\n🔎\n\nA Lei Geral de Proteção de Dados define como dado pessoal toda \"informação relacionada a pessoa natural identificada ou identificável\". Ou seja, RG, CPF, número de telefone, endereço, e até dados do seu carro pois podem, mesmo que de forma indireta, identificar o proprietário, conforme dois advogados consultados pelo ****Núcleo****.\n\nA segunda é a respeito de um formulário no Google Forms que Okasaki criou para que seus seguidores informassem dados de veículos clonados para ele verificar, apesar de a PRF deter de um sistema próprio e oficial que serve para comunicação de crimes envolvendo veículos, inclusive sobre clonagem, para além do boletim de ocorrência.\n\nCaptura do perfil de Okasaki, retirado do PAD que o Núcleo teve acesso, no Instagram em abr.2025, com a divulgação do formulário particular.\n\nNesse link que era divulgado na bio do Instagram, ele pedia número de contato, dados de placa, modelo e cor do veículo, município onde a pessoa costuma usar o veículo, número de registro e data de ocorrência na Polícia Civil, além de outros detalhes.\n\nApesar de informar que não é meio de comunicação da PRF, o agente não direciona quem acessa o formulário aos links de canais oficiais e o utiliza como um sistema particular sem controle da corporação quanto ao uso e à proteção dos dados fornecidos. O link não está mais sendo divulgado por Okasaki, mas a reportagem verificou que segue ativo.\n\nTrecho do formulário particular de Okasaki cujo link segue ativo, mesmo sem estar sendo divulgado.\n\nA terceira situação foi um vídeo que ele fez, fardado, comentando as mortes de três policiais rodoviários federais em um acidente de trânsito em 18.abr.2025 e que teve repercussão por ter sido noticiado pelo site Metrópoles. Ele questiona se \"vale a pena\" lutar por uma sociedade que não valoriza o trabalho policial. Um fã clube da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chegou a publicar o vídeo que foi repostado por Okasaki.\n\nNa época, ele fazia diversas publicações expondo ocorrências, viaturas e equipamentos, o que é vedado pela Instrução Normativa nº 121, de 20 de dezembro de 2023, que trata do uso de redes sociais por membros da PRF.\n\nBoa parte dessas publicações foi apagada por Okasaki a partir do momento que ele foi chamado para ser ouvido na corregedoria. Em depoimento de 23.abr.2025, obtido pelo **Núcleo** , ele disse que ele removeu a publicação que expunha dados de veículo após ter sido alertado por colegas, já que não teria percebido que a versão com as informações omitidas não havia sido publicada.\n\nSobre o formulário, ele mencionou que o sistema da PRF não estava atualizando informações sobre casos de veículos clonados e que recebia muitas mensagens de seguidores relatando denúncias. Para ele, seria uma forma de \"ajudar\" e repassar informações aos colegas, mesmo ele não estando em um setor de inteligência da PRF. Sobre o vídeo comentando as mortes de colegas, Okasaki disse que queria propor uma \"reflexão geral\" e não de que valeria a pena ou não trabalhar na PRF.\n\nO agente também negou qualquer tipo de publicidade e monetização de conteúdo e que não tem pretensões políticas com essas postagens. Contudo, a reportagem confirmou em consulta ao Tribunal Superior Eleitoral que ele continua filiado de forma regular ao Partido Novo desde que concorreu às eleições municipais de 2024. Ele tentou se eleger ao cargo de vereador na cidade de Itaguaí, na região metropolitana do Rio de Janeiro.\n\nAo **Núcleo** , a PRF informou que permite que seus integrantes sejam filiados a partidos mesmo na ativa (leia a nota na íntegra ao final do texto).\n\n💡\n\nA Constituição Federal, no artigo 142, veda que militares da ativa das Forças Armadas sejam filiados a partidos políticos. Não há uma especificação sobre agentes de segurança pública, nem com relação a cargos civis como a PRF, por exemplo, mas existe uma preocupação crescente sobre a politização das polícias.