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  "description": "CADE decidiu, por unanimidade, abrir uma investigação formal sobre impacto do resumo de conteúdos de busca AI Overviews na audiência e no valor gerado por sites de jornalismo ",
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  "publishedAt": "2026-04-23T18:45:38.000Z",
  "site": "https://nucleo.jor.br",
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    "Fonte: Cartilha do Cade",
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  "textContent": "Há uma primeira vez para tudo no mundo.\n\nEm uma decisão sem precedentes para uma Big Tech no Brasil, o Google vai ter que prestar esclarecimentos em relação a práticas econômicas que potencialmente prejudicam o jornalismo no país.\n\nNesta quinta-feira (23.abr.2026), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), principal regulador de concorrência do Brasil, aprovou por unanimidade a abertura de um `processo administrativo` sobre a empresa de buscas online, com a finalidade de descobrir os impactos de seus resumos gerados por inteligência artificial, os chamados AI Overviews, em veículos jornalísticos brasileiros.\n\nA grande tese a ser explorada agora é se o Google tem extraído valor do jornalismo brasileiro sem fornecer contrapartidas satisfatórias, que vão além do redirecionamento de audiências, no que foi chamado de \"abuso exploratório de posição dominante\".\n\nBig Techs, inclusive a Meta, já foram alvo de processos no Cade antes. Em 2025, o regulador e o Google fecharam um termo de compromisso para que a empresa melhores suas práticas em relação a sistemas Android. Em 2023, Google, Meta e Telegram foram alvo de apurações por terem usado suas plataformas para fazer campanhas agressivas contra o PL 2630, o chamado PL das Fake News.\n\nMas é a primeira vez que o Google, uma das maiores empresas do mundo com receita em 2025 de mais de US$400 bilhões, vai ser obrigada a fornecer muito mais detalhes sobre suas práticas especificamente direcionadas ao jornalismo – um segmento que a Big Tech já deu parcerias e grants, mas empurrou seus modelos de negócios.\n\nUm inquérito sobre práticas concorrências anticompetitivas foi aberto em 2019 para apurar como práticas de \"raspagem\" de conteúdo pelo Google prejudicavam a imprensa. O AI Overviews foi lançado pela empresa oficialmente em mai.2024, como parte de seus esforços (e de boa parte dessa indústria, diga-se) de enfiar inteligência artificial generativa em todos os seus produtos.\n\nNesse longo inquérito, o Google teve que prestar esclarecimentos e fornecer informações, embora muitos documentos estejam sob segredo processual. Mas a abertura do processo demonstra que os conselheiros do Cade enxergam que a empresa precisa fazer mais.\n\n🫠\n\n ___Inquéritos___ são diferentes de ___processos___ administrativos. Um inquérito é um período de coleta de informações para decidir a abertura de um processo. Já o processo administrativo é instaurado quando já existem fortes indícios de práticas lesivas ao mercado constatadas pelo inquérito administrativo.\n\nFonte: Cartilha do Cade\n\nUma das coisas será diferenciar entre recortes tradicionais feitos pelo Google (os chamados _snippets_) dos resumos do AI Overviews. Outro ponto a ser analisado é a questão do _zero-click_ , ou seja, quando o usuário apenas lê um resumo e não clica em nada, prejudicando a referência para o veículo – algo extremamente importante para o jornalismo.\n\nTalvez ainda mais incisivo será a tentativa de estimar o valor retido pelo Google com publicidade digital em comparação aos custos editoriais dos veículos para produzir jornalismo. Pra mim, esse é o grande pulo do gato desse processo, porque vai efetivamente colocar números em algo que nunca foi divulgado pela empresa.\n\nPor fim, o Cade vai exigir que o Google mostre todos os seus testes, não apenas conclusões \"seletivas\" que favoreçam seu caso.\n\n****Gosta de entender melhor a tecnologia?****\nAjude o Núcleo a continuar publicando análises críticas, __assine por R$10__ e receba vantagens exclusivas.\n\n\n                            Apoie agora\n                        \n\n### Bordoadas\n\nO voto-vista de Camila Cabral Pires Alves, conselheira do Cade, foi bastante enfático ao salientar que o problema não se trata apenas do redirecionamento de audiência pelo Google aos sites de notícia, mas também pela \"apropriação do valor\" gerado pelos veículos e não reconhecido pela Big Tech.\n\nEsse trecho aqui deixa isso claro:\n\n> O problema central não está, ao menos por ora, em demonstrar fechamento concorrencial em sentido forte. Está em examinar se a plataforma, em posição dominante, amplia unilateralmente os usos econômicos do conteúdo produzido por terceiros, administra sozinha a contrapartida que lhes devolve e captura parcela desproporcional do valor gerado nessa interação. Essa exploração pode ocorrer em ambiente não-preço, por meio de variáveis como tráfego, visibilidade, atribuição, dados e acesso ao público.\n> **– Voto da Conselheira do Cade Camila Cabral Pires Alves, Capítulo 2, parágrafo 10**\n\nA conselheira explica bem seu posicionamento especificamente sobre o AI Overviews:\n\n> Se a plataforma passa a apresentar, em sua própria interface, resposta suficientemente completa para satisfazer de forma imediata a consulta do usuário, a ausência de clique para o site de origem pode significar, ainda sem cobrança pecuniária direta, deslocamento economicamente relevante de valor. Isso porque a plataforma retém a atenção do usuário, internaliza utilidade informacional extraída de conteúdo de terceiros e reduz a possibilidade de que esse valor seja apropriado, ao menos em parte, pelo publisher que o produziu.\n> – **Capítulo 3, parágrafo 21**\n\nEssa captura de valor, argumenta Alves, não se vale apenas da exploração da audiência perdida pelos veículos, mas também da estrutura de extração do valor informativo do conteúdo jornalístico.\n\n> ... a devolução de algum volume de tráfego aos publishers não basta, por si só, para afastar a preocupação concorrencial. Isso pode coexistir com mecanismos de apropriação de valor, de redução de autonomia econômica e de enfraquecimento progressivo das condições de rivalidade. O problema, portanto, alcança também a forma pela qual a plataforma dominante administra a arquitetura da intermediação informacional e transforma conteúdo de terceiros em insumo para retenção de atenção, coleta de dados e reforço de seu próprio poder de coordenação.\n> **– Capítulo 1, parágrafo 5**\n\n* * *\n\n _⚠️ Texto atualizado às 16h43 de 23.abr.2026 para corrigir que Camila Cabral Pires Alves foi relatora do inquérito. Camila Cabral é conselheira do Cade e apresentou voto-vista._\n\n###### Reportagem **Sérgio Spagnuolo**\nArte **Aleksandra Ramos**\nEdição **Alexandre Orrico**",
  "title": "Google terá que prestar contas ao jornalismo no Brasil por uso de IA",
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