Instagram compartilhou meus dados com +3.000 anunciantes desde 2018
Apesar de gostar de nozes, nunca tentei comprar nenhum tipo dessas oleaginosas online. Mas o Instagram achou que eu encaixo no perfil e decidiu compartilhar meus dados para uma loja de castanhas.
A rede social também compartilhou meus dados com o perfil do ministro da Saúde (e ex-candidato ao governo de São Paulo), Alexandre Padilha (PT) e mais de 3.000 outros anunciantes, em pelo menos 17 categorias de anúncios.
Os dados foram obtidos via exportação oficial de dados do Instagram e analisados pelo aplicativo (gratuito) Instagram Data Visualizer, parte do meu projeto independente Journalism Relay.
Segundo a página de política de dados do Instagram, "os dados nos permitem oferecer uma experiência personalizada para diferentes pessoas, além de aprender coisas novas e melhorar nosso serviço."
O montante de anunciantes que têm acesso a meus dados me fez ser ainda mais determinado em minha resolução de abandonar o Instagram.
Não sou um usuário tão habitual e intenso de Instagram, inclusive minha atividade (likes e comentários, principalmente) caiu bastante nos últimos anos, então meus números aí são possivelmente mais baixos do que usuários mais hard core da plataforma.
Removi boa parte das minhas fotos, abri o perfil para qualquer um seguir (já que não vou postar mais nada no futuro previsível) e criei um mini feed em HTML para mostrar minhas fotos que estavam lá.
REGULAÇÃO. Na Europa, a Meta se viu forçada no fim do ano passado a permitir com que usuários tenham mais controle sobre os dados que a empresa captura e compartilha, mostrando que regulação funciona.
No Brasil, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) tem feito análises e tomado medidas sobre compartilhamento de dados entre WhatsApp e outros serviços da Meta e sobre treinamento de IA, mas ainda não especificamente sobre anúncios (que se tenha notícia).
Texto Sérgio Spagnuolo
Arte Rodolfo Almeida Edição Alexandre Orrico
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