\n\nTem ocorrido algumas interpretações quanto às polícias militares, como o Estatuto da PM da Bahia, que também proíbe filiação partidária. No ano passado, o comando da corporação reforçou essa norma após o Ministério Público estadual ter identificado 84 agentes da ativa filiados a partidos, situação considerada incompatível com a função.\n\nAinda segundo o depoimento, o policial disse que fez o respost do fã clube de Michelle por acreditar ser um perfil oficial da ex-primeira-dama e porque tem admiração por ela e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Em menos de dois meses, ele saiu de 2 mil seguidores, em mar.2025, para cerca de 10 mil no Instagram no mês seguinte. Enquanto essa reportagem foi produzida, Okasaki somava 16,9 mil seguidores.\n\nO policial ainda enviou um e-mail à corporação, em resposta a questionamentos adicionais da Diretoria de Inteligência e de Comunicação, dizendo que não houve uso indevido das redes sociais e que não criou um sistema paralelo de denúncias, mas \"tão somente uma planilha para organizar melhor as inúmeras denúncias que estava recebendo em minhas redes sociais\".\n\nAfirmou, ainda, que \"vazamento ou tratamento irregular de dados sempre vai existir para qualquer pessoa que tenha acesso a um banco de dados\" e que ele não pediu dados pessoais nesse formulário. Porém, número de telefone e placa de veículo são de fato informações que identificam uma pessoa, ou seja, são sim dados pessoais conforme a LGPD.\n\nA corregedoria decidiu abrir um PAD contra Okasaki por entender que a apuração preliminar identificou indícios de violações não apenas à normativa sobre uso de redes sociais, mas também de dispositivos das leis 8.112/1990 (observar normas legais e regulamentares; guardar sigilo sobre assunto da repartição; manter conduta compatível com a moralidade administrativa) e 12.527/2011 (divulgar ou permitir a divulgação ou acessar ou permitir acesso indevido à informação sigilosa ou informação pessoal).\n\nA Coordenação-Geral de Comunicação Institucional da PRF também tinha avaliado que o vídeo em que o policial comenta as mortes dos colegas \"extrapola o limite do discurso individual e reflete negativamente sobre a atuação da corporação como um todo\" devido à manifestação de opinião pessoal usando símbolos da corporação, como o fardamento, o que pode confundir a sociedade com um posicionamento institucional.\n\nO caso estava em andamento até a liminar favorável ao policial, já que a última vez que a comissão responsável publicou ato para prorrogar a investigação por 60 dias se deu em 13.out.2025, ou seja, valeria até 13.dez do mesmo ano. Um novo ato só foi emitido em 26.jan.2026, quando o colegiado já havia perdido o prazo legal.\n\nO **Núcleo** questionou a assessoria da PRF no Rio de Janeiro sobre a decisão, o PAD, os vídeos de Okasaki em apoio a Breno Faria e se há investigação aberta contra o influenciador do \"Café com teu pai\". Em nota, a Coordenação-Geral de Comunicação Institucional informou que abriu apurações preliminares contra os agentes.\n\n#### Leia aqui a íntegra da nota da PRF\n\nA Polícia Rodoviária Federal (PRF) informa que foi instaurada, pela corregedoria do órgão, Investigação Preliminar Sumária (IPS) para apuração dos fatos relacionados ao servidor Breno Vieira Faria, bem como há Processo Administrativo Preliminar destinado à apuração de denúncias envolvendo o servidor Anderson Okasaki.\n\nEm razão do caráter sigiloso desses procedimentos e por se encontrarem em curso, a instituição não se manifesta sobre o conteúdo, o andamento ou eventuais providências decorrentes das apurações.\n\nA PRF esclarece ainda que, por se tratar de carreira de natureza civil, não há, em seu regimento interno, vedação à filiação partidária de seus servidores, observadas as disposições previstas na Constituição Federal e na legislação vigente.\n\nA reportagem procurou Okasaki diretamente por WhatsApp e não teve resposta.\n\n###### Reportagem **Jeniffer Mendonça**\nArte **Aleksandra Ramos**\nEdição **Alexandre Orrico**",
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